Setembro Amarelo: histórias de superação mostram a importância de buscar ajuda e cuidar da saúde mental em Volta Redonda Adriana Cópio/Secom/PMVR Acolhimento, escuta e acompanhamento profissional podem ajudar pessoas que enfrentam períodos de sofrimento emocional.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a valorização da vida e os cuidados com a saúde mental, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Volta Redonda (RJ) divulgou nesta terça-feira (10) a história de duas moradoras da cidade, que relatam como o acompanhamento profissional contribuiu para que elas enfrentassem momentos difíceis e retomassem atividades da rotina.
Aos 51 anos, Alcimar Feijó Fidelis Nicolau, moradora do bairro Santo Agostinho, procurou atendimento há cerca de cinco anos, após passar por uma perda e perceber que não conseguia lidar com o luto. ✅Clique aqui e entre no canal do g1 no WhatsApp Vídeos em alta no g1 Depois de uma triagem em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), ela foi encaminhada para o Espaço de Cuidado em Saúde, onde iniciou o acompanhamento.
Na época, segundo Alcimar, os medicamentos que utilizava já não apresentavam o mesmo efeito e ela chegou a passar dias sem conseguir dormir. Com o acompanhamento profissional, houve mudança na medicação e ela passou a participar de atividades e grupos terapêuticos. “Hoje faço parte de vários grupos, faço terapia individual e em grupo, com a psiquiatra, e isso tem me ajudado bastante.
Melhorou muito a minha qualidade de vida. Eu ainda tenho coisas a melhorar, mas sei que estou no caminho certo”, afirmou. Alcimar diz que o tratamento também mudou a forma como passou a enxergar a própria vida.
Ela conta que aprendeu a reconhecer os momentos em que precisava de ajuda e a procurar apoio profissional. “Depois que comecei o tratamento, teve uma mudança brusca na minha vida. Eu aprendi a olhar para mim e ver que eu precisava de ajuda.
Busquei ajuda, porque vi a necessidade, pelo momento que estava passando, e encontrei acolhimento e apoio”, relatou. Para Alcimar é importante que a pessoa não tenha receio de procurar os serviços de saúde mental. “Quem precisar, sentir que deve recorrer a uma ajuda, faça.
Aqui você tem acolhimento, um abraço, um apoio muito grande, que com certeza ajuda a gente de verdade”, disse. Depois de cuidar do irmão, moradora passou a cuidar de si Aos 58 anos, Andreia Santos Miranda, moradora do bairro Sessenta, também procurou atendimento após enfrentar anos de dificuldades relacionadas à situação do irmão, que tinha dependência química. Como irmã mais velha, Andreia decidiu ajudá-lo em um período de grande vulnerabilidade.
Ela conta que chegou a buscá-lo em situação de rua em Vitória (ES). “Eu tive que tratar um irmão que tinha dependência química. Ele era policial, não tinha ninguém, eu era a irmã mais velha, e tive que buscá-lo em uma situação de rua.
Ou eu deixava para lá ou socorria, e o coração falou mais alto”, relembrou. A convivência com as crises do irmão afetou a rotina de Andreia. Segundo ela, houve períodos em que precisou dormir dentro do carro porque ele quebrava objetos dentro de casa.
O medo passou a fazer parte do dia a dia. “Com o passar do tempo eu não conseguia andar de ônibus, dirigir, não conseguia fazer um monte de coisa, porque vivia apavorada”, contou. Andreia começou a frequentar o Caps Conforto e participou de atividades destinadas também aos familiares.
O acompanhamento, segundo ela, ajudou a compreender melhor a situação do irmão e a perceber a necessidade de cuidar da própria saúde mental. O irmão morreu posteriormente e Andreia passou a concentrar os cuidados em si mesma. “Deve ter uns sete anos que faço tratamento.
Meu irmão acabou falecendo e eu fui cuidar de mim”, afirmou. Atualmente, ela diz que aprendeu a reconhecer os próprios limites e a evitar situações que percebe que lhe fazem mal. “Hoje tudo que eu vejo que me incomoda eu saio fora.
Tenho foco em observar o que não me faz bem, seja um assunto que me dá gatilho ou um lugar em que não vá me sentir bem.” Andreia recomenda que pessoas que percebam mudanças na rotina ou dificuldade para realizar atividades do dia a dia procurem atendimento. “Quem está precisando de ajuda procura o quanto antes. Às vezes os sentimentos começam com não conseguir conversar com a família, não conseguir fazer algo simples, e isso é o início de que a pessoa não está bem.
A gente deve procurar profissionais e não ter medo de um psiquiatra, de um terapeuta, porque a psiquiatria ajuda muito a todos”, destacou. Rede municipal oferece atendimento especializado A Rede de Atenção Psicossocial de Volta Redonda reúne serviços destinados a pessoas em sofrimento psíquico, com transtornos mentais ou necessidades relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas.
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que o morador procure a unidade de saúde mais próxima para receber orientação e, quando necessário, ser encaminhado ao serviço adequado. Os Centros de Atenção Psicossocial oferecem acolhimento, escuta qualificada, atendimento médico e de enfermagem, acompanhamento psicológico, atendimento individual e familiar, grupos e oficinas terapêuticas, além de ações de reabilitação psicossocial e orientação aos familiares.
O atendimento é definido de acordo com as necessidades de cada usuário.
Entre os serviços disponíveis estão: Caps Usina dos Sonhos, na Vila Mury, voltado ao atendimento de adultos; Caps Vila Esperança, na Vila Santa Cecília, para adultos; Caps Sérgio Sibilio Fritsch, no Jardim Belvedere, também destinado a adultos; Caps Viva a Vida, na Vila Mury, voltado para crianças e adolescentes; Caps AD, no bairro Conforto, especializado em adultos e familiares que enfrentam problemas relacionados ao uso prejudicial, abusivo ou dependente de álcool e outras drogas; Espaço de Cuidado em Saúde Drª Suely das Graças Alves Pinto, no Aterrado, que oferece atendimento especializado em saúde mental para usuários encaminhados pela rede.
Usuários da rede de atenção pssicosocial em Volta Redonda. Adriana Cópio/Secom - PMVR. VÍDEOS: as notícias que foram ao ar na TV Rio Sul



