Vídeo mostra fumaça encobrindo bairro de Manaus na tarde desta segunda-feira (12) Nas últimas semanas, Manaus e outro municípios do Amazonas foram encobertos por densas nuvens de fumaça, consequência de queimadas florestais na Amazônia. O fenômeno afeta os centros urbanos, mesmo que os incêndios aconteçam a centenas de quilômetros. Pra entender como a fumaça é capaz de viajar por longas distâncias, o g1 conversou com especialistas.
Até esta terça-feira (13), os incêndios florestais já colocaram 36 dos 62 municípios do Amazonas, mais da metade do estado, em situação de emergência. A crise provocada pelo avanço do fogo e pela fumaça levou à suspensão de aulas, à paralisação de atividades ao ar livre, ao envio de alertas de saúde à população e ao reforço das operações de combate às queimadas em diversas regiões do estado.
A fumaça das queimadas pode viajar quilômetros porque as partículas liberadas pelo fogo permanecem suspensas na atmosfera e são transportadas pelos ventos, que podem trazer poluentes de outras regiões do Amazonas e de estados vizinhos. Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, as partículas que formam a fumaça são muito pequenas e leves, o que permite que permaneçam no ar por dias e se desloquem por longas distâncias.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “A fumaça é feita de partículas muito pequenas e leves, que ficam suspensas no ar por dias e se movem junto com o vento, quase como folhas levadas por um rio invisível”, explicou. Nesta época do ano, os ventos na região sopram predominantemente de leste e nordeste, favorecendo o transporte da fumaça de áreas onde há queimadas. A pouca ocorrência de chuva durante o período de seca também contribui para que os poluentes permaneçam por mais tempo na atmosfera.
“Por isso, uma cidade pode ficar coberta de fumaça mesmo sem muitos focos por perto: ela recebe a fumaça emitida em outras áreas, somada à que é produzida localmente”, afirmou Vergasta. Fumaça encobre Manaus Reprodução/Redes Sociais Fumaça pode vir de outros estados A meteorologista Andrea Ramos explica que as condições atmosféricas também podem influenciar diretamente no transporte da fumaça.
“As partículas mais finas podem permanecer suspensas durante horas ou dias e ser transportadas por centenas de quilômetros, dependendo da direção e velocidade dos ventos, da estabilidade atmosférica e da ocorrência ou não de chuva”, disse. Segundo Andrea, episódios registrados em Manaus já foram associados ao transporte regional de fumaça de áreas do sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia. A origem da fumaça pode mudar de um dia para outro.
Em alguns episódios, a contribuição pode vir principalmente da Região Metropolitana de Manaus. Em outros, pode ter origem em áreas mais distantes, incluindo Rondônia, o norte de Mato Grosso e o Pará, explicou a especialista.
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Para identificar a origem da fumaça, é necessário analisar diferentes informações, como registros de queimadas por satélite, direção e trajetória dos ventos, imagens de fumaça, ocorrência de chuva e medições da qualidade do ar. “Para identificar a origem com segurança é necessário combinar focos de queimadas por satélite, trajetória e direção dos ventos, imagens de fumaça, precipitação e medições de qualidade do ar.
O número de focos isoladamente não é suficiente para explicar a concentração de poluentes sobre Manaus”, destacou Andrea. A falta de chuva durante o período de estiagem também dificulta a remoção das partículas da atmosfera, favorecendo o acúmulo de poluentes e prolongando os episódios de fumaça sobre a capital. Imagem da NASA revela extensão da fumaça sobre Manaus e o AM nesta sexta-feira em meio ao avanço de queimadas.
Reprodução/Nasa Worldwide View Governo federal reconhece emergência em 36 municípios O reconhecimento da situação de emergência nos 36 municípios afetados foi oficializado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no sábado (10). A medida permite a atuação integrada das forças de resposta e o repasse de recursos federais. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que a medida ajuda tanto no combate aos incêndios quanto na assistência à população atingida.
"Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio", afirmou.
Também no sábado, chegaram a Manaus aeronaves de combate a incêndios, entre elas aviões Air Tractor e helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de 290 brigadistas federais. No domingo (11), a fumaça reduziu a visibilidade e atrasou a decolagem da comitiva ministerial que faria um sobrevoo de monitoramento em Manaus.
Após visitar áreas críticas, como a região de Autazes, o ministro do Meio Ambiente classificou a situação como "mais grave do que eu imaginava" ao encontrar incêndios dentro de floresta preservada. No mesmo dia, uma força-tarefa enviada pelo governo de São Paulo embarcou com 30 especialistas, entre bombeiros e agentes da Defesa Civil, além de drones e 11 mil litros de retardante de chamas.
Já na segunda-feira (12), o governo federal começou a enviar alertas de emergência pelo WhatsApp, por meio da conta oficial GovBR. As mensagens orientavam os moradores sobre o uso de máscaras, a vedação de imóveis para reduzir a entrada de fumaça e a importância da hidratação. Nas operações aéreas, o cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou missões de combate aos incêndios, com capacidade para lançar até 12 mil litros de água por voo.
Aviões do Ibama também lançaram mais de 10 mil litros de água na Região Metropolitana de Manaus. Queimadas no AM: focos de incêndio se espalham pela zona rural de Itacoatiara



