Drone térmico revela mais de 60 muriquis escondidos na floresta em MG O uso de um drone térmico permitiu identificar mais de 60 muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), divididos em pelo menos três grupos, no Parque Estadual do Alto Cariri, em Minas Gerais. O resultado amplia o conhecimento sobre a população da espécie na região e contribui para os trabalhos de conservação.
📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O equipamento foi emprestado pelo biólogo, pesquisador e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Fabiano Rodrigues de Melo, mais conhecido como Bião Melo, ao gestor do parque, Jones Lacerda. A parceria gerou um resultado inédito para a ciência e a conservação brasileiras. O drone conseguiu flagrar e quantificar vários indivíduos de muriqui-do-norte no Alto Cariri, uma área de 6,1 mil hectares.
O muriqui é o maior primata sul-americano e pode pesar até 15 quilos. A espécie possui braços longos e cauda preênsil, que funciona como um quinto membro de apoio e locomoção. Bião Melo conta que, desde 2004, já sabia da existência dos animais na área do parque.
As visualizações, porém, eram esporádicas. Agora, os pesquisadores conseguiram registros importantes para a continuidade dos estudos da espécie. "Registrar os muriquis é muito importante porque a gente não tinha noção do tamanho da população.
Hoje a gente está com mais de 60 indivíduos contados em pelo menos 3 grupos. E quando eu descobri os bichos lá em 2004, a gente só conhecia de 4 a 7 indivíduos de um só grupo", explica Bião Melo.
Drone térmico ajuda na contagem de muriquis-do-norte em MG Jones Lacerda Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: VISITANTE: Maior coruja do Brasil aparece em apartamento e surpreende moradores de Indaiatuba (SP) INVASÃO: Estudo aponta alto risco de invasão de peixes não nativos na Bacia do Iguaçu, onde 70% das espécies são endêmicas FLAGRANTE: Pavãozinho-do-Pará abre as asas e afugenta cutia que se aproxima de poça d’água no Pantanal O pesquisador da UFV foi pioneiro na América Latina no uso de drones para o trabalho com primatas em florestas tropicais.
Como esses animais vivem no alto das árvores, as imagens feitas pelos drones, com base na captação do calor corporal dos bichos, facilitam a identificação dos grupos e a contagem dos indivíduos.
Bião Melo explica que o aumento nos registros de muriquis-do-norte em Minas Gerais está relacionado a vários fatores, como a criação de unidades de conservação no estado em 2008, de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em 2009 e do Parque Nacional do Alto Cariri em 2010, localizado na Bahia, ao lado do Parque Estadual que fica em território mineiro. "Com certeza essa região ficou mais protegida, tem mais fiscalização, então as pessoas pararam de caçar.
Falo isso porque em 2022 eu vi um grupo de muriquis lá que fugiu da gente, ou seja, um grupo que ainda tinha lembrança de caça. Só que essa caça foi hoje estancada com a presença do Estado, com a criação das unidades de conservação. Então, além da gente não conhecer essa população antes, a gente não sabia como é que ela estava, a gente realmente deveria ter caça e isso tudo devia diminuir o tamanho dessa população", contextualiza Bião Melo.
O trabalho dos biólogos não fica restrito à análise das imagens para identificação e contagem dos primatas. Os pesquisadores também fizeram a coleta de fezes para o estudo genético das populações. Coleta de fezes para análise da população de muriquis Lázaro Gonçalves de Assunção Há no Brasil um Plano de Ação Nacional para a conservação dos primatas da Mata Atlântica.
Além disso, existe o programa de manejo populacional do muriqui-do-norte, uma política pública oficializada pelo ICMBio. Os dois projetos de governança trabalham na proteção desses primatas. Os especialistas estimam que a população de muriquis-do-norte esteja em torno de 1.000 indivíduos na natureza, divididos em 12 populações conhecidas.
Os muriquis-do-norte da região de Ibitipoca estavam fadados à extinção Priscila Maria Pereira Quando os pesquisadores identificam que algum grupo corre algum tipo de risco, os animais são translocados para áreas mais protegidas. Atualmente, a maioria encontra-se em unidades de conservação.
"Então, eu fico muito feliz e orgulhoso de ver que com qualquer esforço que a gente faz, imagina, eu emprestei um drone, a gente tá trabalhando com uma quantidade, com uma qualidade de qualidade e com um resultado muito melhor", conclui Bião Melo. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente



