No Brasil, seis em cada dez empresas fecham as portas em até cinco anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A raiz deste problema pode estar na falta de inovação: dados da consultoria SME The New Economy mostram que 70% dessas empresas não quebram por falta de dinheiro, mas por se tornarem irrelevantes no mercado, ou seja, por não terem acompanhado a evolução do próprio setor em que atuam.

Em Santa Catarina, esse movimento também aparece, conforme um levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC, divulgado no início de 2026. Segundo a pesquisa, a adoção de tecnologia entre pequenas empresas catarinenses passou de 43% para 46% entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025. O perfil de uso também amadureceu: aplicativos de inteligência artificial perderam espaço, enquanto o uso da tecnologia em marketing avançou de 13,5% para 23,7%.

Esse crescimento mostra que as empresas têm visto cada vez mais relevância estratégica na tecnologia. É essa relação entre tecnologia, estratégia e sobrevivência que está no centro da análise de Tulio Duarte, vice-presidente de Ecossistema da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Para ele, o erro mais comum das empresas é confundir o meio com o fim: tratar a tecnologia como o objetivo, quando ela deveria ser apenas o caminho para um resultado concreto.

“A inovação é um novo resultado que a empresa obtém mudando alguma coisa, seja melhorar a vida dos colaboradores e fazer mais com menos, lançar um novo produto, atingir um novo mercado, faturar mais ou gastar menos água. O risco de não inovar é o risco de estagnar, e assim, ser ultrapassado pela concorrência”, explica. Ainda segundo ele, as empresas que não investem em inovação podem ser engolidas pela própria evolução do mundo, já que correm o risco de permanecer datadas.

Ele explica, ainda, que inovação e tecnologia andam juntas, mas não são sinônimos para as operações. “A empresa inovadora está fazendo as coisas com tecnologia, nas esse é um meio para a inovação. Hoje a tecnologia é uma das principais alavancas de competitividade, um dos principais meios para se inovar, mas a inovação, de fato, é a melhoria” afirma Tulio Duarte.

Orçamento limitado não é desculpa Um dos argumentos mais comuns contra a inovação, segundo Duarte, é o orçamento: muitas pequenas e médias empresas acreditam que só conseguem inovar quando têm caixa sobrando. Ele discorda, e defende que, quanto mais apertado o orçamento, mais importante é ter clareza de estratégia antes de investir. “Se a minha estratégia é baixar custos, eu vou investir em ferramentas de tecnologia que ajudem a tornar o processo mais produtivo.

Se a minha estratégia é agregar valor no produto, vou investir em tecnologias para acoplar dentro do meu produto. Além disso, para trabalhar com inovação, os empreendedores pode buscar apoio em entidades, fomento, ser muito mais preciso e inteligente” explica Duarte. Risco também está na cultura Ao lado do orçamento, Duarte lista outro conjunto de fatores que costumam travar processos de transformação tecnológica dentro das empresas, e um dos principais deles é humano.

A falta de cultura organizacional, ou seja, não trabalhar bem as pessoas para as mudanças, pode ser um risco. “Sempre que uma empresa vai fazer uma transformação tecnológica, as pessoas precisam estar abertas a fazer diferente. Outro erro é não ter referências: agora estamos vivendo a revolução da inteligência artificial, e tem gente que já sabe mexer muito nela dentro das empresas e gente que nem abriu o ChatGPT ainda.

Essas lideranças naturais, ávidas por produzir mais com tecnologia, precisam ser identificadas e fomentadas para que se tornem faróis de transformação dentro da empresa”, afirma Duarte. Como medir se a inovação valeu a pena O último ponto abordado por Duarte é como saber se um investimento em tecnologia deu certo. Segundo ele, a resposta muda dependendo do prazo em que você observa o resultado, e nem sempre o retorno aparece logo de cara.

“Existem três tipos de mudança. Tem as mudanças de horizonte de curto prazo, que chamamos de H1: são o que chamamos de quick wins, mudanças ou introduções de tecnologia que já dão um retorno direto e tangível. O exemplo é um sistema que melhora a produtividade em 30%, 40%, 50% em dois ou três meses” afirma Duarte.

Já os resultados de médio e longo prazo, que ele chama de H2 e H3, são mais difíceis de enxergar de imediato. Para ele, existe ainda uma forma simples de resumir esse cálculo: comparar a posição da empresa com a dos concorrentes antes e depois da mudança. Ainda, é importante testar qualquer novidade em pequena escala antes de aplicá-la para o negócio inteiro.

Saiba mais sobre o mercado de tecnologia de Santa Catarina no especial Riquezas da Inovação.