Água contaminada: pesquisadores da Unifap analisaram amostras de 22 bairros de Macapá Uma pesquisa da Universidade Federal do Amapá (Unifap) identificou sinais de contaminação fecal em poços utilizados por moradores de bairros de Macapá. O estudo analisou a qualidade da água em 22 bairros da capital e apontou índices preocupantes de contaminação nos bairros Congós, Renascer e Santa Rita.
Segundo os pesquisadores, a proximidade entre poços e fossas sanitárias é um dos principais fatores que contribuem para a infiltração de esgoto no lençol freático. O estudo também identificou características naturais da região, como elevada acidez e presença de metais na água. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Os dados mostram que, no bairro Renascer, 60,6% das amostras apresentaram coliformes totais e 24,2% continham a bactéria Escherichia coli (E.
coli), um dos principais indicadores de contaminação fecal. No bairro Congós, os coliformes totais foram encontrados em 48,1% dos pontos avaliados. Já na área próxima ao Cemitério São José, na Zona Sul da capital, seis das sete amostras coletadas apresentaram contaminação bacteriana.
LEIA MAIS: Após duas descobertas de petróleo, Petrobras prevê nova etapa de perfuração na costa do Amapá em 2027 Lua e Saturno 'se aproximam' no céu neste sábado (24); saiba como e onde assistir em Macapá Como a pesquisa foi feita Para realizar o estudo, os pesquisadores visitaram residências duas vezes por semana para coletar amostras de água. Parte das análises, como a medição dos níveis de cloro, foi realizada no próprio local da coleta.
Já os exames físico-químicos e bacteriológicos foram feitos em laboratório da Unifap. As amostras passaram por diferentes testes para identificar a presença de micro-organismos que indicam contaminação. Pesquisa foi realizada na Unifap Yago Teixeira/Rede Amazônica Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Marcelo Oliveira, a detecção desses organismos não significa necessariamente que a pessoa ficará doente, mas serve como um alerta sobre a qualidade da água consumida.
"Os coliformes e a E. coli são grupos de bactérias presentes no trato intestinal humano e de outros seres vivos, indicando uma provável contaminação fecal. Isso não significa que a pessoa que consumir essa água necessariamente adoecerá, mas mostra que existem condições favoráveis para a presença de outros micro-organismos capazes de causar doenças", explicou.
De acordo com os pesquisadores, a contaminação pode ocorrer devido à proximidade entre fossas e poços, permitindo que resíduos cheguem à água subterrânea. Por isso, mesmo quando a água apresenta aparência limpa e cristalina, ela pode conter bactérias e outros micro-organismos invisíveis a olho nu. Os pesquisadores destacam ainda que as amostras foram coletadas em torneiras das residências.
Dessa forma, os contaminantes podem estar no poço, na tubulação, na caixa d'água ou em qualquer etapa do sistema utilizado para levar a água até o consumo doméstico. Na foto aparece um dos alunos pesquisadores resposável pelo estudo Yago Teixeira/Rede Amazônica Além da contaminação bacteriana, o estudo identificou alterações químicas, como acidez elevada e presença de metais.
Segundo Marcelo Oliveira, parte dessas características é comum nas águas subterrâneas da região amazônica e nem sempre representa um risco imediato à saúde. "Essa é uma condição natural da nossa região. É comum encontrarmos níveis mais elevados de acidez em águas de poços e até mesmo em águas superficiais.
Embora alguns parâmetros tenham apresentado variações, a própria legislação considera essas características dentro da realidade ambiental local", afirmou. Os pesquisadores orientam que, ao identificar sinais de contaminação, os moradores suspendam o consumo da água e realizem a avaliação do sistema hidráulico, incluindo caixa d'água, encanamentos e poços, para identificar a origem do problema.
Pesquisadores encontram contaminação fecal em água de Macapá Danilo Borralho/Rede Amazônica Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá



