João de Deus e centro espírita são condenados em GO A Justiça determinou o bloqueio de uma fazenda avaliada em R$ 41 milhões para garantir que João de Deus e a Casa Dom Inácio de Loyola paguem a indenização de R$ 20 milhões. O valor é referente a danos morais coletivos decorrentes de abusos sexuais cometidos dentro do centro espírita, em Abadiânia.
Em nota enviada nesta terça-feira (8), a defesa de João de Deus, representada por Anderson Vangualberto, informou que os autos não refletem a realidade dos fatos e que vai recorrer da decisão. Ainda disse que a decisão desconsidera o conjunto de provas e absolvições obtidas ao longo de oito anos, além de impor uma condenação desproporcional (leia nota completa ao fim do texto).
🔎 Condenação solidária, quando determinada pela Justiça, significa que tanto João de Deus quanto o Centro Espírita respondem pela totalidade da dívida de R$ 20 milhões, sem divisão prévia de quotas.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp João de Deus, em Aparecida de Goiânia, Goiás Renata Costa/TV Anhanguera De acordo com a sentença, o valor que deve ser pago será destinado preferencialmente ao município onde os crimes aconteceram, com aplicação em políticas de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra mulheres. Além disso, a fazenda também serve como garantia para que as pessoas que comprovarem ter sofrido abuso durante os atendimentos espirituais sejam indenizadas individualmente.
Não há descrição dos valores das condenações individuais na sentença. No documento, consta que a propriedade bloqueada fica em Anápolis, a cerca de 55 km de Goiânia, e foi indicada pelo próprio João de Deus como garantia da medida. Diante disso, o Juízo determinou a indisponibilidade exclusiva da Fazenda Agropastoril Dom Inácio.
"Confirmo a tutela cautelar e mantenho a indisponibilidade da Fazenda Agropastoril Dom Inácio limitada ao valor total da condenação, compreendidos o dano moral coletivo com seus consectários e os créditos individuais definitivamente liquidados", disse o juiz. Alegação da defesa André Luiz Figueiredo Ligório, juiz que assinou a sentença, rejeitou a alegação da defesa de que os abusos não teriam vínculo com a instituição.
Na sentença, o magistrado entendeu que João de Deus e a Casa Dom Inácio de Loyola se confundiam tanto na existência quando na imagem pública. Disse ainda que o líder religioso usava a credibilidade e a estrutura da Casa para cometer os crimes sob pretexto de atendimentos espirituais. Em fotografia de 2012, mulher é atendida pelo médium João de Deus em um espaço público da Casa de Dom Inácio de Loyola Getty Images "Não se trata de mera coincidência, tampouco de se considerar que a Instituição também fora vítima.
Em verdade, a própria estrutura institucional forneceu a logística física, humana e de legitimação social sem a qual as agressões não teriam ocorrido com a reiteração e a segurança que os autos revelam", trecho da sentença. LEIA TAMBÉM: ENTENDA: João de Deus e centro espírita são condenados a pagar R$ 20 milhões de indenização por danos morais coletivos Abadiânia após João de Deus: como está cidade que vivia de turismo religioso após denúncias de crimes sexuais O que aconteceu com João de Deus?
Caso João de Deus João de Deus: de líder religioso cultuado a condenado a mais de 60 anos por crimes sexuais João Teixeira de Faria, de 83 anos, conhecido como João de Deus, é um líder religioso que ficou conhecido por realizar cirurgias espirituais em milhares de pessoas na Casa Dom Inácio de Loyola. As denúncias contra João de Deus ganharam repercussão internacional após o programa Conversa com Bial, da TV Globo, exibir entrevistas com 10 mulheres que relataram abusos cometidos pelo líder religioso.
João de Deus respondeu por 18 denúncias, sendo 16 delas sobre crimes sexuais, com mais de 200 mulheres que formalizaram depoimentos, segundo Luciano Meireles, promotor de Justiça que coordenou uma força-tarefa sobre o caso no Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Hoje, as condenações contra João de Deus somam quase 215 anos de prisão, segundo levantamento feito pelo g1 junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).
Desde 2021, ele está em regime domiciliar, em Anápolis, em razão da idade avançada e por problemas de saúde crônicos, conforme alegou a defesa. Nota da defesa de João de Deus A defesa de João Teixeira de Faria informa que ira recorrer da sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública n° 5611811-61.2018.8.09.0001, em trâmite na Comarca de Abadiânia/GO.
A decisão não reflete a realidade dos fatos, realidade esta que foi desconstruída pelas inúmeras absolvições proferidas ao longo destes oito anos, bem como pelo conjunto de provas apresentado nos autos e sobretudo pela desproporção alarmante da condenação. Continuamos acreditando na Justiça. Recorremos às instâncias superiores com a convicção de que a decisão será revista, pois os autos demonstram a improcedência do que foi alegado.
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