Prédio que desabou na Zona Norte de SP estava autorizado a construir só três andares, mas tinha ao menos sete O responsável pela obra de um prédio que desabou na Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo, em fevereiro de 2025, foi morto a tiros na noite do último domingo (27). Robson Pereira de Souza, de 38 anos, estava em um bar no bairro Jardim Elísio quando foi atingido pelos disparos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), Robson foi baleado enquanto estava no estabelecimento.

Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Vila Nova Cachoeirinha, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com o boletim de ocorrência, o autor dos disparos fugiu em uma moto. A Polícia Civil investiga o homicídio e realiza diligências para identificar o responsável pelo crime e esclarecer a motivação.

Homicídio Segundo o registro policial, equipes da Polícia Militar foram acionadas pelo Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Quando chegaram ao local, os policiais encontraram Robson caído na via pública, com ferimentos provocados por disparos na região do tórax. A companheira dele, Daniela Dayana de Oliveira, contou à polícia que estava sentada com um casal de amigos em uma mesa na calçada, em frente ao estabelecimento.

Ela disse que foi ao banheiro e, quando voltou, viu um homem armado efetuando disparos contra Robson. Ainda segundo o relato, Robson tentou correr para a rua, mas caiu. O atirador usava capacete, tinha aproximadamente 1,70 metro de altura e deixou o local sozinho em uma motocicleta de cor escura.

A perícia foi acionada. No ponto em que Robson caiu, foram encontradas manchas de sangue e uma cápsula de arma de fogo. Os policiais também informaram que há câmeras de monitoramento na Rua Acioli, nos números 33, 46 e 450.

Segundo o boletim, a motocicleta usada pelo autor foi estacionada na esquina e, após os disparos, ele deixou o local pela mesma rua. O caso foi registrado como homicídio no 72º Distrito Policial (Vila Penteado). Desabamento O prédio que desabou em 13 de fevereiro de 2025 na Vila Nova Cachoeirinha tinha autorização para a construção de apenas três andares de apartamentos, mas uma foto obtida pela TV Globo mostra que o edifício tinha mais que o dobro de andares erguidos no terreno.

Duas pessoas ficaram feridas. O registro foi feito na última semana, antes do desabamento, por um morador da região. Nele, é possível ver a construção com pelo menos sete andares de altura.

A obra estava embargada desde 24 de janeiro, devido à construção de pavimentos acima do que era permitido, segundo a prefeitura da capital. Questionada pelo g1 na época, a gestão municipal afirmou que foram aplicadas duas multas, ao proprietário e ao responsável técnico da obra, totalizadas em R$ 3,1 milhões.

Obra estava embargada desde janeiro por construção acima do limite e multa de R$ 3,1 milhões foi aplicada, diz Prefeitura de SP Segundo os registros da prefeitura da capital, o dono do imóvel, Robson Pereira de Souza, obteve o Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova emitido pela Secretaria Municipal de Licenciamento e Urbanismo em outubro de 2023. O edifício recebeu o nome provisório de Residencial Recanto.

A autorização dada pela pasta afirmava que, na área, seriam erguidos 30 apartamentos de 24 a 46 metros quadrados, nos três pavimentos autorizados pela gestão municipal (térreo mais dois andares). Projeto do Residencial Recanto, na Vila Nova Cachoeirinha, registrado na Prefeitura de SP.

Reprodução Segundo o engenheiro civil Roberto Racanicchi, muitas construtoras projetam um número de pavimentos acima do que se pretende erguer inicialmente, para ter fundação e infraestrutura capaz de aguentar se, depois de um tempo, o restante for construído. O problema é quando se faz o contrário, com um projeto e uma infraestrutura para certo tipo de carregamento, depois de um tempo, resolve incluir outro(s) pavimento(s) que não estão previstos.

Quando não há previsão nenhuma dessa carga, pode acontecer esse tipo de acidente, já que a carga se torna superior ao que o projeto suporta. Qualquer quantidade específica de pavimentos precisa ser prevista desde o projeto. Se houver uma diferença depois disso, implicará em risco de colapso 🔎 As causas do desabamento ainda estavam sendo investigadas, portanto, não é possível afirmar que a construção acima do previsto tenha relação direta com o ocorrido.

O engenheiro responsável pela obra é Antonio Ricardo Ribeiro Júnior, que tem registro ativo e regularizado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo(CREA-SP). Depois e antes de prédio que desabou na Zona Norte de SP Reprodução/Arquivo pessoal/TV Globo

Questionado, na época, o Crea-SP afirmou que está apurando a responsabilidade técnica sobre a edificação e notificaria Antonio Ricardo para que o engenheiro apresente a documentação relativa à obra. O órgão disse ainda que abriu um processo administrativo preliminar para apurar se houve infração à legislação profissional. A construção fica bem atrás do córrego Água Preta e parte do terreno, segundo laudos técnicos anexados no processo da solicitação do alvará, estava inserida em uma Área de Preservação Permanente.

Em 2025, o g1 procurou o proprietário e o responsável técnico pela obra, mas não recebeu retorno. Laudo técnico anexado no processo da solicitação de alvará para construção do prédio na Vila Nova Cachoeirinha Reprodução Vídeo mostra momento que prédio desabou na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de SP Imóvel desaba na Zona Norte de SP Reprodução/TV Globo Onde fica o prédio que desabou em SP nesta quinta Arte/g1