Eleições 2026: Veja a íntegra da entrevista com a candidata Araceli Lemos A candidata do PSOL ao Governo do Pará, Araceli Lemos, disse nesta terça-feira (15) que pretende romper o contrato de privatização do serviço de abastecimento de água no estado e criar um salário mínimo regional de R$ 2.200 para os trabalhadores celetistas. "O povo do Pará sofre imensamente com a falta de água. E nós, mulheres, principalmente, quando precisamos levar nossas crianças para escola, fazer a higiene, temos muitas dificuldades.

E ainda tem um problema sério: a cobrança do poço artesiano. Entendemos que isso é um desrespeito ao povo do Pará e, portanto, nós vamos romper com este contrato, porque o Pará merece receber água em casa", afirmou. A declaração foi dada ao vivo no Jornal Liberal 1ª Edição.

A entrevista faz parte de uma série de sabatinas realizadas pela TV Liberal com os candidatos ao governo do Pará. O objetivo é apresentar em detalhes as propostas dos concorrentes ao cargo de chefe do Executivo estadual. As entrevistas têm 10 minutos e são realizadas pelo Jornal Liberal 1ª edição, de 14 a 21 de setembro.

A ordem das entrevistas é inversa à pontuação na última pesquisa Quaest. Foram convidados os seguintes candidatos (na ordem de entrevista): Ruth Reis (DEMOCRATA) - segunda-feira, 14 Araceli (PSOL) - terça-feira, 15 Well Macedo (PSTU) - quarta-feira, 16 Gal Leite (UP) - quinta-feira, 17 Hana Ghassan (MDB) - sexta-feira, 18 Dr.

Daniel (PODE) - segunda-feira, 21 Araceli Lemos é a segunda candidata ao governo do Pará entrevistada no JL1 Nicksson Melo/g1 *Reportagem em atualização Veja mais da entrevista: Araceli participou de uma entrevista para apresentar suas propostas para o governo paraense. Durante a sabatina, a candidata abordou temas como saneamento básico, economia, turismo de base comunitária e transporte público.

Ao ser questionada sobre a viabilidade jurídica do cancelamento do contrato de abastecimento de água, que tem prazo de 40 anos, a candidata reforçou que há margem para a rescisão e que a medida será tomada em defesa da população. Outra proposta de destaque apresentada por Araceli Lemos foi a instituição de um salário mínimo regional de R$ 2.200, baseado em cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Segundo a candidata, a medida é viável pela Lei Federal 103/2000 e visa compensar o alto custo de vida no estado. "O nosso governo, o meu governo, vai garantir este salário de R$ 2.2 mil, porque é uma forma mínima de compensar quem mora na Amazônia paraense, de pensar, de viver num estado onde nós temos muitas riquezas, mas as riquezas nem sempre ficam aqui, e fica para nós sempre o custo mais alto.

A gasolina, para você ter uma ideia, aqui em Belém fica em torno de 6 reais, mas você vai em Canaã dos Carajás, é 8 reais e alguma coisa. Isso é inadmissível. O povo do Pará não pode pagar essa conta e, portanto, merece um salário digno, e nós vamos garantir esse salário de 2.200 reais, porque é possível.

Nós vamos enviar à Assembleia Legislativa a criação, a partir de um projeto do executivo, para criar esse salário de 2.200 reais", anunciou. A candidata também defendeu o fortalecimento do turismo de base comunitária no oeste do Pará, integrando comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas por meio da chamada "indústria criativa". Ela propôs elevar o investimento estadual em cultura dos atuais 0,3% para cerca de 3%, além de melhorar o saneamento em Santarém.

"Nós vamos investir algo em torno de 3%, porque nós entendemos que a indústria criativa — o audiovisual, a dança, o nosso folclore, as nossas muitas manifestações, o pássaro, o boi, né, a disputa entre os bois na nossa região — é uma coisa muito forte e merece", explicou.

Questionada sobre a avaliação negativa de 70% da gestão do prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL), apontada em pesquisa Quaest de agosto de 2024, Araceli argumentou que o foco da eleição atual é o governo do estado e defendeu as pautas de seu partido. "Primeiro, nós não estamos discutindo aqui a eleição pro município de Belém e nem fazendo um balanço sobre prefeitos e as suas gestões.

Eu sou candidata ao governo, eu estou fazendo propostas para o governo do Pará e quero convidar os eleitores que me assistem nesse momento, que saibam da importância do PSOL assumir a cadeira do governo do Pará. Porque nós temos as melhores propostas até agora apresentadas", pontuou.

Ao final da entrevista, Araceli Lemos agradeceu o espaço e destacou sua trajetória como professora, mãe, avó e feminista, chamando atenção para o combate ao feminicídio e a melhoria dos índices de desenvolvimento humano (IDH) do estado.

"Existe a candidatura da professora Araceli Lemos, uma mulher feminista, mãe e avó, que está muito preocupada inclusive com o feminicídio que cresce no estado do Pará, que tem propostas para mudar a cara do nosso estado e que está aqui se apresentando a você, meu querido, minha querida, meu povo paraense, para que a gente possa realmente fazer valer a luta do povo do Pará, que é um povo muito trabalhador, muito digno, que vive num estado muito rico, mas que tem uma situação de IDH muito abaixo", concluiu.

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