A Polícia Federal (PF) determinou a intimação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo e do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto sobre a fiscalização do Banco Master. O ofício foi assinado em 3 de agosto. Também foi chamado para depor o atual diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos e o dono do BTG Pactual André Esteves.

Segundo o ofício, todos prestarão depoimento na condição de testemunhas, com o compromisso legal de falar a verdade. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo g1.

Agora no g1 Em nota, a defesa de Campos Neto afirma que ainda não foi intimada e que não tinha conhecimento desta informação. “A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa.

Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor”, afirmam os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti. O g1 procurou o Banco Central e o BTG, que não responderam até a última atualização desta reportagem. Os depoimentos serão realizados no âmbito do inquérito que investiga a relação do ex-banqueiro Daniel Vocaro com dois servidores suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do Banco Master.

Os servidores são Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária. Ambos foram afastados. Paulo Sérgio Neves de Sousa era ex-diretor de fiscalização do BC.

Ele e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária, foram afastados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) em março. Ambos são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco, ocorrida após o agravamento da crise da institução, no fim de 2025.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, e André Esteves Reprodução Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

As investigações apontam que os servidores davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC que envolviam o Master. Além disso, as apurações da PF indicam que eles revisavam e sugeriam alterações em documentos que o Master mandava ao BC - e vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a eventuais medidas adotadas pela autoridade monetária.