Frio, calor e mudanças bruscas de temperatura podem danificar instrumentos musicais Calor excessivo, frio intenso, veranicos e mudanças bruscas de temperatura são inimigos da saúde, mas não apenas dela. Quem está começando a estudar música pode não saber, mas instrumentos musicais feitos de madeira também são sensíveis às condições do clima.
Ao g1, Carlos Arruda, de 44 anos, coordenador dos setores de Luteria e do Núcleo de Apoio Pedagógico do Conservatório de Tatuí, explicou que a madeira é formada, basicamente, por quatro elementos, sendo a celulose e a água os que mais preenchem sua estrutura.
📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Especialistas apontam que variação climaática pode danificar instrumentos musicais Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí "A celulose são as fibras da madeira que podem se expandir ou recolher de acordo com a umidade que está influenciando externamente. Então, essas mudanças de temperatura alteram a umidade relativa do ar e podem fazer a madeira se expandir ou recolher.
Como os instrumentos musicais são feitos de materiais sensíveis a esse tipo de variação, as mudanças no clima podem afetar tanto a afinação quanto a própria resistência dos instrumentos: rachando, inchando ressecando e até quebrando. Suelen Campos, de 40 anos, é luthier e, ao lado do marido, Anderson Campos, de 37, músico, mantém uma loja de instrumentos musicais em Itapetininga (SP).
Segundo o casal, assim como a pele pode ressecar quando não recebe hidratação adequada, a madeira dos instrumentos também pode sofrer com a falta de umidade. "Eu gosto de comparar muito o instrumento com o nosso corpo. E até com o carro.
A gente passa um hidratante e a pele fica mais macia. No carro também é assim. Gosto de fazer esse comparativo porque a maioria das pessoas que compram instrumentos entendem melhor comparando com o carro", aponta Suelen.
Suelen Campos é luthier e, ao lado do marido, Anderson Campos, músico, mantém uma loja de instrumentos musicais em Itapetininga (SP) Arquivo Pessoal Pontos de pressão As cordas do violão ou da guitarra ficam “esticadas” o tempo todo e fazem força sobre o instrumento, principalmente no cavalete - estrutura de madeira que prende as cordas - e na ponta do braço. "São os dois principais pontos de pressão", resume Suelen.
A profissional explica que para ajudar a suportar essa pressão, alguns instrumentos têm uma barra de metal chamada tensor, que fica escondida dentro do braço do equipamento musical de corda. Essa barra permite corrigir o instrumento quando o braço entorta por causa da tensão das cordas ou da mudança de temperatura. Essa ação de entortar é chamada de empenamento.
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"Verificar se ele possui tensor é um fator muito importante na hora de escolher um instrumento", afirma Suelen. Como os instrumentos musicais são feitos com materiais muito sensíveis a esse tipo de variação, o clima afeta tanto a afinação quanto a sua própria resistência Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí Danos causados pelo calor O calor intenso também pode amolecer a cola que é usada para juntar as peças. Suelen diz que o cavalete é o que mais sofre: "Existe uma grande chance de ele descolar.
Às vezes descola por inteiro, em outras, parcialmente." Outros instrumentos de corda, como violino, viola, violoncelo e contrabaixo, instrumentos de sopro ou, até mesmo, instrumentos de tecla mais antigos, como o cravo e o fortepiano, também podem ser afetados pelo clima, pois são feitos de madeiras finas e sensíveis para melhor qualidade do som e podem sofrer pelo mesmo motivo.
Além do descolamento, o calor dilata a madeira, isso, quando combinado com a tensão das cordas, pode fazer o braço entortar para fora, o chamado abaulamento, dificultando, ou até impedindo, tocar. A situação mais arriscada, segundo o músico Anderson, é deixar o instrumento por muito tempo dentro de um veículo em um dia de sol forte. "O que não pode acontecer é a pessoa deixar o instrumento num carro num calor alto.
O que acontece? Superaquece o instrumento, o cavalete descola, você perde o instrumento", alerta. Viola caipira, violão e cavaquinho são os instrumentos fabricados pelo luthier de Alambari (SP) Arquivo Pessoal Carlos Arruda explica que o piano moderno é uma exceção e pode ficar meses sem precisar de afinação, enquanto os outros instrumentos podem precisar de ajuste toda semana.
"A parte de madeira que é utilizada no piano é mais na caixa acústica dele, não necessariamente na parte interna. Já é uma estrutura mais feita de ferro e metal". Piano moderno é uma exceção e pode ficar meses sem precisar de afinação, aponta especialista Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí E o frio?
Nos dias frios, o processo é quase o oposto: a madeira resseca e se contrai, o que pode aproximar as cordas dos trastes - barras de metal que dividem o braço do instrumento em espaços correspondentes às notas - e provocar o chamado trastejamento. Nesse caso, em vez de produzir um som limpo, o instrumento passa a emitir um ruído “arranhado”. É um problema que Anderson conhece bem, depois de vivenciá-lo diversas vezes no palco durante o inverno na cidade onde mora.
"Aqui em Itapetininga é muito frio. Normalmente começa a trastejar muito, porque o braço cola na corda", conta o músico. E se desafinar durante o show?
Segundo Anderson, o instrumento pode até desafinar durante a apresentação, algo mais comum do que o público imagina. O simples fato de tocar em um ambiente com ar-condicionado, especialmente após a passagem de som, já pode ser suficiente para alterar a afinação. "Você está tocando em uma sala onde tem ar-condicionado, pronto, desafinou o instrumento", brinca.
Apesar disso, ele garante que a situação não costuma atrapalhar o show. "Vou colocar um exemplo de uma música do Guns N' Roses. Você está tocando a base ali, de um jeito que, se você está desafinando muito, você para de tocar, literalmente.
Mas é coisa mínima. Você abaixa a guitarra, afina rapidinho, e o baixo está segurando a música, junto com a bateria, a pessoa está cantando. Você já volta tocando já", descreve.
Anderson Campos, de 37, músico, mantém uma loja de instrumentos musicais em Itapetininga (SP) Arquivo Pessoal Em uma orquestra, porém, o processo pode ser um pouco mais complicado. Segundo Carlos, quando há um piano ou um cravo no palco, são eles que determinam o tom dos demais instrumentos, já que a afinação desses instrumentos é mais trabalhosa. "Os outros instrumentos afinam de acordo com a harmonia que está no instrumento que é mais difícil de afinar.
Um violino ou uma guitarra são instrumentos que podem ser ajustados em segundos, já nos instrumentos de teclas, com dezenas de cordas internas, o processo é bem mais demorado, podendo levar horas." Carlos diz que, se o ar-condicionado e os holofotes forem ligados entre a passagem de som e o início do espetáculo, isso já pode ser suficiente para desafinar os instrumentos.
Carlos Arruda, coordenador dos setores de Luteria e do Núcleo de Apoio Pedagógico do Conservatório de Tatuí Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí Como prevenir Na loja de Suelen Anderson, uma das principais ações preventivas é passar óleo no instrumento para hidratá-lo. “O óleo ajuda a hidratar, porque ele penetra a madeira e deixa ela mais suave para tocar. A madeira fica mais escura, e ela fica até um pouco mais difícil de empenar quando está hidratada", explica.
Carlos reforça a orientação. Em períodos mais secos, ele recomenda o uso de toalhas molhadas para ajudar a umedecer o ambiente, caso não seja possível utilizar um umidificador. Já para reduzir a umidade, orienta o uso de produtos antimofo e sachês antiumidade.
*Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM



