Incêndio em lixão piora a qualidade do ar em Manaus A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspenderam as atividades presenciais em Manaus nesta quinta-feira (8) após a cidade amanhecer coberta por uma densa camada de fumaça. A medida foi adotada para proteger estudantes, servidores e trabalhadores diante da piora da qualidade do ar na capital.

Por volta das 6h30, Manaus ocupava a primeira posição no ranking das cidades com o ar mais poluído do Brasil, segundo dados em tempo real da plataforma internacional IQAir. A Ufam informou que a decisão foi tomada nas primeiras horas da manhã. Segundo a universidade, havia a expectativa de que os ventos durante a madrugada ajudassem a dispersar os poluentes, mas isso não ocorreu.

📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Com a determinação da Reitoria, as aulas e as atividades administrativas nas unidades da capital passaram a ocorrer de forma remota. A universidade informou que os serviços essenciais que não podem ser interrompidos continuam funcionando, com recomendação de uso de máscaras e hidratação constante. O Campus Manaus Zona Leste do Ifam também suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas presenciais.

A decisão levou em consideração os dados sobre a qualidade do ar divulgados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Segundo o instituto, as atividades serão realizadas de forma remota, conforme as diretrizes da instituição. Novas orientações poderão ser divulgadas pelos canais oficiais, de acordo com a evolução das condições ambientais.

Piora na qualidade do ar De acordo com o Selva, a qualidade do ar era considerada "péssima" na manhã desta quinta-feira. Entre os locais mais afetados estavam o bairro Morro da Liberdade, o Educandos e áreas próximas, onde foram registrados índices de até 211 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas poluentes. 🔎 A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.

Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo Sistema Selva. A piora das condições do ar ocorre enquanto equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) seguem combatendo um incêndio em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus. A fumaça gerada pelo fogo pode ter contribuído para o cenário observado na cidade.

Manaus também já vinha sendo impactada pelo tempo seco e pela fumaça de queimadas em outras regiões do Amazonas. Além disso, não há previsão de chuva para os próximos dias.

Fumaça de incêndio em área com lixão de Manaus pode causar tontura e dor de cabeça; químico orienta quando procurar atendimento Fumaça de incêndio em área com lixão se espalha por Manaus e órgão ambiental alerta para riscos à saúde Manaus sob densa camada de fumaça nesta quinta-feira (8) Reprodução/Rede Amazônica Incêndio em lixão O fogo no lixão, que é particular e pertence ao Auto Posto Lima, até a noite de quarta (7), já havia atingido mais de 15 mil metros quadrados, segundo os bombeiros.

O trabalho seguia no local para controlar focos em áreas profundas do terreno, mas até a última atualização desta reportagem, não havia atualização sobre a situação no local. Os bombeiros informaram que as causas do incêndio seguem sob investigação. A hipótese inicial é que uma fagulha ou outra fonte de ignição tenha provocado um pequeno foco, que se espalhou rapidamente com a ajuda do vento forte.

O fogo começou por volta de 15h da terça-feira (6) em uma área utilizada como lixão privado e se espalhou rapidamente. A região abriga diversas indústrias, algumas localizadas a poucos metros do foco do incêndio. Funcionários de uma fábrica vizinha chegaram para trabalhar, mas precisaram ser dispensados devido à fumaça e do risco provocado pelas chamas.

Para ajudar no controle ao fogo, além de combate com água, um caminhão despejou barro sobre alguns dos pontos para ajudar a reduzir a intensidade das chamas. Após uma fiscalização realizada nesta quarta-feira, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou multa de R$ 5,555 milhões à responsável pela área.

Ao g1, a empresa Auto Posto Lima, responsável pelo terreno, informou que as causas e a origem do fogo ainda são apuradas pelas autoridades, e disse estar colaborando com os órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação. Incêndio em terreno na Zona Leste de Manaus continua no início da noite desta quarta-feira (7). Patrick Marques/g1 AM