'A gente não vai desistir dessa luta', diz influenciador após Justiça determinar devolução de capivara Filó ao Ibama Reprodução/Redes Sociais O influenciador digital Agenor Bruce Tupinambá afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça Federal no Amazonas que determinou a devolução da capivara Filó ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em publicação nas redes sociais, ele criticou a medida e disse que continuará lutando para permanecer com o animal.
A decisão foi assinada na terça-feira (13) pela juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária. A magistrada negou o pedido de guarda definitiva feito pelo influenciador e determinou que Filó seja entregue ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Manaus, no prazo de 30 dias após a intimação. "A gente não vai desistir dessa luta, mais uma batalha que a gente vai enfrentar e vamos recorrer com todos os meios legais para lutar pela Filó", disse o influenciador.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Agenor afirmou que sua equipe de advogados já foi acionada para tentar reverter a decisão. Ele também questionou as condições do Cetas no Amazonas para receber a capivara. "Querem levar ela para o Cetas, como vocês já sabem como é o Cetas do Amazonas, não tem nem condições de ter uma capivara lá.
Vão mandar ela para onde? Para um zoológico, para um santuário?", questionou. Capivara Filó é devolvida a influencer do AM após decisão judicial O influenciador também defendeu que a presença de Filó na região onde vive contribuiu para a preservação ambiental e o combate à caça ilegal.
"Depois do caso da Filó, ninguém caça mais. Agora, onde a Filó vive é uma área preservada. A Filó tá aí, ela vive solta", declarou.
Pela decisão, após receber o animal, o Ibama deverá iniciar um programa de reabilitação e reintegração de Filó à natureza, preferencialmente em uma área de proteção ambiental adequada à espécie na Amazônia. Agenor também foi condenado a pagar as custas do processo e os honorários advocatícios da parte vencedora. Entenda o caso O caso começou em abril de 2023, quando o Ibama realizou uma fiscalização na propriedade da família de Agenor, em Autazes, no interior do Amazonas.
Na ocasião, o órgão identificou animais silvestres mantidos em convivência doméstica sem autorização ambiental. A fiscalização resultou em cinco autos de infração, com multas que somaram R$ 17.030. Entre as irregularidades registradas estavam a exploração da imagem de animais silvestres mantidos irregularmente, o uso de espécies sem autorização e infrações relacionadas à morte de um filhote de preguiça-real.
O Ibama determinou a entrega de Filó e de um papagaio chamado Rosa ao Cetas, em Manaus. A capivara foi levada à unidade em 27 de abril de 2023. Dois dias depois, Agenor entrou na Justiça para tentar recuperar o animal.
Em 30 de abril daquele ano, uma decisão de urgência concedeu a guarda provisória de Filó ao influenciador, situação que permaneceu até a nova sentença. Por que a Justiça negou a guarda definitiva? A juíza considerou que o vínculo afetivo entre Agenor e Filó não é suficiente para justificar a manutenção de um animal silvestre sob guarda particular, sem autorização ambiental.
Na avaliação apresentada na sentença, a legislação brasileira prioriza a devolução de animais silvestres ao habitat natural. A guarda doméstica provisória é considerada uma alternativa excepcional, quando as outras formas de destinação não forem viáveis ou adequadas. A magistrada também rejeitou o argumento de que Filó deveria permanecer com Agenor por integrar uma família multiespécie, formada por pessoas e animais unidos por vínculos afetivos.
Segundo a decisão, o entendimento jurídico relacionado a animais de companhia não se aplica automaticamente à capivara, que é uma espécie silvestre brasileira.
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A capivara é um animal social, que vive em grupos e desenvolve comportamentos próprios no convívio com outros indivíduos. O Ibama argumentou no processo que a convivência prolongada com seres humanos poderia aprofundar a domesticação do animal e dificultar uma futura reintegração à natureza. A sentença também considerou que a permanência de Filó isolada de outras capivaras poderia prejudicar o desenvolvimento de comportamentos naturais.
Para a magistrada, a alegação de que o animal não conseguiria retornar ao ambiente natural não foi comprovada por uma tentativa de reabilitação. A Justiça concluiu que Filó deve retornar ao Cetas para que o órgão ambiental implemente as medidas técnicas necessárias à reabilitação e à reintegração do animal. Animal viralizou Influenciador leva capivara 'Filó' para ser entregue ao Ibama em Manaus.
Divulgação A capivara criada pelo influenciador Agenor Tupinambá ganhou repercussão na mídia em fevereiro de 2023, quando o fazendeiro viralizou nas redes sociais, ao mostrar a rotina com Filó e outros animais silvestres. Passados dois meses, ele foi multado pelo Ibama e denunciado por suspeita de abuso, maus-tratos e exploração animal. Agenor passou a receber apoio de seguidores, personalidades e políticos, incluindo da deputada Joana Darc, que também tem mobilizado as redes sociais em torno do assunto.
Depois da repercussão, o Ibama chegou a se manifestar, na afirmando que "animal silvestre não é pet". Agenor e "Filó" são sucesso na internet. Reprodução



