Anti-cio ou castração: veterinário explica riscos dos anticoncepcionais hormonais Uma injeção para evitar o cio pode parecer uma solução simples e econômica para quem tem uma cadela ou gata. Mas o preço da aplicação não é o único fator a considerar quando o assunto é a prevenção de uma gestação indesejada. O uso de anticoncepcionais hormonais pode trazer riscos à saúde dos animais e, em caso de complicações, exigir tratamentos complexos.

📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Segundo o médico-veterinário Caio Pain da Silva, de Dracena (SP), os anticoncepcionais hormonais interferem no funcionamento do sistema responsável pela regulação reprodutiva. “São fármacos que interferem no eixo hipotálamo-hipófise-gônadas, responsável por regular a secreção hormonal e a atividade reprodutiva. Na medicina veterinária, o mais utilizado é a progesterona sintética”, explica.

De forma simplificada, esses medicamentos atuam sobre a regulação hormonal para dificultar a progressão e a manifestação do cio. No entanto, a exposição aos hormônios pode provocar efeitos adversos, e os riscos variam conforme o medicamento, a dose, o momento da aplicação e as características de cada animal.

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Entre as possíveis complicações associadas ao uso de anticoncepcionais hormonais estão a hiperplasia endometrial cística, a piometra, as alterações mamárias, a resistência à insulina, o diabetes mellitus e a obesidade. A piometra é uma infecção uterina que pode se tornar grave e colocar a vida da fêmea em risco. De acordo com Caio, os hormônios podem favorecer alterações no útero que criam condições propícias para o desenvolvimento de infecções bacterianas.

“Os progestágenos podem aumentar o risco de piometra porque promovem efeitos semelhantes aos da progesterona, que favorecem a secreção do endométrio, reduzem a capacidade de contração e drenagem do útero e comprometem parte das defesas locais, criando condições propícias para infecções bacterianas ascendentes”, afirma. O veterinário ressalta que os riscos não dependem exclusivamente da quantidade de aplicações.

Uma dose isolada também pode representar perigo, dependendo das condições do animal e da fase do ciclo reprodutivo em que o medicamento é administrado: “Portanto, uso ocasional não é sinônimo de uso seguro”, alerta. Outro ponto de atenção são as alterações mamárias, que podem ser benignas ou malignas. Segundo o especialista, a relação com o uso de hormônios depende de fatores como idade, princípio ativo, dose, frequência de utilização e predisposição individual.

O veterinário ainda destaca que não existe uma quantidade de aplicações que possa ser considerada universalmente segura para todos os animais. Veterinário de Dracena (SP) explica riscos dos anticoncepcionais hormonais para cães e gatos Caio Pain/Arquivo Pessoal Como identificar sinais de alerta? Os tutores devem ficar atentos a mudanças no comportamento e na condição física das fêmeas que receberam anticoncepcionais hormonais.

Entre os sinais que podem indicar piometra estão: Apatia, fraqueza ou falta de apetite; Vômitos; Aumento da ingestão de água e do volume de urina; Secreção vaginal, que nem sempre está presente; Aumento do volume abdominal ou dor ao toque; Febre. Já as alterações mamárias podem ser percebidas pelo aumento rápido das mamas, presença de nódulos endurecidos, calor, dor, vermelhidão, feridas ou escurecimento da pele na região.

“Diante de qualquer um desses sinais, a avaliação veterinária deve ser imediata”, orienta Caio. O especialista também recomenda que os tutores informem ao médico-veterinário se o animal recebeu ou costuma receber esse tipo de medicamento, mesmo quando a aplicação tiver ocorrido há algum tempo. Castração é sempre a melhor opção?

A castração é uma alternativa para evitar a reprodução e pode prevenir determinadas doenças, mas a indicação e o momento da cirurgia devem ser avaliados individualmente. Nas fêmeas, a remoção adequada do útero elimina o risco de piometra uterina. O procedimento também pode reduzir o risco de tumores mamários, especialmente quando realizado mais cedo.

Segundo Caio, esse benefício é mais bem estabelecido em gatas, enquanto, nas cadelas, ainda há discussões sobre a dimensão dessa proteção e a idade ideal para a cirurgia. O veterinário destaca que não existe uma idade única indicada para todos os animais. Em cães de porte grande e gigante, por exemplo, a castração muito precoce pode estar associada a problemas ortopédicos, porque os hormônios sexuais também participam do desenvolvimento dos ossos.

Por isso, fatores como espécie, raça, porte, idade e estado de saúde devem ser considerados antes da decisão. “A castração é indicada em muitos casos, mas não existe uma regra que sirva para todos os animais. Essa decisão precisa ser individualizada, levando em consideração fatores como espécie, raça, porte, idade e estado de saúde”, explica.

A avaliação pré-operatória também é importante para identificar doenças preexistentes e planejar a anestesia e a cirurgia de acordo com as condições do paciente. Anti-cio ou castração: qual custa menos? Veterinário de Dracena (SP) explica riscos dos anticoncepcionais hormonais para cães e gatos Caio Pain/Arquivo Pessoal O preço de uma aplicação pode dar a impressão de que o anticoncepcional é a alternativa mais econômica.

Porém, para fazer uma comparação, é necessário considerar a frequência de uso ao longo dos anos e os possíveis custos de tratamento de complicações. “Não compare apenas o preço de hoje. Considere a saúde do seu pet e o custo ao longo dos anos”, orienta Caio.

A castração também envolve custos e riscos cirúrgicos, mas, quando indicada e realizada com planejamento, pode oferecer benefícios reprodutivos e de saúde. A comparação financeira, portanto, não deve considerar apenas o preço imediato de cada método. O veterinário também ressalta que não é possível garantir que uma complicação ocorrerá em todos os animais que recebem anticoncepcionais, assim como a castração não é isenta de riscos.

A decisão deve levar em conta a saúde do paciente e a orientação profissional. A dificuldade financeira e a falta de acesso ao procedimento estão entre os fatores que podem levar tutores a recorrer aos anticoncepcionais hormonais. Para Caio, a orientação deve ser acompanhada de informação acessível e de alternativas para quem não consegue pagar por uma cirurgia particular.

“Por isso, acho importante orientar sem simplesmente julgar o tutor. A informação precisa chegar até as pessoas de uma forma clara e acessível. Também é importante ampliar o acesso a programas de castração, principalmente para famílias que não conseguem pagar por uma cirurgia particular”, afirma.

Entre os caminhos que podem ser procurados estão programas de castração gratuita ou a baixo custo oferecidos por prefeituras, organizações de proteção animal, ONGs, associações e projetos de universidades que tenham atendimento veterinário. Enquanto a castração não pode ser realizada, a principal medida para evitar uma gestação indesejada é impedir o contato entre a fêmea no cio e machos não castrados.

“Quando a castração ainda não pode ser realizada, a principal alternativa segura é o manejo e o controle do ambiente, evitando o contato entre a fêmea no cio e machos não castrados”, explica o veterinário. Por fim, para o veterinário, a discussão sobre anticoncepcionais e castração precisa ir além do preço dos procedimentos. A escolha deve considerar os riscos, os benefícios e as condições específicas de cada animal.

“O mais importante é não tomar decisões baseadas apenas no custo ou em informações que circulam por aí. Procure um médico-veterinário, tire suas dúvidas e escolha, junto com ele, a alternativa mais segura para o seu animal. Cuidar também é prevenir”, conclui.

*Colaborou sob supervisão de Stephanie Fonseca. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM