Sob protestos de músicos, Câmara de Valinhos aprova fim do financiamento da Jazz Sinfônica A Câmara de Valinhos (SP) aprovou, na noite de terça-feira (27), um projeto de lei que encerra o atual modelo de financiamento municipal da Orquestra Jazz Sinfônica. A segunda votação ocorreu sob protestos dos músicos, e o texto foi aprovado por 11 votos a dois. De autoria do prefeito Franklin (PL), a proposta revoga as leis que instituíram o Corpo Musical do Município e regulamentaram a remuneração de seus integrantes.
Segundo a prefeitura, a manutenção da orquestra, formada por 32 profissionais, custa mais de R$ 600 mil por ano e compromete cerca de um terço do orçamento da Secretaria de Cultura e Turismo previsto para 2027. Os músicos contestam a decisão e afirmam que não foram consultados antes de o projeto ser enviado à Câmara. Segundo o baixista Andrés Zúñiga, os integrantes souberam da proposta em 20 de outubro, quando já estava prevista a primeira votação.
"Foi algo feito repentinamente, sem nenhuma conversa conosco. [...] A gente não teve nenhum comunicado disso, na verdade, por parte da Prefeitura ou Secretaria de Cultura", afirmou. A decisão ameaça a continuidade do grupo nos moldes atuais e pode representar uma perda de renda para os profissionais.
Os músicos recebem cerca de R$ 1,4 mil mensais como ajuda de custo, valor que, segundo Zúñiga, complementa os ganhos obtidos com outros trabalhos. Protestos e reação dos músicos Músicos da Orquestra Jazz Sinfônica de Valinhos (SP) protestaram em sessão que terminou com fim do financiamento do projeto Reprodução/Instagram Após a primeira votação, em 20 de outubro, os integrantes se mobilizaram para tentar impedir a aprovação definitiva da proposta.
A campanha recebeu apoio de outras orquestras, profissionais da música e moradores da cidade. Na sessão desta terça-feira, manifestantes levaram cartazes à Câmara e fizeram apresentações musicais durante o intervalo dos trabalhos. Após a aprovação, uma carta aberta publicada nas redes sociais da Jazz Sinfônica classificou o resultado como uma derrota e criticou a postura dos vereadores.
Os músicos afirmaram que foram alvo de zombarias e prometeram manter a mobilização. "Somos artistas e por necessidade somos reivindicadores, não porque somos radicais, mas porque necessitamos ser para manter o pouco de direito conquistado." O Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo (SindMUSSP) também divulgou uma nota de repúdio e pediu alternativas para preservar o grupo.
"Uma orquestra é muito mais do que música: é patrimônio cultural, formação artística, oportunidade de trabalho e acesso democrático à arte." A Associação dos Músicos da Orquestra Brasil Jazz Sinfônica se manifestou no mesmo sentido e destacou a contribuição do conjunto para a educação musical, a formação de público, a valorização dos profissionais e a economia criativa.
Músicos questionam falta de apresentações Jazz Sinfônica Dominique Torquato Na justificativa enviada à Câmara, a prefeitura afirma que a manutenção da Jazz Sinfônica se tornou "incompatível" com o orçamento municipal. O Executivo estima que o grupo custaria R$ 624,5 mil em 2027, equivalente a 33,59% dos R$ 1,85 milhão previstos para a Secretaria de Cultura e Turismo. O cálculo considera a remuneração de um maestro, um spalla — músico que lidera os instrumentistas — e até outros 30 integrantes.
Um levantamento municipal também apresentou os seguintes argumentos: Poucas apresentações: foram registradas 13 atividades em 2025 e duas apresentações até setembro de 2026. Custos de estrutura: a necessidade de palco, sonorização e camarim dificultaria apresentações em praças e bairros sem despesas adicionais. Falta de integração: o Executivo afirma não ter encontrado registros de participação de alunos ou ex-alunos do Centro Cultural Vicente Musselli na orquestra.
Impacto turístico: a administração não identificou aumento mensurável no fluxo de visitantes relacionado ao grupo. Os integrantes, porém, atribuem à própria prefeitura a responsabilidade pela agenda reduzida. Segundo Zúñiga, a orquestra não é um conjunto independente que recebe subsídios municipais, mas um corpo musical criado e administrado pelo Executivo, com integrantes selecionados por processo público.
"O secretário de Cultura deveria estar fazendo o trabalho dele de agendar concertos para a orquestra, de fazer um novo processo seletivo para maestro, porque estamos sem maestro desde março", defendeu. O baixista relatou que os músicos conseguiram uma reunião com o secretário de Cultura no início de julho, quando cobraram a escolha de um novo maestro. Segundo ele, o secretário informou que havia criado uma comissão para tratar do assunto, mas não deu novas respostas às tentativas de contato.
