Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República Globo/ Manoella Mello O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, concedeu nesta sexta-feira (28) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
ASSISTA AO VIVO A ENTREVISTA Veja os principais destaques da entrevista com Flávio Bolsonaro: Caso Master Flávio Bolsonaro afirmou que não tem "absolutamente nada de errado" em ter buscado o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar o filme do pai dele, Jair Bolsonaro. Em maio, foram revelados áudios de Flávio pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro para a produção do filme Dark Horse. "Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro", afirmou o senador.
O senador afirmou que não buscou recursos públicos para a produção do filme. Questionado sobre a natureza da relação dele com Daniel Vorcaro, a quem enviou uma mensagem dizendo "estarei sempre contigo", Flávio respondeu: "A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada", disse Flávio. "Eu não queria que essa obra de arte fosse perdida, né?
Era um sonho que tava se realizando ali. Foi uma forma de garantir que esse filme acontecesse." Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a falta de detalhes a respeito da origem e do destino dos recursos e do contrato com Daniel Vorcaro para o patrocínio do filme 'Dark Horse. Ele afirmou que o dinheiro foi integralmente usado na produção e que a produtora apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias estabelecido por ele.
“Eu falei: ‘Quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo”, disse. Segundo reportagem do g1, no entanto, o perito contratado pela produtora afirmou que não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes de transferências, nomes de financiadores nem o caminho percorrido por R$ 75 milhões.
Questionado sobre a ausência dessas informações, Flávio afirmou que o filme “não tem um centavo de dinheiro público” e que a produção custou mais do que o valor obtido por meio do patrocínio. O candidato não tornou públicas as planilhas de custos nem o contrato do filme, apesar de ter sido questionado diversas vezes sobre esses documentos.
Visita a Daniel Vorcaro Questionado se considerava adequado ter visitado Daniel Vorcaro no fim de 2025, quando o banqueiro já havia sido preso e estava de tornozeleira eletrônica, Flávio não respondeu diretamente. O candidato afirmou que sua relação com Vorcaro era privada, negou ter oferecido qualquer favorecimento e direcionou as críticas ao presidente Lula. “O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco.
Então fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”, afirmou. Flávio disse ainda que a relação com Vorcaro “não teve absolutamente nenhuma contrapartida” de sua parte para favorecê-lo. Daniel Vorcaro está preso e é investigado pela Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes.
Atos golpistas de 8 de Janeiro Questionado sobre quais garantias pode apresentar ao eleitor de que não tentará um golpe de estado como ocorreu nos atos de 8 de Janeiro de 2023, Flávio Bolsonaro criticou a condenação do pai dele, Jair Bolsonaro. Afirmou que "uma grande farsa foi armada" para "tirar Bolsonaro da vida pública".
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir 27 anos e 3 meses de prisão por cometer sete crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de estado e tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito. "Ele foi julgado pelos seus inimigos", disse o senador, que criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O candidato foi questionado sobre depoimentos de generais que fizeram parte do governo Bolsonaro e que basearam o processo que condenou o ex-presidente e outros integrantes do governo, como o do general Mario Fernandes, que confirmou que foi autor de um documento que planejava o assassinato do atual presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O arquivo foi encontrado no Palácio do Planalto, levado ao Palácio da Alvorada, então residência do ex-presidente Bolsonaro e, segundo investigações, o plano não foi concluído porque o grupo não conseguiu cooptar o comando do Exército. "Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele", respondeu Flávio Bolsonaro.
Segundo Flávio, depoimentos como os do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes, que mencionaram que houve um risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional, não eram graves. "Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro", disse.
Ao criticar o STF e a condenação de Jair Bolsonaro, Flávio disse: "Eu sou o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta. Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar para que o Supremo volte a cumprir a Constituição." Tarifaço de Trump Flávio responsabilizou Lula pela imposição das tarifas ao Brasil por parte do governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. “Foi o Lula que cavou com força.
O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. Ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”, disse.
O candidato reconheceu que o irmão dele Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, errou ao agradecer pela imposição de tarifas. Ainda assim, defendeu o irmão, dizendo que Eduardo não pediu pelo tarifaço. "Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas.
O trabalho que ele fez lá para conscientizar e a decisão que tomou foi o governo americano, não foi o Eduardo Bolsonaro. Portanto, ele não tem absolutamente nada a ver com isso, né? O governo podia ignorar o que ele estava falando." "Ele nunca pediu tarifas para empresas brasileiras", disse Flávio sobre Eduardo.
"Inclusive eu fiz questão de também no mesmo dia vir a público dizer que era contrário a isso, que não defendia, que ia defender os interesses das empresas brasileiras e ia trabalhar para a retirada dessas tarifas junto ao governo americano, como eu fiz." PIX e EUA Questionado sobre uma fala de Eduardo Bolsonaro de que colocaria o PIX em negociação com os Estados Unidos como resposta ao tarifaço, Flávio Bolsonaro afirmou que não vai colocar o sistema em mesa de negociações com o governo Trump caso se eleja presidente.
"De forma alguma. O PIX é sagrado, é do brasileiro", afirmou o senador. "Isso foi uma distorção do que ele [Eduardo] falou.
Ele só disse 'aqui nos EUA tem uma ferramenta parecida'. O que é o PIX? É um meio de pagamento." O senador afirmou que o "PIX é inegociável".
Ataque às urnas eletrônicas Sobre declarações anteriores a respeito das urnas eletrônicas, Flávio negou ter duvidado da confiabilidade do sistema eleitoral e disse que respeitará o resultado das eleições. “Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral. Vou respeitar o resultado das eleições”, acrescentou.
Flávio Bolsonaro não respondeu, porém, se vai respeitar o resultado da eleição caso seja derrotado. Questionado duas vezes sobre o assunto, disse que espera vencer a disputa. “Eu não vou perder essa eleição.
E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno”, afirmou. O candidato reconheceu ter divulgado uma informação errada ao afirmar que uma empresa venezuelana fabricava urnas usadas no Brasil. “Eu disse que a empresa que fez as urnas eletrônicas era uma empresa venezuelana.
Falei errado. Ela apenas participou de alguns processos ao longo do processo eleitoral que o TSE estava organizando. Então, tirando essa parte, que de fato eu falei equivocadamente, eu fui bem claro ao dizer que jamais questionei o processo eleitoral”, afirmou.
Dívida pública Ao falar sobre a proposta de estabilizar e reduzir a dívida pública, Flávio defendeu um “ajuste fiscal forte” e afirmou que, se eleito, cortaria gastos. O candidato, no entanto, não apresentou o tamanho do ajuste em reais ou em percentual do PIB, nem estabeleceu um prazo para alcançar a meta, como havia sido questionado. Flávio relacionou o endividamento das famílias à política econômica do governo Lula.
“Você que está me acompanhando provavelmente está endividado ou conhece alguém que está endividado, mas a culpa não é sua. A culpa é desse atual governo”, afirmou. O candidato atribuiu o nível dos juros aos gastos do governo e disse que uma redução da taxa Selic diminuiria as despesas com juros da dívida.
“Se fosse um governo que cortasse na carne, um governo que economizasse, certamente a sua dívida não estaria nesse nível”, disse. Salário mínimo Flávio Bolsonaro não respondeu se irá alterar a forma como é feito cálculo para definir o reajuste de salário mínimo, que hoje é baseado na inflação de 12 meses e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.
"Eu não vou fazer economia do povo mais sofrido", afirmou o senador, sem dizer explicitamente que vai manter a atual base de cálculo. Segundo ele, "quem recebe salário mínimo hoje está perdendo o poder de compra pela gastança do governo". O candidato afirmou que não vai fazer economia com aposentados e que vai reduzir ministérios, impostos e combater corrupção como forma de fazer economia com as contas públicas.
Homenagem a miliciano Flávio Bolsonaro afirmou que concedeu uma honraria ao miliciano Adriano da Nóbrega, chefe de um grupo de matadores, quando ele ainda era visto como um “policial exemplar”. Na época, no entanto, Adriano era acusado de homicídio. O miliciano foi morto em uma operação policial na Bahia.
“Essa homenagem foi feita há mais de 20 anos, se não me engano, no momento em que ele era um policial reconhecido. [...] Eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de cinco, dez, 15, 20 anos. Não está no meu controle isso”, disse Flávio Bolsonaro.
Sobre ter empregado a mãe e a esposa de Adriano em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual, o candidato afirmou que conheceu os familiares quando Nóbrega estava preso e disse que a mãe dele participava de movimentos de defesa de policiais. Segundo Flávio, ela fazia a intermediação entre demandas de famílias de policiais militares e seu gabinete. “Trabalhava direitinho, sem problema nenhum”, declarou.
Indicação de eventual ministro Flávio Bolsonaro indicou que, se for eleito, terá o médico oftalmologista Claudio Lottenberg como ministro da Saúde. Segundo o candidato, a saúde é uma prioridade dele. "Eu vou transformar a saúde pública numa saúde de qualidade, o SUS vai ser moderno", disse.
Claudio Lottenberg é presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein, da Conib (Confederação Israelita do Brasil) e do Instituto Coalizão Saúde (ICOS). Foi conselheiro consultivo da Unicef e possui mestrado e doutorado pela Unifesp. Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo A entrevista com Flávio Bolsonaro foi a quinta de uma série com os candidatos à Presidência da República.
Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema(Novo); na terça (25), Ronaldo Caiado(PSD); na quarta (26), Renan Santos (Missão); e na quinta (27), o presidente Lula, que busca a reeleição. Reveja como foram as entrevistas de Zema, Caiado, Renan e Lula. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto.
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. Confira a data da próxima entrevista: 29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante) Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro. Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República Divulgação Quem é Flávio Bolsonaro Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é advogado, empresário e senador pelo Rio de Janeiro. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, o “01” entrou na política aos 21 anos, em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio.
Exerceu quatro mandatos na Alerj e, em 2018, chegou ao Senado com mais de 4,3 milhões de votos, tornando-se uma das principais vozes de defesa do governo do pai e da direita. Em 2026, disputa pela primeira vez a Presidência da República pelo PL. Flávio Bolsonaro (PL) na bancada para ser entrevistado por Renata Vasconcellos e César Tralli.
Globo/ Manoella Mello A candidatura foi anunciada em dezembro de 2025, após uma articulação com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, e Flávio foi apresentado como o herdeiro político do pai. A escolha, porém, enfrentou resistência entre setores da direita que consideravam Tarcísio de Freitas uma alternativa mais competitiva. Inicialmente, apresentou-se como uma versão “mais moderada” do pai, mas endureceu o discurso contra o STF e voltou a repetir informações falsas sobre as urnas eletrônicas.
Na trajetória política, Flávio construiu a atuação principalmente em torno da segurança pública e de pautas conservadoras. Em 2014, propôs o programa Escola Sem Partido na Alerj e, em 2016, disputou a Prefeitura do Rio, terminando em quarto lugar. Em 2007, fez declarações favoráveis à atuação de policiais que integravam milícias, mas posteriormente afirmou que não defende esses grupos.
No Senado, propôs diferenciar o uso dos termos “milícia” e “esquadrão” em um projeto sobre crime organizado. A carreira de Flávio também foi marcada pelo caso das “rachadinhas”. Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 2020 sob acusação de comandar um esquema de desvio de salários de funcionários quando era deputado, com suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de imóveis e de uma franquia de chocolates.
As provas foram posteriormente anuladas por decisões judiciais relacionadas ao foro privilegiado. Durante as investigações, Flávio comprou uma mansão de cerca de R$ 6 milhões em Brasília e afirmou que a aquisição foi legal. Em 2026, a campanha ainda enfrentou turbulências relacionadas ao caso “Dark Horse” e a disputas familiares, incluindo um racha com Michelle Bolsonaro, posteriormente seguido por uma trégua.
Veja as principais propostas de Flávio, registradas no plano de governo entregue ao TSE: Classificar facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas e ampliar o rigor no combate ao crime. Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Em crimes como estupro, tráfico, tortura e assassinato, a maioridade passaria para 14 anos.
Criação de cinco novos presídios federais de segurança máxima, castração química para estupradores, fim da progressão de regime em casos de feminicídio e aumento da pena para furto de celulares. Criar um sistema voluntário de pontuação para recompensar comportamentos como fazer cursos, manter contas em dia, poupar, conseguir emprego ou formalizar um negócio. Os pontos poderiam ser trocados por juros menores, cashback, crédito facilitado e descontos em serviços.
Criação da Central da Mulher e de um aplicativo para atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. Transformar o Supremo Tribunal Federal em uma “Corte Constitucional”, limitando decisões monocráticas, restringindo quem pode propor determinadas ações constitucionais e ampliando a presunção de constitucionalidade de atos do Legislativo.
Acabar com o foro privilegiado de deputados e senadores, estabelecer quarentena de um ano para ministros do governo indicados ao STF, combater nepotismo e conflito de interesses e redefinir competências do CNJ e do CNMP. "Tesouraço” nos gastos públicos prevê a redução de pelo menos dez ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas, além do combate a penduricalhos e supersalários no setor público.
Estímulo ao empreendedorismo por meio do programa Minha Primeira Empresa, com capacitação pelo Sistema S e crédito da Caixa. Revisão da reforma tributária. Contratos de trabalho de menor custo para jovens de 18 a 24 anos e para trabalhadores com mais de 50 anos.



