Tragédia no Nepal e no Tibete: nº de mortos chega a 389 e autoridades veem risco de nova enxurrada Em 24 horas, o número de vítimas na tragédia na fronteira do Nepal com o Tibete mais que dobrou. Já são 389 mortes, e o total de desaparecidos passa de 1,4 mil. Em meio às operações de resgate, surgiu o risco de uma nova enxurrada a qualquer momento.
Os nossos correspondentes na Ásia, Felipe Santana e Lucas Louis, chegaram nesta quinta-feira (27) ao Nepal. “Nossa equipe acabou de chegar aqui no aeroporto de Katmandu, no Nepal. São 23h pelo horário local, 14h15 em Brasília.
A partir de agora, a gente começa uma viagem para tentar chegar perto do lugar da tragédia. Fica cerca de 100 km daqui, rumo ao norte, perto da cordilheira do Himalaia. A gente vai tentar acompanhar o trabalho dos resgatistas, mas todas as estradas para lá estão fechadas.
A gente vai ver o qual próximo a gente consegue chegar”, conta Felipe Santana. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Correspondentes da Globo estão no Nepal para acompanhar trabalhos de resgate; há risco de nova enxurrada a qualquer momento Jornal Nacional/ Reprodução O deslizamento foi tão forte que até mudou a geografia da região. Onde antes era apenas rocha entre a China e o Nepal, agora tem um lago em formação.
E é de lá que vem o risco de uma nova enxurrada muito parecida com a de quarta-feira (26). O governo chinês diz que, na manhã desta quinta-feira (27), a área tinha acumulado cerca de 2 bilhões de litros de água, e a expectativa é de que o volume desse novo lago mais que dobre até o fim de semana. Ele enche rápido como uma represa, que pode estourar a qualquer momento.
Esse tipo de represamento acontece porque essa região acumula água nos vales e entre as montanhas e geleiras da cordilheira do Himalaia. Também porque ela é cheia de rios, e o deslizamento de quarta-feira (26) deslocou muitas rochas e sedimentos, que podem ter bloqueado esses rios. O problema é que as operações de resgate continuam exatamente nas áreas mais próximas da água acumulada.
Vilarejos inteiros estão soterrados na lama, que começou a secar, o que dificulta o trabalho dos socorristas em uma corrida contra o tempo para achar sobreviventes. Para piorar, as estradas estão bloqueadas pelo lamaçal. O vice-diretor de um hospital em Katmandu explicou que os sobreviventes estão chegando de helicóptero, o que demora: “Se tivéssemos as ligações pelas rodovias, conseguiríamos receber mais e mais pacientes”, ele disse.
Correspondentes da Globo estão no Nepal para acompanhar trabalhos de resgate; há risco de nova enxurrada a qualquer momento Jornal Nacional/ Reprodução Na cidade de Dhevigat, tratores tentam abrir caminho para o socorro em meio aos moradores que recontam a tragédia. O Janak lembrou que o rio parecia pequeno, mas que de repente começou a inundar e a varrer tudo. “Foi como uma bomba”, ele disse.
Uma bomba equivalente a mil toneladas de dinamite, segundo pesquisadores britânicos. Cientistas do Nepal e dos Estados Unidos também investigam a dimensão e as causas da avalanche de quarta-feira (27), quando um enorme bloco de gelo, de 600 m de largura, se desprendeu a mais de 5 mil m de altitude. Uma análise preliminar de imagens de satélite mostrou que não foi só a geleira que rompeu: uma parte da montanha embaixo dela também cedeu.
Correspondentes da Globo estão no Nepal para acompanhar trabalhos de resgate; há risco de nova enxurrada a qualquer momento Jornal Nacional/ Reprodução A avalanche de rocha, gelo e água desceu arrastando sedimentos, possivelmente bloqueou um rio. A água acumulou e depois rompeu a represa, causando a enxurrada. Foi tanta força que até uma barragem hidrelétrica que estava em construção desabou com a avalanche.
Imagens divulgadas nesta quarta-feira (27) mostram como a estrutura foi rapidamente engolida. Além das perdas humanas, os moradores dos vilarejos atingidos sofrem agora ao ver que tudo o que tinham foi levado pelo lamaçal. A avalanche levou o arroz, o milho, as roupas e a loja de chá do Rajendra.
Ele disse: “Só sobrou a roupa do corpo”. Atualização Militares resgatam 350 pessoas presas em túnel depois da avalanche no Nepal Em Nova York, o Felippe Coaglio acompanha a tragédia e tem as últimas informações. "Mais de 1,4 mil pessoas continuam desaparecidas e metade é de estrangeiros - 500 no Nepal e 260 no Tibete.
O presidente Donald Trump diz que cerca de 50 a 60 americanos podem estar entre os desaparecidos e que os Estados Unidos estão mandando ajuda. Só que o acesso à região continua muito difícil. Em alguns lugares, o nível do rio subiu 200 m.
As autoridades estimam que 250 mil nepaleses estejam isolados. Lá no Nepal, a maioria dos resgates é feita com helicópteros, que voam sem parar para retirar as pessoas. Para se ter uma ideia, hoje até o meio da tarde, as equipes tinham transportado 500 moradores.
Militares conseguiram salvar 350 pessoas que estavam presas nesse túnel em uma usina hidrelétrica. Eram moradores e funcionários do local que conseguiram se abrigar, mas ficaram presos com a avalanche. Diversas regiões continuam sem luz e sem sinal de celular", conta o correspondente Felippe Coaglio.
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