Em nota, a prefeitura reconheceu a importância artística da Jazz Sinfônica, mas afirmou que o atual modelo de financiamento se tornou inviável diante das limitações orçamentárias. A administração destacou que ampliou de 800 para 2.700 o número de vagas gratuitas em cursos de artes, música, teatro e dança no Centro Cultural Vicente Musselli. Segundo o Executivo, a prioridade é descentralizar as atividades e ampliar o acesso à cultura, especialmente para crianças e adolescentes.
A mudança também estaria alinhada ao Plano Municipal de Cultura 2026–2036, aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais. O que acontece com a Jazz Sinfônica? Jazz Sinfônica de Valinhos (SP) Reprodução/Prefeitura de Valinhos O projeto revoga as leis que sustentam a orquestra como corpo musical do município.
A prefeitura afirma que os integrantes poderão continuar atuando por meio de patrocínios, leis de incentivo e contratações para apresentações. Entre as alternativas citadas pelo Executivo estão o Programa de Ação Cultural (ProAC) e a Política Nacional Aldir Blanc. Os músicos, porém, afirmam que essa transição não é imediata.
Segundo Zúñiga, como a Jazz Sinfônica pertence à prefeitura, seria necessário criar uma associação com CNPJ para buscar financiamento de forma independente. "A orquestra não existe individualmente, independentemente. Então teria que ser criada a orquestra novamente, com o CNPJ, para conseguir esse tipo de coisa", explicou.
O baixista estima que a obtenção de recursos por leis de incentivo poderia levar até dois anos, considerando os prazos de inscrição e seleção dos projetos. Enquanto isso, os 32 integrantes poderão perder a ajuda de custo mensal de aproximadamente R$ 1,4 mil, recebida pela participação nos ensaios e apresentações. Zúñiga afirma que todos os profissionais possuem outras fontes de renda, mas que o valor representa um complemento importante, especialmente pela regularidade do pagamento.
"Ninguém vive da orquestra, não tinha como. [...] A parte financeira da gente fica bem prejudicada, porque é um montante considerável que a gente vai deixar de receber." Segundo ele, a perda ocorre em um período particularmente difícil para os músicos, que costumam aproveitar a maior oferta de trabalhos no fim do ano para compensar a redução de atividades nos primeiros meses do ano seguinte. Como votaram os vereadores?
O projeto passou por duas votações. Na primeira, em 20 de outubro, recebeu 15 votos favoráveis e dois contrários. Na segunda, realizada uma semana depois, foi aprovado por 11 a dois.
A vereadora Simone Bellini (União Brasil) mudou de posição. Ela votou a favor na primeira discussão e contra na votação definitiva. Durante a sessão, o vereador Rafa Marques (PL), que votou a favor da proposta, fez uma declaração associando os músicos a eleitores do presidente Lula (PT).
"A partir do que nós estamos vendo aqui, presidente, eu espero que o 'painho' Lula prepare pelo menos um auxílio para eles, né? Porque já que é o governo que eles votaram, é o que eles merecem", disse. A fala repercutiu negativamente entre os integrantes da Jazz Sinfônica, que compartilharam o vídeo da declaração nas redes sociais da orquestra e criticaram a postura do parlamentar.
"Músicos lutando para levarem música de qualidade para população, e sem nenhum pingo de respeito, esse vereador zomba dos músicos", escreveu o perfil da orquestra.
Veja como os vereadores votaram na segunda sessão: A favor (11) Alexandre Japa (PRD) Edinho Garcia (PRD) Edson Secafim (PL) Fábio Damasceno (Republicanos) Henrique Conti (Republicanos) Jairo Passos (PL) Kiko Beloni (Cidadania) Rafa Marques (PL) Rodrigo Fagnani Popó (Republicanos) Vagner Alves (Republicanos) Veiga (PSD) Contra (2) Alécio Cau (PSB) Simone Bellini (União Brasil) Gabriel Bueno (União Brasil), Marcelo Yoshida (PT), Mônica Morandi (PSDB), Roberson Salame (PSD) e Thiago Samasso (PSD) não tiveram votos registrados na segunda votação.
O presidente da Câmara, Israel Scupenaro (PL), também não registrou voto. A proposta segue para sanção do prefeito e deve entrar em vigor na data de publicação. O que dizem os citados Prefeitura de Valinhos "A Prefeitura de Valinhos esclarece que a manutenção da Jazz Sinfônica representa atualmente um investimento anual de mais de R$ 600 mil para 32 músicos, o que equivale a um terço do orçamento da Secretaria de Cultura e Turismo previsto para 2027.
Embora reconheça a importância artística e cultural da orquestra, a Prefeitura de Valinhos precisa conciliar esse investimento com as demais demandas culturais da cidade. Diante das limitações orçamentárias e da necessidade de ampliar o acesso da população à cultura, a manutenção do atual modelo de financiamento tornou-se inviável.
A atual gestão entende a cultura como uma importante ferramenta de transformação social e tem como prioridade ampliar seu acesso, levando atividades culturais aos bairros e criando oportunidades, especialmente para crianças e adolescentes. As aulas gratuitas de artes, música, teatro e dança oferecidas no Centro Cultural Vicente Musselli, além de desenvolver talentos, contribuem para a inclusão social e para afastar crianças e adolescentes de situações de vulnerabilidade.
