Marcelle e a filha, Eloah Arquivo pessoal Uma mãe acusa o ex-marido de ter levado a filha de 7 anos para São Paulo sem a autorização dela e de impedir o contato entre as duas. Segundo a mulher, o pai deveria ter devolvido a menina na segunda-feira (12), após passar a véspera do Dia das Crianças com ele, mas não cumpriu o combinado. O caso foi revelado pelo jornal O Globo e é investigado pela Polícia Civil como subtração de incapaz.
O g1 tenta contato com Deluan Santos da Cruz, o pai da criança. Segundo a contadora Marcelle Santos Cruz, de 31 anos, a filha foi entregue no sábado (10) à tia paterna, no bairro Laureano, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para passar o feriado com o pai. Mãe e filha moram em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio.
“(Fui até Duque de Caxias onde) Eu entreguei ela para a tia dela. O combinado é judicial e, nos feriados, os dias são intercalados. Ele deveria ter trazido ela de volta na segunda-feira, mas não trouxe”, contou Marcelle.
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Agora no g1 A contadora afirma que começou a enviar mensagens ao ex-marido para saber a que horas ele devolveria a menina. Segundo Marcelle, inicialmente ele respondeu que ainda não sabia e, depois, deixou de responder. Ela também acusa Deluan de não compartilhar informações sobre a filha por conta de sua religião.
O casal ficou junto por 13 anos, mas está separado há 4 anos. “Eu mandei várias mensagens, novamente, perguntando qual horário ele ia trazer ela. Ele simplesmente ignorou e condicionou a troca de informações sobre ela a questões da minha religião”, afirmou.
De acordo com Marcelle, o ex-marido é evangélico e passou a questioná-la depois que soube que ela frequentava uma religião de matriz africana há cerca de 1 ano. A mãe afirma que ele também fazia comentários ofensivos sobre sua religião. Mãe diz que descobriu viagem pela escola Sem notícias da filha, na terça (13) Marcelle procurou a Escola Municipal Velinda Maurício da Fonseca, em Rocha Miranda, para saber se a menina tinha ido às aulas.
Segundo ela, foi neste momento que descobriu que o pai havia ido à unidade de ensino horas antes e solicitado documentos escolares da criança. Marcelle conta que foi informada pela coordenação de que ele havia dito que levaria a filha para São Paulo e que a menina retornaria no dia 3 de novembro. “Ele nunca me informou isso (sobre qualquer tipo de viagem).
Entrei em desespero porque fiquei sabendo pela escola que ele tinha levado a menina para São Paulo. No momento em que ele foi lá, não me ligaram, não perguntaram se eu autorizava que ela fosse levada”, afirmou. Procurada pelo g1, a Secretaria Municipal de Educação informou que não havia na escola documentos ou decisões judiciais que impedissem qualquer um dos pais de retirar a filha da unidade ou materiais relacionados às atividades pedagógicas.
Já o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) disse que processos que envolvem menores e Vara de Família tramitam em segredo de Justiça. Atualmente, de acordo com Marcelle, o pai da criança mora em São José dos Campos, no interior de São Paulo, mas tem familiares em Duque de Caxias. Por conta disso, Marcelle fez dois registros de ocorrência.
O primeiro foi registrado na 40ª DP (Honório Gurgel), na segunda-feira, depois que a menina não retornou para casa na data prevista no acordo judicial. Segundo o advogado Luiz Mantovani, naquele momento, o caso era tratado como um descumprimento do acordo de convivência. O segundo registro foi feito depois que Marcelle procurou a escola da filha e, segundo ela, descobriu que o ex-marido havia solicitado documentos da criança e informado que a levaria para São Paulo.
O caso foi então levado à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), na Lapa, que investiga o pai por subtração de incapaz. Advogado pede busca e apreensão O advogado de Marcelle afirmou que o caso foi levado à DCAV para que medidas sejam adotadas para tentar localizar e trazer a criança de volta. “Nós já entramos com uma representação na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima pedindo que investigue se ele realmente está em São Paulo.
Também estamos entrando com uma ação de busca e apreensão no Plantão Judiciário”, afirmou Mantovani. Segundo o advogado, a defesa também entrou em contato com autoridades do Rio de Janeiro e São Paulo para que a criança seja localizada. Mantovani classifica como intolerância religiosa a conduta atribuída pela mãe ao ex-marido.
A acusação ainda será apurada pelas autoridades. Histórico de agressões Deluan tem passagens pela polícia por injúria e lesão corporal contra outra ex-companheira, que pediu medidas protetivas contra ele em 2012. Ele também foi indiciado por agredir a enteada e a ex-mulher.
Em 2021, Deluan foi indiciado por tortura contra a filha, que tinha 11 anos na época. Segundo o relato da criança à mãe, o pai a agrediu com golpes de vassoura nos braços e na cabeça. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, onde permanece desde 2022.
A reportagem tenta contato com Deluan e a defesa dele para que possam se manifestar sobre os relatos.



