De McLaren a relógios de luxo: PF apreendeu bens de luxo em ação contra desvios de recursos milionários em cooperativa de saúde, no Ceará Divulgação De Ferrari McLaren avaliada em R$ 3 milhões a relógios Rolex e Patek Philippe, a Polícia Federal apreendeu dezenas de bens de luxo dos suspeitos de participar de um esquema de desvios milionários em recursos públicos federais destinados à área da saúde. Cinco pessoas foram presas na operação deflagrada pela PF, nesta quinta-feira (8).

Conforme apuração do g1, todos os presos são pessoas relacionadas à Cooperativa de Atendimento Pré & Hospital (Coaph), com sede em Fortaleza. Entre eles estão o ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro, o médico José Newton Lacerda Carneiro. O atual presidente, o médico Montezuma Feitosa Alexandrino, foi alvo de um mandado de busca e apreensão.

Por meio de nota, a Coaph destacou que a operação não se restringiu à cooperativa, "abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público". A Cooperativa disse ainda que é necessário investigar, mas que também é necessário "preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde". (Veja o posicionamento completo abaixo) O g1 não localizou as defesas de José Newton Lacerda Carneiro e Montezuma Feitosa Alexandrino até a publicação desta matéria.

✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Os alvos são suspeitos de praticar crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental. Eles integravam um esquema suspeito de usar empresas de fachada e documentos falsos para desviar recursos oriundos de contratos públicos celebrados por entidades do setor da saúde. A Justiça também autorizou 24 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de 38 imóveis e 82 veículos que seriam vinculados às pessoas investigadas.

Eles foram cumpridos em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, e Campina Grande (PB), tanto contra pessoas físicas quanto jurídicas, que também tiveram quebra do sigilo bancário e fiscal. PF investiga esquema suspeito de desvios milionários em recursos da saúde no CE e PB Segundo a PF, as medidas de apreensão buscam assegurar eventual ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos, além de eliminar ativos que podem ter sido comprados com recursos de origem ilícita.

A decisão judicial também determinou o afastamento cautelar de cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da principal entidade investigada, a Coaph, e demais entes. Carros, relógios e pulseiras de luxo À esquerda, um McLaren Artura; à direita, um Chevrolet Corvette; ambos foram apreendidos em concessionária de Fortaleza Divulgação Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está a concessionária Drive Car, de Fortaleza, que seria usada para lavagem de dinheiro do esquema.

Lá, os agentes apreenderam veículos de luxo como uma McLaren Artura, cujo valor pode chegar a R$ 3 milhões; e um Chevrolet Corvette, que pode chegar a R$ 1 milhão. Vários outros veículos, com valores entre R$ 100 e R$ 600 mil, também foram levados da concessionária pelos agentes. A TV Verdes Mares procurou a Drive Car para comentar a operação, mas não obteve resposta até o momento.

Na casa do atual presidente da cooperativa Coaph, Montezuma Feitosa, em um condomínio de luxo no município de Aquiraz, a polícia apreendeu vários relógios de luxo. Um deles, da marca Patek Philippe (na foto abaixo, no canto direito), se for original, está avaliado em cerca de R$ 3 milhões. Com ele ainda foram encontrados outros modelos de luxo como Tag Heuer Carrera, MontBlanc e Vacheron Constantin.

Ainda conforme apuração do g1, com outro alvo foram apreendidos mais relógios de luxo das marcas Rolex e Cartier. Os Rolex foram avaliados, cada um, em R$ 75 mil.

Também foi apreendida uma pulsiera Cartier Love (na foto abaixo, no meio), avaliada em mais de R$ 50 mil Relógios e pulseira de luxos apreendidos com alvos da PF; relógio Patek Philippe, no canto à direita, é avaliado em R$ 3 milhões Divulgação Como funcionava o esquema Conforme a Polícia Federal, os envolvidos no esquema usavam empresas de fachada e documentos falsos para fechar contratos no setor de saúde com os municípios e desviar parte dos recursos, que tinham origem federal.

No centro do esquema estaria a Coaph, cooperativa que possui vários contratos com prefeituras do Ceará. A Coaph, por seu estatuto de cooperativa, não poderia ter lucro. Por isso, os envolvidos forjavam empresas de fachada, que fechavam os contratos com os municípios e emitiam as notas fiscais, mesmo sem capacidade de prestar os serviços para as quais foram contratadas.

Segundo apuração do g1, as investigações começaram após a prisão de um contador da Coaph, nas eleições de 2024, com uma elevada quantia em dinheiro. A partir disso, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas envolvendo saques de dinheiro em valores elevados. Ainda conforme a PF, principal empresa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos de origem federal repassados, entre 2007 e 2025, tendo celebrado contratos com entes subnacionais (ligadas a estados ou municípios).

Não está claro se esta empresa é a Coaph. A Coaph possui contratos de prestação de serviços para diversas unidades de saúde em várias prefeituras do Ceará, inclusive a de Fortaleza. A Polícia Federal, no entanto, não informou se os valores desviados provinham de uma prefeitura em específico.

O que diz a Coaph Por meio de nota, a Coaph destacou que a operação não se restringiu à cooperativa e disse ainda que ela já foi alvo de uma fiscalização "semelhante" em 2022, que foi arquivada posteriormente. A cooperativa disse ainda que sua prioridade é "a segurança dos pacientes". Diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira (8), sobre a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), a COAPH vem a público prestar esclarecimentos.

A operação não se restringe à COAPH, abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público. É importante lembrar que, em 2022, a cooperativa passou por fiscalização semelhante, posteriormente arquivada pelas autoridades competentes. Na ocasião, o procedimento foi encerrado sem que fossem identificados elementos que justificassem seu prosseguimento.

A COAPH respeita o trabalho das autoridades e defende a rigorosa apuração dos fatos, observando-se o devido processo legal e a presunção de inocência. Investigar é necessário. Preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde também é uma questão de responsabilidade.

A prioridade da COAPH permanece sendo a segurança dos pacientes, a continuidade dos serviços de saúde e a responsabilidade com os colaboradores, cooperados e contratantes. Reforçamos que a instituição segue pautada pela legalidade, a transparência e a ética em todas as suas atividades. Novas informações institucionais serão divulgadas pelos canais oficiais, evitando que fatos sejam confirmados e juridicamente passíveis de divulgação.

Foram cumpridos mandados nas cidades de Fortaleza/CE, Caucaia/CE, Eusébio/CE, Tauá/CE e Campina Grande/PB. Divulgação/PF Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: