Eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) afirmou nesta segunda-feira (5) que pretende iniciar o mandato com foco na negociação da dívida do estado com a União, na recuperação das estradas e na regionalização da saúde.

Em entrevista à TV Globo, ele disse ainda que, independentemente de quem vencer a disputa pela Presidência da República, sua primeira ação será procurar o presidente eleito para discutir parcerias e recursos para Minas Cleitinho foi eleito neste domingo (4) com 55,40% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes de chegar ao governo de Minas, ele foi vereador de Divinópolis, deputado estadual e senador.

Ao falar sobre as prioridades para o mandato, o governador eleito afirmou que considera fundamental restabelecer o diálogo de Minas Gerais com o governo federal. Segundo ele, a relação será mantida independentemente de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial. "A primeira ação minha como governador do Estado é ligar para o presidente eleito para a gente poder falar sobre Minas Gerais.

[...] A gente vai dialogar e conversar. Acho que a política é para isso. Tira o lado ideológico, tira o lado partidário e a primeira coisa que a gente tem que pensar é no povo", afirmou.

Entre os assuntos que Cleitinho pretende levar ao governo federal está a dívida de Minas Gerais com a União. Ele afirmou que quer negociar os pagamentos para tentar direcionar mais recursos para investimentos no estado. Estradas e saúde Cleitinho também colocou a situação das estradas mineiras entre as prioridades do futuro governo.

Segundo ele, as condições das rodovias foram uma das principais demandas que encontrou ao percorrer o estado durante a campanha. Na saúde, o governador eleito afirmou que pretende regionalizar os atendimentos para reduzir a necessidade de deslocamentos de pacientes por longas distâncias. Entre as medidas citadas estão investimentos em hospitais do interior, unidades filantrópicas e Santas Casas, além da ampliação de hospitais regionais.

Secretariado Questionado sobre a formação do governo, Cleitinho afirmou que pretende montar um secretariado técnico e disse estar aberto à participação de antigos adversários na eleição. Ele citou, por exemplo, a possibilidade de conversar com Flávio Roscoe e afirmou que também pretende avaliar propostas apresentadas por outros candidatos durante a campanha. Segundo o governador eleito, indicações de partidos poderão ser consideradas, mas os nomes deverão ter qualificação para comandar as respectivas áreas.

"O meu secretariado, como eu disse para vocês, tem que ser excelente, tem que ser melhor que eu. E é isso que eu vou fazer para a gente poder fazer um governo justo e competente", afirmou. Cleitinho disse ainda que pretende conversar com o atual governador durante a transição e manter iniciativas que, na avaliação dele, estejam dando resultado.

Cemig Ao ser questionado sobre o futuro da Cemig, Cleitinho se posicionou contra a privatização da estatal. Segundo ele, empresas públicas que dão lucro e prestam serviços à população devem permanecer sob controle do estado. "O que é bom você não privatiza.

O que o Estado dá lucro e faz a prestação de serviço chegar no cidadão, você não tem que privatizar", disse. O governador eleito também defendeu que recursos da companhia sejam utilizados em iniciativas que, segundo ele, possam beneficiar diretamente os consumidores. Redução do IPVA Cleitinho também reafirmou a proposta de reduzir a alíquota do IPVA em Minas Gerais.

Segundo ele, a cobrança atual prejudica a competitividade do estado e faz com que proprietários de veículos que vivem em regiões próximas às divisas façam o emplacamento em outros estados. Como forma de compensar uma eventual redução da arrecadação, o governador eleito afirmou que pretende revisar benefícios fiscais concedidos a empresas. Segundo Cleitinho, o governo deverá analisar quais companhias beneficiadas por incentivos oferecem contrapartidas ao estado, como geração de empregos e prestação de serviços.

Nos casos em que considerar que não há retorno, ele defendeu a revisão dos benefícios. "A gente vai rever para saber qual empresa está prestando serviço para o Estado. Se essa empresa não está prestando serviço, com geração de emprego, ela vai continuar pagando", afirmou.

Cleitinho argumentou ainda que a redução do imposto poderia estimular o emplacamento de veículos em Minas e, dessa forma, compensar parte da perda provocada pela diminuição da alíquota. A estimativa apresentada por ele durante a entrevista não foi acompanhada, naquele momento, de detalhamento dos cálculos. Questionado sobre o impacto da medida nos repasses aos municípios e nos recursos destinados à educação, o governador eleito afirmou que pretende fazer a compensação por meio da revisão das isenções fiscais.

Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha Outra promessa reafirmada por Cleitinho foi levar temporariamente a estrutura do governo para o interior do estado. O governador eleito afirmou que pretende instalar uma espécie de "minicidade administrativa" no Norte de Minas ou no Vale do Jequitinhonha nos primeiros três meses de mandato. Segundo ele, a intenção é despachar da região e atrair a atenção de empresários e investidores para áreas que considera historicamente menos contempladas pelos investimentos estaduais.

"Eu tenho a obrigação de cuidar de todos, mas eu tenho a obrigação também de cuidar de quem mais precisa. [...] Quem roda e quem conhece Minas Gerais sabe que o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha precisam, e precisam muito", afirmou. Cleitinho disse que pretende permanecer no local durante o período de funcionamento da estrutura.

"Vou ficar lá para despachar de lá. Vou correr lá, vou fazer academia lá e vou ficar lá também", disse. Ele afirmou ainda que pretende direcionar parte do orçamento estadual para essas regiões e disse que buscará apoio da iniciativa privada para a instalação da estrutura.