Como cães levaram o RS ao Mundial de Pastoreio na Escócia Comandos à distância, apitos e cães treinados para conduzir rebanhos: o que começou como uma técnica trazida da Europa virou parte da rotina de propriedades rurais do Rio Grande do Sul e ajudou a consolidar o estado como referência no pastoreio com cães. Não por acaso, a última edição do Campeonato Mundial de Pastoreio, na Escócia, contou apenas com representantes gaúchos na delegação brasileira e rendeu resultados históricos para o país.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Ao todo, oito representantes do RS participaram da competição, compondo o maior grupo brasileiro desde a estreia do Brasil no torneio, em 2011. As provas reproduzem situações comuns do dia a dia nas fazendas, como deslocamento de rebanhos e separação de grupos de animais. Contudo, as regras são rigorosas: os cães não podem latir nem morder as ovelhas durante a condução.
O alto nível técnico alcançado no Rio Grande do Sul ajudou a transformar o estado em referência nacional na modalidade. Para Heder Melo, presidente da Associação Brasileira de Border Collie, essa tradição tem raízes culturais. "O gaúcho culturalmente tem essa relação muito forte do cachorro de trabalho com o manejo de rebanhos", afirma.
A equipe principal foi formada por Diogo Moresco, de Anta Gorda; Tarcio Michelon, de Bento Gonçalves; Anderson Pacheco, de Canguçu; Charlei Battisti, de Palmeira das Missões; Diógenes Mello Giovanella; e Diego Schaf, de Torres. Já na categoria Sub-21, voltada a jovens condutores, o Brasil foi representado por João Vitor Schaf e Arthur, ambos de Torres. Antes mesmo da disputa principal, a preparação exigiu uma verdadeira imersão no universo do pastoreio.
A delegação permaneceu 22 dias no Reino Unido treinando e participando de provas regionais. O Border Collie Cães treinados para guiar ovelhas no RS Reprodução/ RBS TV O uso de cães no manejo de rebanhos chegou ao Rio Grande do Sul há cerca de 30 anos, trazido da Europa. Desde então, a prática ganhou espaço e consolidou o estado como referência nacional.
O Border Collie tornou-se símbolo dessa atividade por sua capacidade de responder a comandos à distância e conduzir os animais com precisão. "Ele tem essa habilidade de fazer uma pressão com o olhar, que é uma característica exclusiva do Border Collie", explica Suele Bueno, zootecnista e educadora canina. De acordo com Bueno, o trabalho também reduz o estresse dos animais, o que ajuda a evitar perda de peso e beneficia a produção.
Na propriedade de Diógenes Mello Giovanella, em Carazinho, os cães são parte fundamental do trabalho diário. Com cerca de 800 ovinos e mais de 100 bovinos, a fazenda tem no pastoreio uma ferramenta indispensável. "Hoje o Border Collie se tornou uma tecnologia para nós", afirmou o produtor antes da competição.
Para ele, a presença dos animais é tão importante quanto a utilização de máquinas em outras áreas da atividade rural. Foi ao lado da cadela Piki que Diógenes conquistou uma vaga no Mundial. A parceira de trabalho executa tarefas a longas distâncias e atende tanto a comandos de voz quanto aos sinais emitidos por apitos.
"Os mesmos sons que a gente tem hoje nos comandos de voz, a gente tem num apito que alcança longas distâncias", explica. O Mundial Cães treinados para guiar ovelhas no RS Reprodução/ RBS TV O campeonato foi realizado entre os dias 12 e 16 de setembro, na Escócia, e reuniu mais de 300 duplas de cães e condutores de 33 países. Pela primeira vez, o país teve representantes na categoria Brace, descrita pelos competidores como uma das provas mais difíceis do Mundial.
Nela, o condutor precisa trabalhar simultaneamente com dois cães, guiando o rebanho por um percurso que exige coordenação, estratégia e respostas rápidas. Os representantes brasileiros na modalidade foram Charlei Battisti e Tarcio Michelon. O resultado entrou para a história: Charlei terminou a disputa na quinta colocação, um feito inédito para o Brasil e também para a América do Sul na categoria, segundo a Associação Brasileira de Border Collie.
Outro destaque veio com Anderson Pacheco. Competindo entre os melhores conjuntos do mundo, ele garantiu vaga na semifinal após avançar na 28ª colocação entre 240 duplas formadas por condutor e cão. Na categoria Sub-21, João Vitor Schaf ficou em quarto lugar.
O desempenho coletivo também chamou atenção: o Brasil encerrou o Mundial na nona colocação por equipes. A classificação foi definida pelos cinco representantes indicados por cada país para a disputa coletiva. Cães treinados para guiar ovelhas no RS Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS



