A autônoma Márcia Mendes e o carregador Jozenias Nogueira Jadson Lima/g1 AM A fumaça provocada pelas queimadas que encobriu Manaus nesta sexta-feira (9) dificultou a rotina de moradores, que relataram problemas para respirar, irritação na garganta, noites mal dormidas e prejuízos ao trabalho. Pelo segundo dia consecutivo, a capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.
Diante do agravamento da poluição, a Defesa Civil emitiu um alerta severo sobre os riscos à saúde e recomendou que a população evite a exposição prolongada à fumaça. Instituições de ensino também suspenderam atividades presenciais na capital. Nas ruas, trabalhadores tentaram manter a rotina apesar da fumaça.
Ao g1, a autônoma Márcia Mendes, que tem rinite e sinusite, relatou que a poluição tem agravado os problemas respiratórios. Segundo ela, a fumaça provoca irritação na garganta, congestão nasal e crises de espirros ao longo do dia. À noite, a dificuldade para respirar e as dores de cabeça prejudicam o sono.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Como trabalha com vendas e precisa conversar com clientes durante boa parte do dia, Márcia afirma que a exposição à poluição aumenta o desconforto na garganta e dificulta a rotina profissional. Mesmo com os sintomas, ela precisa sair de casa para garantir a renda. "Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça.
Está prejudicando todo mundo", afirmou. O autônomo Valdeci Moraes de Castro relatou que a poluição invade até as casas e dificulta o descanso. Ele criticou a falta de respostas do poder público e demonstrou preocupação com os efeitos da fumaça sobre a população, principalmente idosos e pessoas com problemas respiratórios.
"Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível", afirmou Valdeci em entrevista ao g1.
Ele disse que a situação também afeta quem precisa sair de casa para atividades básicas, como comprar alimentos, e defendeu o uso de máscaras para reduzir a exposição à fumaça. Fumaça dificulta trabalho e navegação A dificuldade de conciliar os cuidados com a saúde e a necessidade de trabalhar também foi relatada pelo carregador Jozenias Nogueira Pereira, de 63 anos.
Morador do outro lado do Rio Negro, ele se desloca diariamente até Manaus para transportar cargas e afirma que a fumaça torna o trajeto mais difícil, com sensação de sufocamento. "Fica esse fumaceiro de manhã que não aguenta mais. É preocupante por causa da nossa saúde, dos nossos filhos e dos nossos netos", disse Nogueira.
Ele também criticou quem ateia fogo em terrenos sem considerar os efeitos sobre outras pessoas. Segundo o trabalhador, a fumaça prejudica até quem não tem relação com as queimadas. Além de afetar a saúde, a fumaça reduz a visibilidade e aumenta os desafios para quem navega pelos rios do Amazonas.
Igor Gama, contramestre de uma embarcação que transporta cargas e passageiros entre Manaus e Urucurituba, no Baixo Amazonas, afirma que a navegação está cada vez mais perigosa devido à combinação de fumaça, seca e bancos de areia. Segundo ele, equipamentos de navegação são fundamentais para identificar obstáculos, manter a rota e evitar acidentes, principalmente durante a madrugada, quando a visibilidade é menor. "Está cada vez mais perigoso, o rio está secando, agora tem a fumaça intensa.
Tem todos esses desafios, pela madrugada. Muitas embarcações sofrem acidentes por causa da falta de equipamentos", disse. Igor explicou que o sistema de identificação automática de embarcações (AIS, na sigla em inglês) permite localizar outros barcos a quilômetros de distância e antecipar manobras.
Quando as embarcações não contam com essa tecnologia, a comunicação depende do rádio, o que pode dificultar a identificação de outros barcos e aumentar o risco de colisões e encalhes. "Quando a embarcação identificação automática de embarcações (AIS) conseguimos nos comunicar. Esse tempo de fumaça é muito periogoso é só os equipamentos para nos auxiliar", declarou.
Com o nível dos rios mais baixo e a visibilidade prejudicada pela fumaça, a presença de balsas, navios e bancos de areia torna a navegação ainda mais desafiadora.
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Por volta das 5h desta sexta-feira, o índice de qualidade do ar (AQI+) em Manaus chegou a 366, considerado "perigoso" pela IQAir. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Já o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), classificou a qualidade do ar como "péssima" na manhã desta sexta-feira.
Por volta das 6h, os bairros Morro da Liberdade, Educandos e áreas próximas registraram concentrações de até 320,2 µg/m³ de partículas poluentes. 🔎 A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo Sistema Selva.
Igor Gama é contramestre de embarcação e deu entrevista ao g1 Jadson Lima/g1 AM Márcia Mendes é vendedora de marmitas em Manaus e relatou problemas de saúde com a fumaça Jadson Lima/g1 AM Doméstica Perpétua Mendes Jadson Lima/g1 AM



