Um dos grandes da música brasileira, Benito di Paula morreu em São Paulo A vida e obra do cantor e compositor Benito Di Paula foram destacados em 2025 em Nova Friburgo , na Região Serrana, com o espetáculo “O Homem da Montanha”. A peça prestava homenagem ao artista friburguense, autor de clássicos como Retalhos de Cetim, Meu Amigo Charlie Brown e Mulher Brasileira. A direção foi de Bernardo Dugin.
Em suas redes sociais, Dugin desejou a Benito Di Paula "um caminho de muita luz" e prestou solidariedade ao filho do artista, Rodrigo Vellozo. Benito Di Paula morreu no domingo (18) em decorrência de câncer de próstata, do qual vinha fazendo tratamento há um ano. Segundo o diretor Bernardo Dugin, a preparação dos atores para o espetáculo foi um mergulho na história e na memória afetiva de Nova Friburgo.
Para compôr a peça, o diretor ouviu histórias e conversou com pessoas que conviveram com Benito Di Paula. "Uma das coisas mais bonitas é que, durante os ensaios, sempre aparecia alguém com uma lembrança nova. Alguém que dizia: 'Ah, o Benito cantava ali, em cima de um caixotinho, num banquinho'.
Fomos percebendo que Benito não era apenas aquele artista enorme que o Brasil inteiro conhece. Ele era também um menino do nosso bairro, alguém que fazia parte da vida das pessoas", contou o diretor. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp.
Espetáculo contou a trajetória de vida de Benito Di Paula Max Santos Dugin explicou que, a partir das entrevistas com as pessoas que fizeram parte da história de Benito Di Paula, eles quiseram conhecer o Usay Veloso, o menino que nasceu numa família numerosa, numa realidade humilde, cercado pelo amor dos pais, pelos afetos e pelas histórias de sua comunidade. "No fundo, a história do Uday também é a história de tantos de nós.
A história de alguém que nasce num lugar pequeno, que carrega suas origens e que, em algum momento, ousa sonhar para além das montanhas. Antes de se tornar um ícone da música brasileira, Benito foi um menino de Friburgo", finalizou o diretor. Peça teatral homenageou Benito Di Paula em 2025 Max Santos Benito di Paula falou sobre Nova Friburgo Em fevereiro de 2025, Benito Di Paula deu entrevista ao g1 e falou sobre a relação afetiva que tinha com a sua cidade natal.
O artista comentou ser "o homem da montanha", remetendo à canção "Homem da Montanha", de 1976, que traz uma declaração de amor por Nova Friburgo, narrando a vontade de voltar para a Serra diante da vida na cidade grande. "É a minha terra, sou o 'Homem da Montanha'. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas.
Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração", contou. Benito Di Paula Benito Di Paula nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, com o nome de Uday Vellozo, e foi criado no Rio de Janeiro.
Mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, esquema novo. Ao longo da carreira, tornou-se um dos nomes de destaque da música popular brasileira, especialmente nas décadas de 1970 e 1980. Teve mais de 50 milhões de discos vendidos no mundo, sendo quatro milhões só na Europa.
Entre seus sucessos estão Retalhos de Cetim, Charlie Brown e Mulher Brasileira. Seu estilo, marcado pela presença do piano e por arranjos românticos, contribuiu para consolidar uma identidade própria dentro do samba. Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba.
Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro. Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados. E o fato é que o sambeiro pianeiro imprimiu assinatura singular na música do Brasil.
Benito Di Paula na capa de álbum de 1976 Reprodução / Capa de disco



