Canguru rejeitada pela mãe ganha nome de Pokémon e tenta voltar para o grupo. A filhote de canguru que ficou conhecida após ter sido rejeitada pela mãe começou a ser 'treinada' na última semana para conviver com outros cangurus em um zoológico de Cotia, na Grande São Paulo. O objetivo é que Eevee, que ganhou esse nome por conta do personagem de Pokémon, consiga se afastar gradualmente de Thais Gomes Amaral, a bióloga que a adotou em seus primeiros dias, para permanecer em um espaço voltado para cangurus.
Eevee já tem um lugar adaptado no zoológico para ficar, uma sala em que dorme. Pela manhã, ela é levada para um recinto em que tem as suas primeiras interações com outros cangurus. "Eles mesmo costumam vir e dar um cheiro nela.
Tudo isso é sempre muito devagar, no tempo dela", conta Thais. A bióloga conta que espera ver Eeevee um pouco mais independente. Para isso, deixa ela mais tempo em um cercado com outro tratador, até que ela fique mais tempo sozinha com outros cangurus.
A ideia é que Eeevee fique todo o tempo com animais adultos. A bióloga Thais Gomes Amaral adotou Eeevee em seus primeiros dias e quer levar filhote de volta para convívio com outros cangurus Reprodução/TV Globo Até chegar a esse momento, Thais precisou reproduzir o conforto e a temperatura do corpo da mãe. Para isso, improvisou usando uma bolsa com material elástico, cobertas e garrafas com água aquecida.
"E o tempo todo andando com a gente, porque esse balançar também faz parte do desenvolvimento do filhote. Enquanto eu estava trabalhando na minha mesa, ela estava junto comigo na bolsa", conta. A bióloga lembra que, se precisava, levava Eevee para casa, com autorização.
"Não deixa de ser um animal selvagem. Eles aprendem por repetição. Tudo que eu queria ensinar para ela, eu tinha que fazer", diz Thais.
Em treinamento para voltar a conviver com outros cangurus, Eevee passa mais tempo com outro tratador Reprodução/TV Globo Rejeição da mãe Eevee tem apenas seis meses, mas já cresceu bastante. No primeiro dia de vida, era do tamanho de uma pedra: filhotes de canguru nascem com pouco mais de um mês de gestação, com entre 2 cm e 2,5 cm de comprimento. Eles costumam ser carregados pelas mães até o quinto ou sexto mês.
Mas, bem antes disso, Esther, a mãe, não quis mais saber dela. A equipe que monitora os animais 24 horas por dia percebeu que, em uma noite, a mãe tirou Eevee da bolsa e a colocou para fora. "A partir do quarto mês, começa a se mexer e, talvez, incomode um pouco na bolsa da mãe.
E, quando a mãe é de primeira viagem, ela não tem a experiência de como cuidar de um filhote e pode acabar rejeitando", conta a bióloga. "O nosso primeiro passo é sempre tentar retornar com a mãe, mas, infelizmente, a mãe não aceitou", contou Thais. Annabelle Olsson, diretora do Hospital da Vida Selvagem, da Universidade de Sidney, na Austrália, disse que alguns cangurus abandonam seus filhotes.
"Então, existem grupos de cuidadores que oferecem treinamento", disse. Thais conta que Eevee está mais confiante, mas lembra que a filhote não será levada para à natureza. Segundo ela, os animais já nasceram sob cuidados humanos continuarão assim.
"Se essa filhote em algum lugar do mundo tivesse sido rejeitada e ninguém tivesse tido a experiência de cuidar dela, não saberíamos o que fazer ou como salvar algum animal. E muitas espécies já foram salvas a partir disso", afirmou. Filhote de canguru Eevee foi rejeitada pela mãe Reprodução/TV Globo



