SOS Mata Atlântica completa 40 anos com foco em preservação no interior de SP Em maio de 1992, um barco navegou nove quilômetros no que era chamado de "o maior esgoto a céu aberto do Brasil". Na Marginal Tietê, em São Paulo (SP), pessoas pararam o que estavam fazendo para ver a cena incomum de um barco navegando pelo rio. Ativistas desciam garrafas com mensagens de apoio pelos viadutos.

A ideia era mostrar que aquele rio, por pior que estivesse, ainda tinha chances de ser salvo. Nesta terça-feira (22), é comemorado o Dia do Rio Tietê. Saiba mais ao final da reportagem.

📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp O homem que pilotava o barco era Hélio Palmesan, hoje com 70 anos, capitão da Marinha Mercante e fundador da ONG Mãe Natureza, de Barra Bonita (SP). Ativistas de Barra Bonita (SP) levaram barco ao Tietê para cobrar ações de despoluição Folha de S.

Paulo/Reprodução LEIA MAIS Rio Tietê e reservatórios do interior paulista passam a ser monitorados por satélite e IA Tem Solução: SOS Mata Atlântica completa 40 anos com projetos de recuperação de rios e florestas VÍDEO: Rio Tietê é tomado por aguapés e vira ‘tapete verde’ no interior de SP A viagem de nove quilômetros pelo Tietê, do Cebolão até a Ponte das Bandeiras, foi o resultado de oito meses de preparação e inúmeras visitas a São Paulo para planejar cada detalhe, inclusive como colocar a embarcação na água e a interdição de faixas da Rodovia Castello Branco (SP-280) para transportar o barco de Barra Bonita à capital.

"Nós fomos a São Paulo para cobrar e incentivar o governo a lançar o projeto de despoluição do Tietê, se não a gente já teria perdido o rio todo. Naquela época, diziam que o Tietê era o maior esgoto a céu aberto do mundo. Eu pensei: não dá, isso aqui é horrível, vamos navegar lá", contou Palmesan ao g1.

Hélio Palmesan, hoje com 70 anos, capitão da Marinha Mercante e fundador da ONG Mãe Natureza TV TEM/Reprodução ONG Mãe Natureza A história começou mais de uma década antes. Em maio de 1981, uma grande mortandade de peixes atingiu o Tietê na região de Barra Bonita e Bariri (SP). Palmesan tinha 25 anos na época e foi até a beira do rio com caneta e papel e começou a coletar assinaturas pedindo providências.

"Não tinha o que fazer diante de 200 mil toneladas de peixe morto. Fui para o nosso escritório perto do rio, peguei caneta e papel, coloquei no porto, na beira da água com todo mundo vendo aqueles peixes boiando, e fiz um cabeçalho pedindo para as pessoas assinarem cobrando providências para que aquilo nunca mais acontecesse", contou.

Na época, a história foi ao ar no Jornal Nacional, da TV Globo, e identificou a ação como sendo do "Movimento de Defesa do Tietê", nome que Palmesan nem havia criado, mas que acabou adotando. O movimento deu origem à ONG Mãe Natureza. Efeitos do protesto ativistas do interior de SP levaram barco ao Tietê na capital para cobrar ações de despoluição e mostrar que o rio ainda tinha salvação Folha de S.

Paulo/Reprodução O protesto de 1992 surtiu efeito. Em 1994, o próprio governador Mário Covas convidou Palmesan para voltar a navegar pelo Tietê em São Paulo. E a pressão do movimento resultou também no lançamento do Projeto Água Limpa, que beneficiou mais de 120 cidades do interior paulista com até 59 mil habitantes que não tinham recursos para construir estações de tratamento.

Décadas depois, Palmesan ainda luta pelo Tietê, agora contra os aguapés. A proliferação das plantas aquáticas, alimentada pela poluição persistente, tem travado a navegação e prejudicado a pesca e o transporte de cargas no rio. "Os pescadores não conseguem nem armar a rede para pescar, e os barcos de turismo têm grande dificuldade", disse.

As barcaças que transportam soja entre Pederneiras e Goiás, por exemplo, passaram de 8 dias por viagem para até 25 dias, com impacto direto em combustível, alimentação da tripulação e multas por atraso na entrega no Porto de Santos. Um grupo de trabalho formado por cientistas, professores e biólogos, articulado por Palmesan, entregou um relatório ao governo sobre o problema. Em resposta, foi criado o Grupo de Fiscalização Integrado das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê).

Dia do Rio Tietê Rio Tietê em Pederneiras, no interior de SP Paulo Piassi/g1 O Dia do Rio Tietê é comemorado em 22 de setembro. A data foi escolhida em referência ao dia em que o governo estadual incorporou ao patrimônio público o Parque Nascentes do Tietê, em Salesópolis, onde o rio nasce. A data foi instituída no calendário oficial do estado pela Lei nº 7.815, de 1992, o mesmo ano do protesto na Marginal, e tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância histórica, ambiental e cultural do rio.

Com 1.136 quilômetros de extensão, o Tietê nasce na Serra do Mar, a apenas 22 quilômetros do litoral, e percorre o estado de São Paulo de leste a oeste até desaguar no Rio Paraná. Seu nome é de origem tupi e significa "rio verdadeiro". Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM