Governo federal cria força-tarefa para apurar ameaças contra indígenas em MS O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou nesta quinta-feira (29) a criação de uma força-tarefa interministerial para receber denúncias, apurar os casos e identificar os responsáveis pelas ameaças de envenenamento contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul. As ameaças ocorreram após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
"Criamos no âmbito do governo federal uma força-tarefa envolvendo o Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Igualdade Racial e Ministério dos Direitos Humanos", afirmou. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎 O g1 já havia antecipado a informação na terça-feira (27), ao noticiar que o governo federal mapeava denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país.
Entre os relatos estão áudios que mencionariam a possibilidade de colocar veneno na água consumida por moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru, além de denúncias de mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e a Polícia Federal (PF) não confirmaram mortes relacionadas à violência política. As denúncias ganharam repercussão após publicações nas redes sociais da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
Governo federal centraliza denúncias Eloy Terena também informou nesta quinta-feira que o Ministério da Justiça solicitou às corregedorias estaduais e do Distrito Federal o envio das denúncias recebidas para centralizar as informações no governo federal. Segundo o ministro, o Ministério dos Povos Indígenas também abriu um canal direto para receber os relatos e agilizar o encaminhamento dos casos. "Vamos continuar acompanhando.
Alguns dos casos que nós já enviados para a Polícia Federal já teve inquérito instaurado e nós vamos seguir aqui combatendo todo tipo e toda forma de violência contra as comunidades indígenas", finalizou o ministro.
LEIA TAMBÉM: As 9 respostas para entender caso de servidor afastado após ameaçar indígenas depois de vitória de Lula Denúncia aponta ameaça contra água consumida na Aldeia Sassoró Conforme a denúncia, áudios que teriam circulado em um grupo de WhatsApp mencionam a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró. A autenticidade das gravações, a identidade dos participantes e as circunstâncias da conversa ainda precisam ser apuradas.
O documento também informa que as pessoas citadas teriam ligação com a prestação de serviços públicos na aldeia, como o abastecimento de água por caminhão-pipa e a coleta de resíduos da escola e do posto de saúde. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) pediu à Polícia Federal que investigue a origem e a autenticidade dos áudios, identifique os responsáveis e avalie se houve crime. Também solicitou a análise de medidas preventivas para proteger a comunidade e garantir a segurança da água consumida pelos moradores.
No documento, o próprio ministério informou que não há comprovação de contaminação da água e pediu a investigação do caso. Prefeito de Tacuru pede desculpas após repercussão de áudio O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, publicou nas redes sociais um vídeo gravado na Aldeia Sassoró, ao lado de uma moradora da comunidade. Na gravação, ele afirmou que as divergências políticas após as eleições não deveriam provocar conflitos e pediu desculpas pelas falas registradas no áudio.
“É um mal-entendido, se expressaram mal ontem na hora de euforia, né, por conta de talvez um pouco de álcool”, disse o prefeito, ao comentar a gravação que circulou nas redes sociais. No vídeo, Torquetti pediu que a comunidade perdoasse as pessoas que gravaram o áudio, caso as falas tivessem causado ofensa. A publicação ocorreu após a repercussão das denúncias de manifestações racistas e de ameaça de envenenamento da água consumida pelos moradores da aldeia.
Cacique diz que vai buscar responsabilização O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo nas redes sociais em que condenou as falas atribuídas às pessoas citadas na denúncia. Ele afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível. No vídeo, Montiel disse que recebeu o áudio e que a comunidade já identificou as pessoas envolvidas.
A identidade dos citados e a participação deles no caso, no entanto, ainda precisam ser verificadas pelas autoridades. “Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou. Montiel também defendeu o direito dos indígenas de escolher livremente seus candidatos nas eleições.
“Porque nós povos indígenas temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher quem vamos votar”, disse. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, também publicou uma manifestação contra o racismo, o preconceito e as ameaças denunciadas. APIB denuncia casos de violência em MS A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou que acionou órgãos federais após receber denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul.
Segundo a entidade, os relatos incluem casos ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais. Entre os casos citados pela APIB estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também relatou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque.
A organização encaminhou um ofício e uma representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania. A APIB pediu a investigação dos casos, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis omissões das forças policiais.
Em nota, a entidade manifestou preocupação com os relatos e cobrou medidas para proteger as comunidades indígenas e responsabilizar os envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. Um indígena, que não teve o nome divulgado, morreu após ser atropelado na madrugada de sábado (24), na MS-289, no trecho entre Coronel Sapucaia e Amambai. As circunstâncias do acidente ainda não foram esclarecidas.
Sejusp nega ocorrência de genocídio Procurada pelo g1, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul afirmou que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado. Em nota, a pasta declarou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas.
Leia a íntegra da nota: "A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio de povos indígenas no Estado. As forças de segurança atuam mediante acionamento, com o objetivo de preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança de todos os envolvidos, contribuindo para a manutenção da paz no campo e a prevenção de confrontos em áreas rurais". Ministro fez divulgação nas redes sociais.
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