Com essa visão, a atual gestão ampliou de 800 para 2.700 o número de vagas e pretende aumentar essa oferta a cada ano. A Jazz Sinfônica pode e deve continuar seu trabalho, por meio de alternativas como projetos financiados pelo ProAC, Política Nacional Aldir Blanc, entre outras leis de incentivo, além da possibilidade de contratação e remuneração por apresentações, conforme a Lei Federal nº 14.903/2024, por meio dos procedimentos legais aplicáveis.
O Plano Municipal de Cultura 2026–2036, amplamente debatido e aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais, estabelece justamente a ampliação e a descentralização das atividades culturais. Importante ressaltar ainda que o Plano não contempla os R$ 600 mil atualmente destinados à Jazz Sinfônica.
O desafio da administração municipal é utilizar os recursos públicos com responsabilidade, garantindo que a cultura alcance cada vez mais pessoas." Orquestra Jazz Sinfônica "Hoje tivemos uma derrota, mas lembrem-se a perseguição fortalece os perseguidos, a perseguição os torna fortes, foi assim com a Orquestra de Campinas, foi assim com a Jazz Brasil, assim foi com a igreja de Pedro, foram perseguidos, calados, humilhados, mortos mas aquela igreja só cresceu. Foi assim em diversas histórias da humanidade.
Somos artistas, músicos, cheio de sentimentos, de Verdade, de história, não somos vazios e desprezíveis como esses vereadores que vimos hoje, vereadores que zombaram de nós, fizeram piadas, riram. Mas lembro a todos vocês, a soberba, o orgulho, a prepotência precede a queda. Eles passarão, perderão os cargos, serão esquecidos, mas nós não!
Nós ainda somos músicos, artistas, que tocam a alma das pessoas, emocionam as pessoas, trazemos vida as pessoas! Foi lindo ver a gente tocar hoje, tenho certeza que aquele voto virado da vereadora representa muita coisa. Não nos esqueçamos, sempre foi com muita luta que algum direito por mais pequeno que seja foi conquistado, custou em muitos momentos até vida de pessoas.
Somos artistas e por necessidade somos reivindicadores, não por que somos radicais, mas por que necessitamos ser para manter o pouco de direito conquistado. Está sendo bonito ver o movimento da Orquestra na mobilização, assim como em uma orquestra, cada um com sua habilidade, uns na escrita, outros na conversa, outros nos vídeos estão contribuindo para escrever uma importante fase da música no Brasil Vamos continuar! Temos ações para tomar daqui pra frente, descansem!
Mas tá mais do que provado que isso pode ser só o começo!!" Associação dos Músicos da Orquestra Brasil Jazz Sinfônica "A Associação dos Músicos da Orquestra Brasil Jazz Sinfônica manifesta seu apoio à manutenção da Orquestra Jazz Sinfônica de Valinhos, reconhecendo seu papel fundamental no desenvolvimento cultural, artístico, educacional e social do município.
Uma orquestra é muito mais do que um conjunto de músicos: é um patrimônio cultural, um espaço de formação, geração de empregos e democratização do acesso à arte. Sua atuação contribui para a educação musical, a formação de público, a valorização dos profissionais e o fortalecimento da identidade cultural da cidade. Ao unir a tradição sinfônica à música popular, a Orquestra Jazz Sinfônica amplia horizontes, aproxima diferentes gerações e oferece à população experiências artísticas de qualidade.
Sua presença também movimenta a economia criativa e fortalece a representatividade cultural de Valinhos na região." Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo (SindMUSSP) "O Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo – SINDMUSSP manifesta seu repúdio à aprovação do Projeto de Lei nº 237/2026, de iniciativa do Poder Executivo de Valinhos, que revoga as Leis nº 5.525/2017 e nº 6.476/2023, relacionadas à instituição do Corpo Musical do Município.
Manifestamos nossa preocupação com os impactos dessa medida sobre a continuidade da Jazz Sinfônica de Valinhos, os postos de trabalho dos músicos e o acesso da população à cultura. Uma orquestra é muito mais do que música: é patrimônio cultural, formação artística, oportunidade de trabalho e acesso democrático à arte. Seu enfraquecimento representa uma perda para os músicos, para a comunidade e para as futuras gerações.
Apelamos ao prefeito Franklin Duarte de Lima e aos VEREADORES de Valinhos para que busquem alternativas que garantam a preservação e a continuidade da orquestra, com transparência, diálogo com os profissionais envolvidos e respeito à população. A cultura deve ser valorizada e fortalecida, não colocada em risco. Defender a Jazz Sinfônica é defender os músicos trabalhadores e suas famílias, a arte e o direito de todos à cultura.
NÃO À EXTINÇÃO DA JAZZ SINFÔNICA DE VALINHOS! PELA VALORIZAÇÃO DOS MÚSICOS E PELA PRESERVAÇÃO DA CULTURA!" VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas



