Flávio Roscoe (PL) em entrevista ao MG1 TV Globo/ Reprodução O candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, disse nesta segunda-feira (14), em entrevista ao MG1, que pretende derrubar normas para reduzir a burocracia no estado e alavancar a economia. Ele também propôs a implantação de creches regionais e o transporte escolar de bebês. O candidato ainda fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu o voto impresso.
Roscoe é o primeiro a participar da série de entrevistas do MG1, que seguirá até o próximo sábado (19). A Globo convidou os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro. Dívida pública Roscoe afirmou que o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) foi um "mal necessário" e que pretende renegociar o programa.
Ele disse que a dívida deve ser paga com o crescimento da atividade econômica. O candidato falou que pretende emitir decretos para cancelar cerca de mil normas e burocracias que "não são eficientes". "Nós temos que dinamizar a atividade econômica.
É a única solução. E como é que nós vamos fazer isso? Tirar a burocracia de cima do cidadão mineiro", afirmou.
Combate à corrupção Flávio Roscoe afirmou que, se for eleito, pretende adotar critérios objetivos para a tomada de decisões na gestão pública. Segundo ele, a subjetividade é o que gera corrupção. "Quando se torna todos os critérios de decisão do gestor público objetivos, você impede a interpretação e, como o critério é objetivo, você fecha a porta da corrupção", afirmou.
Ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master envolvendo políticos e membros do Poder Judiciário, Roscoe destacou que sempre esteve do "lado certo", "apontando os problemas e não encobrindo os problemas". Disputa eleitoral Questionado sobre a declaração de Flávio Bolsonaro de que o PL teria esperado "até o último minuto do último dia" por Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe negou que sua candidatura seja uma alternativa de última hora ou um "plano B".
O candidato afirmou ter se filiado no início de abril e declarou que seu nome já figurava como o preferido para disputar o governo de Minas. "Na verdade, no jogo político você tem as alianças. Isso é natural do jogo político, as alianças podem a todo momento mudar o jogo político.
Isso acontece efetivamente e pode se trocar alguns atores ou fazer alianças e uniões. [...] Eu sempre fui o plano A", afirmou. Ao abordar a falta de histórico na gestão pública direta para enfrentar os problemas do estado, Roscoe argumentou que seus oito anos à frente do Sistema Sesi/Senai possuem dinâmica equivalente à administração estadual.
Ele destacou que a entidade é fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e citou o reequilíbrio das contas como exemplo de gestão. Roscoe afirmou ainda que, se eleito, governará para toda a população. Ele defendeu que os investimentos industriais dependem diretamente da qualidade dos serviços públicos prestados à sociedade, como segurança, saúde e educação.
"Se a sociedade vai mal, a indústria desse lugar vai mal. Você tem problema de segurança pública, vai afetar a indústria. Você tem problema de saúde dos funcionários, vai afetar a indústria", ressaltou o candidato.
Educação Questionado sobre a viabilidade e a segurança da proposta prevista em seu plano de governo de criar creches regionais e de oferecer transporte escolar para bebês, o candidato afirmou ser uma alternativa viável e mais econômica. Flávio Roscoe disse que a medida dá aos pais uma opção onde hoje há ausência de atendimento. "É melhor do que não ter a creche, né?
Que é o que acontece hoje. É opcional, ninguém é obrigado a colocar a criança lá. Então, ele [o pai ou a mãe da criança] vai exercer a opção.
Ele pode ficar tomando conta ou colocar", afirmou. Roscoe criticou o modelo educacional atual, destacando que as instituições de ensino estaduais continuam analógicas diante de uma geração de alunos nativos digitais. Segundo o candidato, essa desconexão faz com que os estudantes passem anos na escola aprendendo muito pouco, o que exige tornar o ambiente escolar mais atrativo e atualizado tecnologicamente.
"As crianças estão nascendo hoje em escolas que estão na época do meu avô. As escolas têm que ser mais atrativas para eles. Boa parte delas está defasada no âmbito tecnológico", completou.
Roscoe defendeu a aplicação de ganhos de escala e qualidade na gestão para otimizar os recursos finitos do estado. Além disso, ressaltou que a valorização do funcionalismo público é condição fundamental para a melhoria dos serviços prestados à população "Toda vez que você gasta mal o recurso, alguém vai ficar sem e é o que acontece. O que nós vamos fazer é gestão, ser gestor e cuidar bem do dinheiro público", ressaltou Roscoe.
Segurança pública Flávio Roscoe defendeu o investimento em inteligência e tecnologia na segurança pública. O candidato defendeu instalar 200 mil câmeras com reconhecimento facial nos principais pontos de Minas Gerais para restringir a circulação de pessoas com mandados de prisão em aberto.
Ao ser questionado sobre os altos índices de feminicídio no estado — que ocupa a segunda posição nacional, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública — e a suficiência de 70 delegacias especializadas para 853 municípios, Roscoe argumentou que o combate à violência contra a mulher exige uma abordagem preventiva focada na educação.
O candidato afirmou que o governo atuará com medidas imediatas e de contenção da violência geral, mas defendeu que a transformação sustentável depende da formação educacional dos jovens. "Nós vamos fazer o paliativo, que são ações imediatas de combate a violência e vamos multiplicar os recursos do Estado com tecnologia, mas é preciso que esse combate comece ainda na educação de meninos, de maneira adequada para daqui a 15 anos você ter resultados consistentes", completou o candidato.
Voto impresso Questionado se confia nas urnas eletrônicas após sua candidata a vice, Ellen Miziara (PL), publicar questionamentos ao sistema sem apresentar provas nas eleições de 2022, Flávio Roscoe posicionou-se a favor do voto impresso, afirmando que a impressão da cédula acabaria com suspeitas sobre a fidedignidade da votação. Ele citou ataques cibernéticos sofridos por órgãos públicos como argumento para a implementação do mecanismo. "Eu não sou técnico de informática, né?
Sou empresário. Porque se não tem problema nenhum, qual é o problema de conferir?", questionou. Indagado sobre se a defesa do comprovante impresso abriria margem para contestar o resultado eleitoral, Roscoe negou que esteja questionando a apuração.
O candidato sustentou que a contagem física das cédulas traria segurança absoluta para evitar controvérsias após o término da votação, além de defender a liberdade de manifestação sobre o tema. Vídeos mais vistos no g1 Minas:



