Piloto de balão que caiu em SC e matou 8 pessoas é denunciado por homicídio culposo Um maçarico sem trava de segurança e válvulas de gás parcialmente abertas estão entre as negligências apontadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na investigação sobre a queda de um balão que matou oito pessoas em junho de 2025. O piloto do balão foi denunciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e lesão corporal culposa, divulgou o órgão na segunda-feira (26).
O acidente aconteceu em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O g1 procurou a defesa do piloto, Elves de Bem Crescêncio, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. O caso está em segredo de Justiça.
Na denúncia, o promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal também pede a condenação do piloto ao pagamento de danos morais para as 12 vítimas sobreviventes e para os sucessores de cada uma das vítimas fatais. Em quais momentos o piloto foi negligente, conforme a investigação? ➡️ Confira abaixo os momentos em que o piloto foi negligente, de acordo com o MP.
Não forneceu informações claras aos passageiros Manteve maçarico sem trava de segurança no cesto do balão Deixou de fazer checagens antes da decolagem Demorou a fazer a manobra de pouso forçado Soltou a fita que controlava a abertura do balão Deixou de fechar válvulas dos cilindros de gás 1. Não forneceu informações claras aos passageiros O piloto deixou de fornecer aos passageiros informações claras, adequadas e suficientes acerca da natureza e dos riscos inerentes à atividade.
Não informou, por exemplo, que o voo seria realizado sob a disciplina do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil n. 103, constituindo atividade aerodesportiva de alto risco. Também não esclareceu que o operador e o balão não tinham qualificação técnica emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e nem, consequentemente, de garantia de segurança conferida por aquela autoridade aeronáutica.
Além disso, a operação de balonismo era comercializada como voo de instrução, quando, na verdade, nada era ensinado. Era apenas um passeio turístico. 2.
Manteve maçarico sem trava de segurança no cesto do balão O piloto manteve, dentro do cesto do balão, um maçarico acoplado a um frasco de gás MAPP (um gás combustível) para a produção de chama de alta temperatura. Neste caso, os problemas eram os seguintes: o equipamento era diverso daquele fornecido pelo fabricante; o equipamento permanecia aceso sem atuação humana contínua; o maçarico não possuía trava de segurança; exigia o fechamento manual da válvula para interromper o fluxo de gás.
O maçarico estava em uma mala de bordo. Porém, ele caiu no cesto e o botão de acionamento foi ligado. As chamas atingiram a capa que cobria um dos cilindros de gás propano, usado para acionar os queimadores do balão.
Isso provocou o incêndio. 3. Deixou de fazer checagens antes da decolagem Contrariando o checklist operacional da própria empresa e as orientações do manual de formação de pilotos de balão, o homem deixou de fazer a conferência adequada dos itens e dos ignitores auxiliares mantidos dentro do cesto antes do início do voo.
Desse modo, o piloto deixou de constatar que a válvula reguladora de gás do maçarico se encontrava aberta em aproximadamente três quartos de volta e não se certificou de seu completo fechamento, nem da efetiva interrupção do fluxo de gás. Com isso, o maçarico acoplado ao frasco de gás foi levado no cesto sem eliminar previamente o risco da presença de fonte adicional de gás inflamável e de ignição no ambiente do balão. 4.
Demorou a fazer a manobra de pouso forçado Com o incêndio no cesto, o piloto precisava fazer uma manobra de pouso forçado. Conforme o MP, ele demorou nessa ação. 5.
Soltou a fita que controlava a abertura do balão Após a manobra de pouso forçado, o cesto tocou o solo e o piloto conseguiu sair. Porém, soltou a fita que permitia controlar a abertura superior. O fechamento impediria o bolão de voltar a subir.
Contudo, como ele largou a fita, a aeronave subiu rapidamente de forma desgovernada, ainda em chamas e com oito pessoas a bordo. Desses oito ocupantes, quatro saltaram do cesto, mas morreram em razão da queda. Os demais morreram carbonizados.
Os demais passageiros conseguiram sair do balão por conta própria ou foram arremessados para fora durante o impacto. Três deles ficaram feridos. 6.
Deixou de fechar válvulas dos cilindros de gás Após o início do incêndio, o piloto deixou de fechar todas as válvulas e linhas dos cilindros de propano. Piloto de balão que caiu em SC e matou 8 pessoas é denunciado por homicídio e lesão corporal Redes Sociais/Reprodução O que levou à denúncia? A decisão do MP foi tomada após a análise de laudos periciais, depoimentos de mais de 20 pessoas e diligências complementares solicitadas à Polícia Científica.
A Polícia Civil concluiu o inquérito em outubro de 2025, sem indiciar ninguém. No mês seguinte, a Promotoria de Justiça de Santa Rosa do Sul solicitou novas diligências, com 16 quesitos a serem esclarecidos pela perícia. O laudo complementar foi concluído em 22 de setembro de 2026.
O que acontece agora? A denúncia será analisada pela Justiça, que decidirá se a recebe. Caso isso aconteça, o piloto passará à condição de réu e será citado para apresentar defesa.
Na sequência, o juiz avaliará a resposta à acusação e, se o processo prosseguir, será marcada uma audiência para ouvir testemunhas e interrogar o acusado. O processo, que tramita em sigilo, seguirá até o julgamento. Após a tragédia, a Anac editou a Resolução nº 782/2025, que estabeleceu regras transitórias para a exploração de serviços aéreos com balões.
A vigência prevista para essa regulamentação vai até 31 de dezembro de 2026, quando deve entrar em vigor o regulamento definitivo para o setor. Quem eram as vítimas? Da esquerda para a direita: Leane Elizabeth Herrmann, Leise Herrmann Parizotto, Leandro Luzzi, Fabio Luiz Izycki, Juliane Jacinta Sawicki, Everaldo da Rocha, Janaina Moreira Soares da Rocha e Andrei Gabriel de Melo Reprodução Outras oito vítimas não sobreviveram e morreram no acidente.
Veja abaixo quem são: Leandro Luzzi (33 anos): era patinador artístico e dava aulas em Brusque, no Vale do Itajaí. Leane Elizabeth Herrmann (70 anos): moradora de Blumenau, estava no passeio de balão com a filha Leise Herrmann Parizotto. Leise Herrmann Parizotto: médica e servidora pública de Blumenau, no Vale do Itajaí.
Estava no passeio com a mãe Leane Elizabeth Herrmann. Janaina Moreira Soares da Rocha (46 anos) e Everaldo da Rocha (53 anos): Casal de Joinville, no Norte do estado, que estava a passeio na cidade. Fabio Luiz Izycki (42 anos) e Juliane Jacinta Sawicki (36 anos): Fabio era primo de 2º grau do prefeito de Barão de Cotegipe (RS) e trabalhava em uma agência do Banco do Brasil.
Juliane era engenheira agrônoma e sócia de uma empresa de assessoria rural. Andrei Gabriel de Melo: era oftalmologista e atuava em Fraiburgo, Oeste catarinense. Raio-X do balão que pegou fogo com 21 pessoas em Praia Grande (SC) g1 VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias



