Fique por Dentro: possíveis temas da redação do Enem Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, o professor Bruno Cruz deu dicas de preparação para a redação, explicou como evitar erros que podem comprometer a nota e apontou possíveis eixos temáticos para a prova em entrevista ao videocast Fique por Dentro, do g1.
Entre as orientações, ele destacou a importância de dominar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, utilizar repertórios socioculturais pertinentes e planejar a argumentação antes de começar a escrever. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O primeiro dia de provas do Enem será em 8 de novembro, enquanto o segundo está marcado para 15 de novembro. A redação é uma das etapas mais importantes do exame, que pode ser utilizado para o ingresso em universidades públicas e privadas.
Dominar a estrutura do texto é o primeiro passo Para quem busca alcançar mais de 900 pontos na redação, o professor afirma que o ponto de partida é compreender a estrutura exigida pelo exame.
“O ponto de partida sempre será o domínio da estrutura do que entendemos por texto, dissertativo, argumentativo.” Segundo Cruz, o candidato precisa apresentar uma tese, defender um ponto de vista, desenvolver argumentos relacionados ao tema e elaborar uma conclusão com uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. “Mas ter o domínio da estrutura é grande parte da nota ENEM.
E é básico, não é pra que o candidato vá mais seguro no dia da prova.” O professor também recomenda que os estudantes pratiquem a escrita ao longo do ano, recebam avaliações de professores e acompanhem temas sociais, políticos e culturais. Na reta final, a orientação é concentrar os esforços em revisões e exercícios cronometrados. Uma sugestão é reservar entre uma hora e meia e uma hora e quarenta minutos para escrever um texto, simulando o tempo dedicado à redação no dia da prova.
Como se preparar na reta final Para quem não conseguiu manter uma rotina de estudos durante o ano, Cruz recomenda consultar o manual do candidato divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O material reúne exemplos de redações que alcançaram a nota máxima em edições anteriores, permitindo observar como os textos são estruturados e como os argumentos são desenvolvidos.
“Então, ter esse critério do que foi, de fato, um texto excelente e conseguir internalizar aquelas estruturas, aquele tipo de argumentação, seria uma boa.” Outra recomendação é estudar grandes eixos temáticos, como cidadania, direitos humanos, saúde, educação, diversidade cultural e meio ambiente. A partir deles, o estudante pode relacionar questões mais específicas à realidade brasileira.
Inteligência artificial pode ajudar, mas não substitui professores O uso de ferramentas de inteligência artificial para corrigir redações pode contribuir para a preparação, especialmente na identificação de problemas gramaticais e de convenções da escrita. No entanto, o professor alerta que a tecnologia não deve ser a única fonte de avaliação, principalmente quando se trata da qualidade dos argumentos e do uso do repertório sociocultural.
“Então, assim, eu sempre sugiro que a IA seja vista como um aspecto complementar, mas não um aspecto único, não é? Nesse processo de elaboração de texto.” Segundo Cruz, a avaliação de um professor continua sendo importante para verificar se as informações utilizadas contribuem efetivamente para a defesa do ponto de vista apresentado. Repertório sociocultural: como escolher bons exemplos O professor explica que o repertório sociocultural é avaliado a partir de três aspectos: legitimação, pertinência e produtividade.
Legitimação: a informação precisa estar relacionada a uma área do conhecimento, como biologia, artes, direito ou cultura. Pertinência: o repertório deve estar diretamente ligado ao tema proposto. Produtividade: a informação precisa ser bem utilizada na argumentação, contribuindo para defender a tese.
Cruz destaca que não é obrigatório recorrer apenas a filósofos ou citações conhecidas. Filmes, leis, notícias, exemplos históricos e situações do cotidiano também podem ser utilizados, desde que tenham relação com a discussão. Como exemplo, ele cita o filme WALL-E, que pode ser relacionado a uma proposta sobre poluição plástica.
Nesse caso, a narrativa da produção cinematográfica permite estabelecer uma conexão direta com o tema. A recomendação é evitar referências genéricas, que poderiam ser utilizadas em praticamente qualquer redação. Professor alerta para o uso de argumentos prontos Outra orientação é evitar o chamado “repertório de bolso”, expressão utilizada para se referir a citações e argumentos pré-fabricados, memorizados e reproduzidos em diferentes redações.
Segundo Cruz, esse tipo de estratégia pode prejudicar o desempenho porque os avaliadores têm contato com muitos textos semelhantes. “A média são 100 redações por dia.” O professor afirma que o estudante precisa demonstrar autoria na construção dos argumentos e utilizar informações que contribuam especificamente para a discussão proposta. Uma citação conhecida, por exemplo, não garante uma boa avaliação apenas por ser de um filósofo reconhecido.
É necessário explicar sua relação com o tema e mostrar como ela ajuda a sustentar o ponto de vista. “E quanto mais aproximado esse repertório for do tema, melhor. Mais produtivo ele vai ser.” Quais são as cinco competências avaliadas na redação?
A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma com pontuação de até 200 pontos, totalizando mil pontos. De acordo com o professor, os candidatos devem prestar atenção especial à segunda competência, que envolve a compreensão da proposta e o domínio do texto dissertativo-argumentativo. Confira as cinco competências: Domínio da norma padrão da língua portuguesa: utilização adequada da gramática e das convenções da escrita.
Compreensão da proposta e domínio do texto dissertativo-argumentativo: atendimento ao tema e desenvolvimento do tipo textual exigido, com uso de repertório sociocultural. Seleção e organização de informações: construção de argumentos e organização das ideias para defender um ponto de vista. Mecanismos linguísticos: uso de recursos de coesão, como conectivos, para relacionar as ideias e desenvolver o texto.
Proposta de intervenção: elaboração de uma solução para os problemas discutidos, respeitando os direitos humanos. Cruz chama a atenção para a segunda competência porque o descumprimento de exigências fundamentais, como a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo ou o atendimento à proposta, pode levar à nota zero na redação.
Como evitar o tangenciamento do tema O tangenciamento ocorre quando o candidato aborda apenas parte do assunto proposto, deixando de desenvolver algum elemento importante do recorte temático. Para explicar o problema, o professor utiliza como exemplo a redação do Enem de 2015, cujo tema foi a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.
Segundo ele, um candidato que discutisse apenas a violência contra a mulher, sem abordar a ideia de persistência, ou seja, a continuidade do problema apesar das medidas existentes, poderia tangenciar o tema. A recomendação é identificar as palavras-chave do comando da redação e compreender exatamente o que está sendo solicitado.
“Eu tenho que fazer o que, de fato, é colocado naquele comando.” Assim, o estudante deve desenvolver todos os elementos centrais da proposta, sem restringir a discussão ao aspecto que considera mais fácil abordar. Por que começar a prova pela redação? Para Cruz, a primeira providência no dia do exame deve ser a leitura da proposta de redação, mesmo que o candidato decida responder às questões objetivas antes de começar a escrever.
O objetivo é identificar o tema e começar a organizar possíveis argumentos e informações que poderão ser utilizados posteriormente. “Deixar isso para depois é perder tempo, e tempo é uma preciosidade em relação a um vestibular como o ENEM, certo?” O professor recomenda que o estudante faça um projeto de texto, definindo a tese, os dois argumentos principais e os elementos que serão utilizados na proposta de intervenção.
As questões objetivas também podem ajudar a estimular reflexões sobre o assunto, mas não devem ser a única fonte de informações. O candidato precisa mobilizar seu próprio repertório sociocultural. Possíveis temas da redação do Enem 2026 Embora ressalte que não é possível prever com certeza o tema da redação, Cruz sugere que os estudantes acompanhem alguns eixos de discussão que considera relevantes.
Um deles é a leitura e a educação. O professor cita possibilidades relacionadas ao analfabetismo funcional, ao letramento digital e midiático e às dificuldades para desenvolver o hábito da leitura entre os jovens, inclusive diante do uso de celulares. Ele também recomenda atenção às questões ambientais, incluindo os eventos climáticos extremos e o racismo ambiental — situação em que populações mais vulneráveis são mais afetadas pelos impactos ambientais e têm menos acesso a serviços básicos, como saneamento.
Outros assuntos destacados pelo professor são: Proteção de crianças e adolescentes na internet: discussões sobre o conteúdo consumido nas redes sociais e a adultização. Acessibilidade e inclusão: acesso das pessoas com deficiência à educação e ao mercado de trabalho. Cidadania e direitos sociais: garantia de direitos fundamentais e qualidade de vida.
Cruz também menciona a relação entre temas cobrados em diferentes avaliações. Ele cita uma prova nacional de docência que abordou a leitura como elemento multidisciplinar e compara o assunto com a possibilidade de discutir educação e hábitos de leitura no Enem. O professor, porém, ressalta que essas possibilidades não representam uma previsão confirmada do tema.
O que fazer se o tema for inesperado? Caso encontre uma proposta que não tenha estudado diretamente, o candidato deve recorrer aos conhecimentos adquiridos ao longo da formação e identificar quais direitos e princípios podem ajudar na construção de uma argumentação. Cruz recomenda conhecer garantias constitucionais relacionadas à igualdade, à saúde, à educação e à dignidade, além de compreender o papel do Estado na promoção dos direitos sociais.
Ele também cita pensadores como Milton Santos e Byung-Chul Han, que podem contribuir para reflexões sobre questões sociais e sobre a relação entre produtividade, bem-estar e interação social. A orientação é manter a calma, ler os textos motivadores e utilizar os conhecimentos disponíveis para construir uma tese coerente com a proposta.
Conselho final: planejar antes de escrever Como orientação final, o professor recomenda que os candidatos leiam o comando da redação com atenção, circulem as palavras-chave e organizem as ideias antes de começar a produzir o texto. O planejamento deve incluir a tese, os dois argumentos, os repertórios que serão associados a cada um deles e a proposta de intervenção. Para a intervenção, Cruz destaca cinco elementos que devem ser considerados: Ação: o que deve ser feito para enfrentar o problema.
Agente: quem será responsável pela ação. Meio ou modo: como a medida será executada. Finalidade: qual resultado se pretende alcançar.
Detalhamento: informação adicional que esclareça algum dos elementos apresentados. O professor também recomenda elaborar um mapa mental para visualizar a organização do texto, revisar a redação completa e verificar possíveis erros ortográficos e gramaticais antes de passar o texto a limpo. “Gente, pensar nisso é pensar no projeto de texto, isso aqui é essencial.” Para Cruz, o planejamento e a administração do tempo são fundamentais não apenas para a redação, mas para o desempenho geral no exame.
Redação do Enem: veja checklist para revisar o texto antes de entregar Freepik Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:



