Advogado Davi Sebba, morto com tiro no peito em estacionamento de hipermercado em Goiânia Goiás Reprodução/Arquivo pessoal Os três policiais suspeitos da morte do advogado Davi Sebba enfrentam júri popular, em Goiânia, após 14 anos que o crime aconteceu, na mesma noite em que o primeiro filho do advogado nasceu. Na época, a Polícia Militar alegou que os agentes foram informados que o advogado estava no estacionamento para se encontrar com um comprador de drogas.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O julgamento acontece nesta quinta (1) e sexta-feira (2). O tenente Ednailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão são julgados por homicídio simples. O g1 entrou em contato com a defesa dos três acusados para um posicionamento, mas ainda não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O g1 também solicitou um posicionamento da Polícia Militar e aguarda retorno. Ao g1, Pedro Ivo, irmão do advogado, contou que o julgamento dos acusados pela morte de Davi é o momento mais esperado. Ele ainda defendeu que os policiais tenham o direito de se defender, mas que sejam condenados.
"Depois de 14 anos estamos, hoje, iniciando esse julgamento que eu espero que ocorra da forma mais justa possível, e que, inclusive, os acusados tenham chance de se defender, coisa que o meu irmão não teve. Mas que, ao final, todos os três policiais sejam condenados por todos os crimes que eles cometeram", argumentou o irmão.
Pedro Ivo, irmão do advogado, contou que o julgamento dos acusados pela morte de Davi Sebba, em Goiás, é um momento mais esperado Letícia Fiuza/g1 LEIA TAMBÉM: QUANDO ACONTECEU: Homem é morto pela polícia no estacionamento de supermercado ABSOLVIÇÃO EM 2017: Juiz manda a júri PM acusado de matar advogado Davi Sebba e absolve outros dois militares JULGAMENTO DE RECURSOS: TJ julga recursos do caso Davi Sebba, morto há quase dez anos em Goiânia; um PM foi mandado a júri e dois absolvidos Relembre a morte de Davi Sebba O advogado Davi Sebba foi morto aos 38 anos em Goiânia, no dia 5 de juho de 2012.
Ele estava no estacionamento de um supermercado quando foi abordado e morto pelos policiais. Os agentes foram indiciados por homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de uso restrito e disparo de arma do fogo. Os três policiais foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás pelos mesmos crimes.
Entretanto, em 2017, o tenente Ednailton Pereira de Souza e o sargento Luiz Frederico de Oliveira foram absolvidos de todos os crimes que respondiam e soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão foi mandado a júri popular. Na época, o magistrado defendeu que o fato de os policiais estarem juntos não significava conluio nem repartição de tarefa para a prática de qualquer crime.
O juíz argumentou, na sentença, de que não havia “indício razoável”, com a substancialidade juridicamente exigida, a indicar que Edinailton e Luiz Frederico tivessem “efetivamente auxiliado, incentivado ou instigado a que o autor do disparo, que atingiu, feriu e matou a vítima, o fizesse”.
Entretanto, em março de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás julgou quatro recursos contra o julgamento de 2017: dois da assistência de acusação, um do Ministério Público e um da defesa do PM Jonathas Atenevir, mandado a júri popular por homicídio simples. Em abril do mesmo ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás aceitou com unanimidade o recurso que apontava que o advogado foi morto sem possibilidade de defesa. Na época, o irmão de Davi Sebba, Pedro Ivo, disse que a decisão trouxe um alento.
“O longo tempo de espera agrava ainda mais os nossos sentimentos de tristeza, revolta e injustiça. A família foi desestruturada com a retirada brutal e inesperada de Davi de nossa convivência. O pequeno Gabriel Davi, filho órfão que Davi não pôde conhecer, passará sempre o seu aniversário no mesmo dia da morte do pai”, desabafou o irmão.
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