Prefeito de Coari é afastado do cargo após operação da PF Foto: Divulgação O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal (PF). Além do monitoramento eletrônico, ele e outros investigados tiveram os passaportes recolhidos e estão proibidos de deixar o país.
As medidas cautelares foram impostas após a operação deflagrada no último dia 16, que investiga suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas. Segundo apuração da TV Globo, as restrições também atingem ex-secretários municipais e outros investigados no caso, incluindo três empresários presos com R$ 1,25 milhão em espécie no Aeroporto de Brasília, episódio que deu origem às investigações.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Estão entre os alvos das medidas: Adail Pinheiro, prefeito de Coari; Rodrigo Alves de Almeida, ex-secretário municipal de Educação; Paulo José Franca de Matos, ex-secretário municipal de Limpeza Pública; Eduardo Jorge de Oliveira Alves, ex-secretário municipal de Fazenda; Denilson Palheta de Souza, ex-secretário da Casa Civil; Markeyson dos Santos Silva, ex-secretário municipal de Esportes; Thaís de Oliveira Lemos; Jéssica Shirley Moitinho; Márcia Chirles Santos Moitinho; Wagner Santos Moitinho; Erick Pinto Saraiva; Cesar de Jesus Glória Albuquerque.
O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos para comentar sobre as medidas cautelares. Prefeito já havia sido afastado do cargo Justiça afasta prefeito e 6 secretários de Coari, no Amazonas, em investigação sobre possíveis fraudes em contratos No dia 16 de setembro, Alexandre de Moraes determinou o afastamento de Adail Pinheiro da Prefeitura de Coari por 90 dias. A decisão também alcançou secretários municipais investigados no caso.
Após o afastamento, a presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany Pinheiro (Republicanos), assumiu interinamente a prefeitura. Ela é irmã de Adail Pinheiro. Jeany assumiu o cargo porque o vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, está afastado das funções para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro.
A Operação Dinastia do Lago cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. O principal alvo da investigação é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito. Na ocasião, a defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho informou que recebeu a operação "com surpresa" e classificou o afastamento do prefeito como desnecessário.
Os advogados afirmaram ainda que os investigados não são réus nem possuem condenação relacionada ao caso.
APREENSÃO: PF apreende quase R$ 1 milhão em espécie, dólares, euros, carros e joias em operação que mira deputado federal Adail Filho ENTENDA: como funciona o esquema investigado pela PF que mira deputado Adail Filho e prefeito Adail Pinheiro no AM PERFIL: Quem são Adail Pinheiro e Adail Filho, principais alvos de operação da PF que investiga corrupção e lavagem de dinheiro Como começou a investigação A operação desta quarta-feira é um desdobramento de um inquérito aberto no STF para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
A investigação começou após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, naquele momento, comprovação da origem do dinheiro. A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos durante a investigação foram analisados com autorização judicial.
Segundo o processo, o material apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos da Prefeitura de Coari. As apurações também identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido usadas para fraudar licitações. O caso envolve ainda repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
Segundo um despacho de Alexandre de Moraes, os documentos e dispositivos apreendidos indicaram, de acordo com a investigação, a realização de repasses financeiros por empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de Adail Pinheiro.
"Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM", diz trecho da decisão.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito no STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e enviou o caso para a Polícia Federal dar continuidade às investigações. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, após pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, a PF apontou a complexidade dos fatos investigados, a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.
A investigação apura a possível prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Na operação desta quarta, também são investigadas suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato. Joias apreendidas durante Operação Dinastia do Lago deflagrada pela Polícia Federal no Amazonas Divulgação/PF Dinheiro apreendido durante operação da PF que mira deputado federal Adail Filho Divulgação/PF PF apura suspeitas de fraudes em contratos públicos no Amazonas



