Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe por homicídio do menino de 3 anos no RS O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou nesta quinta-feira (27) os pais de Oliver Grayson, de 3 anos, morto após ser espancado em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O pai, D’andre Grayson, foi denunciado por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura. A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, foi denunciada por quatro crimes de tortura por omissão.
Eles estão presos preventivamente. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Na denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Cláudio Rodrigues Araujo, o MP também solicitou a destituição do poder familiar do casal e o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais às vítimas sobreviventes. O g1 entrou em contato com a defesa de D'Andre Grayson, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Já a defesa de Mayanna informou que vai se manifestar por meio de nota. A denúncia aponta que, entre o início de 2024 e julho de 2026, quatro crianças da família foram submetidas a intensos sofrimentos físicos e psicológicos em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, culminando com a morte de Oliver em Viamão. Segundo o MP, o pai, D'Andre, agredia os filhos com socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas como forma de castigo por motivos banais.
As quatro imputações de tortura foram denunciadas com agravantes relacionadas ao fato de as vítimas serem descendentes, menores de 12 anos e estarem inseridas no ambiente doméstico e familiar. A mãe, Mayanna, responde pelo crime de tortura por omissão porque, conforme apurado na investigação, tinha conhecimento das agressões, presenciava episódios de violência e deixou de impedir os crimes ou comunicar os fatos às autoridades. Ela não foi denunciada pelo homicídio.
A denúncia aponta que no dia 5 de julho, na residência da família, em Viamão, o pai agrediu Oliver após se irritar porque a criança não lhe deu “bom dia”. Segundo o MP, ele desferiu socos contra o menino e bateu sua cabeça contra o piso, causando traumatismo cranioencefálico grave. A vítima morreu em 8 de julho.
O homicídio foi denunciado com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além das circunstâncias de a vítima ser menor de 14 anos e descendente do denunciado. Além da responsabilização criminal dos denunciados, o MP pediu a perda do poder familiar em relação às crianças e a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais.
O promotor de Justiça Cláudio Rodrigues Araujo destacou o trabalho da Polícia Civil de Viamão, cuja investigação reuniu os elementos que embasaram o oferecimento da denúncia. Desde a morte de Oliver, o MPRS também acompanha a situação dos irmãos da vítima, que permanecem acolhidos juntos em serviço especializado, com atendimento e medidas de proteção voltadas à garantia de seus direitos.
Casal foi indiciado pela Polícia Civil Segundo investigação da Polícia Civil, as agressões contra os cinco filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, ocorreram de forma reiterada ao longo de aproximadamente nove anos. De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, o pai, D’andre, foi indiciado pelo homicídio por ter praticado as agressões que provocaram a morte do menino. Já a mãe, Mayanna, responderá por homicídio por omissão, segundo a polícia.
"Pelo homicídio foram os dois, o pai pela conduta, por ter praticado, e a mãe pela omissão. E a tortura, os dois foram indiciados", explica a delegada Luana Medeiros. Segundo a investigação, a mãe também teria participado de agressões contra os filhos.
Por isso, os dois pais foram indiciados pelas cinco torturas, uma em relação a cada criança. "Temos indícios que a mãe também praticava algumas agressões e acreditava na violência como forma de controle. E, mesmo que ela não praticasse, pela omissão ela com certeza também responderia pelas torturas", afirma a delegada.
As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e estão abrigadas. Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe de menino morto após ser espancado por não dar 'bom dia' no RS Reprodução/Redes sociais Menino morreu três dias depois de agressão O caso começou a ser investigado depois que a polícia recebeu a informação de que Oliver havia sofrido lesões graves no dia 5 de julho. Segundo o inquérito, o menino teria sido agredido pelo pai porque não teria dado “bom dia” a ele.
D’andre teria dado socos na criança e batido a cabeça dela contra o chão. O pai foi preso em flagrante no mesmo dia. No dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva.
Oliver morreu no dia 8 de julho. O exame necroscópico apontou como causa da morte um traumatismo cranioencefálico grave. A perícia também identificou múltiplas cicatrizes antigas no corpo do menino.
Segundo a investigação, as marcas seriam resultado de lesões anteriores e não teriam relação direta com a agressão que provocou a morte. Marcas de agressões em quatro crianças Depois da prisão do pai, surgiram informações de que os outros filhos também poderiam ser vítimas de maus-tratos e que a mãe poderia estar envolvida. A Polícia Civil afirma ter reunido indícios de que as agressões contra as crianças aconteciam de maneira reiterada havia cerca de nove anos.
Na perícia física, todas as crianças, com exceção do bebê de 1 ano, apresentavam diversas marcas no corpo, segundo a investigação. Foram identificadas cicatrizes e mordeduras de diferentes idades e provocadas por diferentes instrumentos. A polícia também afirma ter identificado indícios de que a mãe orientava os filhos a não mostrar o corpo e a não contar a outras pessoas sobre as agressões.
As crianças foram encaminhadas para avaliação psicológica. Segundo a investigação, apenas uma delas conseguiu conversar, ainda que pouco, com a perita. As demais se recusaram a falar.
Conforme a polícia, os filhos teriam sido ensinados pelos pais a não conversar com outras pessoas e a esconder as marcas de agressões. Mãe estava no quarto ao lado Além das agressões praticadas ao longo dos anos, a Polícia Civil concluiu que a mãe deve responder pelo homicídio de Oliver por omissão. Segundo o inquérito, Mayanna estava em um quarto ao lado no momento em que o menino era agredido.
Para os investigadores, ela teria condições de ouvir o que acontecia e não teria tomado nenhuma atitude para impedir as agressões. A polícia considera que a estrutura da residência — uma casa pequena, de madeira e sem portas, com lençóis cobrindo as aberturas —, além da intensidade e da duração das agressões, torna pouco crível que ela não tenha ouvido os gritos da criança. A investigação também aponta que a mãe teve outras oportunidades, ao longo dos anos, para procurar ajuda.
Polícia não indicia rede de proteção A Polícia Civil, porém, não identificou elementos para responsabilizar criminalmente os agentes da rede de proteção do município de Viamão. Segundo a investigação, não foi identificada atuação dolosa. A delegada justificou que essa condição é exigida pelo Direito Penal para a configuração de crime.
A família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão havia cerca de oito meses, desde novembro de 2025, mas a guarda não foi retirada. Havia também histórico anterior de acompanhamento e denúncias em outros estados, incluindo São Paulo e Santa Catarina. Violência contra a mulher O inquérito aponta ainda que D’andre teria cometido violência doméstica e familiar contra Mayanna.
A investigação relacionada a essas agressões foi desmembrada, por determinação judicial, e será analisada em outro inquérito. Nesse procedimento, o homem foi indiciado pelos crimes de injúria, vias de fato, violência psicológica e estupro, segundo a Polícia Civil. O sepultamento de Oliver aconteceu apenas duas semanas após a morte.
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D’Andre Grayson. O acervo probatório acostado pela autoridade policial — até ontem em sigilo para a defesa — é extenso e carece de análise técnica e pormenorizada por seus defensores. Diante disso, por ora, ante o recente acesso, a defesa manifesta discordância da capitulação utilizada pela autoridade policial e espera que o Ministério Público realize a análise técnica necessária na formação da opinio delicti.
Ademais, durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, serão apresentados ao juízo competente fatos e argumentos defensivos capazes de garantir um julgamento justo ao indiciado. Ismael Schmitt / Jader Santos — Defensores Constituídos" O que diz a defesa da mãe "A defesa técnica de Mayanna Angelina Rodgers vem a público manifestar-se acerca do recente indiciamento trazido pela Polícia Civil: 1.
Precipitação policial e cerceamento de defesa A investigação foi concluída de forma açodada, sem que fossem reunidos elementos probatórios de extrema importância. Ressalta-se que o pedido formal de reconstituição dos fatos formulado por esta defesa sequer foi apreciado até o momento pela autoridade policial, comprometendo a busca pela verdade real ainda na fase de inquérito. 2.
Ausência de concurso de crimes e incompatibilidade jurídica A defesa reitera que Mayanna não concorreu de forma alguma para a morte de seu filho. A imputação de homicídio qualificado por omissão imprópria baseada em suposto "dolo eventual" carece de amparo no ordenamento jurídico e na realidade dos fatos.
Não se pode atribuir responsabilidade penal a quem, estando inserida em um severo contexto de violência doméstica, coação e isolamento, não possuía meios materiais nem capacidade de intervir ou evitar o trágico resultado. 3. Presunção de inocência e devido processo legal Lembramos à opinião pública e aos veículos de comunicação que a Carta Magna assegura o princípio fundamental da presunção de inocência.
Mayanna é juridicamente inocente até que haja eventual sentença penal condenatória transitada em julgado. O processo penal exige o respeito estrito às garantias constitucionais, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. A defesa confia que, ao longo da instrução processual, a verdade dos fatos sob a ótica da legalidade e da justiça prevalecerá.
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