Igreja neogótica inglesa de quase um século enfrenta abandono e risco de desabamento Uma igreja construída no estilo neogótico inglês, tradicional na Grã-Bretanha, resiste há mais de 90 anos na zona rural de Gália (SP). Tombado pela prefeitura em 2020 como patrimônio histórico e cultural, o templo enfrenta abandono, vandalismo e a ação do tempo, sendo a única edificação que permanece de pé do auge da fazenda cafeeira da Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, popularmente conhecida como Companhia Inglesa.
📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Igreja da Companhia Inglesa viveu seu apogeu entre os anos de 1930 até 1960 e agora enfrenta o abandono e a ação do tempo Fábio Eduardo/Expedição Fotográfica/Reprodução A Capela de São João foi inaugurada em 1935 no complexo da companhia, com a primeira missa celebrada pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva.
O templo de alvenaria em tijolos aparentes conta com nave única terminada no espaço onde ficava o altar-mor, ladeado pela sacristia e o Santíssimo, além de ter abrigado batistério e coro na entrada.
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O ponto alto do calendário religioso era a festa de São João, padroeiro da capela, celebrada com grande participação dos colonos, que também promoviam terços e encontros comunitários no local.
Igreja neogótica inglesa erguida há quase um século no interior de SP enfrenta abandono e risco de desabamento Fazenda São João do Tibiriça/Reprodução O estudante de relações internacionais João Paulo Piovezan, de 19 anos, morador de Gália que atuou voluntariamente no processo de tombamento do imóvel, explicou em entrevista ao g1 que a preservação do espaço era uma demanda antiga da população.
"Essa é uma pauta de muita gente, desde o poder público até os cidadãos de Gália, antigos moradores da cidade e pessoas da região. Hoje, quem mais levanta essa discussão é o pessoal que faz trilha de moto e de bicicleta, porque o trecho faz parte da rota deles. Então, o tombamento já era um sonho antigo para Gália", afirmou o jovem.
Companhia Inglesa chegou a ter cerca de duas mil pessoas residiam na colônia rural e Igreja era mantida pela paróquia de Gália Reprodução Fim das missas e desativação da fazenda Segundo Piovezan, os fundadores britânicos venderam a fazenda na década de 1950. A partir desse momento, a propriedade passou por sucessivos proprietários e teve colônias gradualmente desativadas, até a celebração da última missa com moradores locais, em 1982.
Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, padres de Gália chegaram a retomar celebrações esporádicas com fiéis que se deslocavam cerca de 14 quilômetros até a zona rural. Em 2010, no entanto, as celebrações foram suspensas em definitivo.
Com o fim das atividades, o abandono e a falta de manutenção, o local entrou em precário estado de conservação, mesmo com o tombamento em 2020 Arquivo pessoal/Reprodução Tombamento, abandono e risco de desabamento Com o encerramento das atividades e a ausência de manutenção contínua, a estrutura entrou em processo acelerado de degradação.
Mesmo com a declaração de utilidade pública para desapropriação e o tombamento em 2020, o município ainda busca linhas de financiamento e verbas para viabilizar o restauro completo, segundo João Paulo. A Igreja da Companhia Inglesa agora enfrenta o abandono e a ação do tempo Fábio Eduardo/Expedição Fotográfica/Reprodução "A igreja era preservada pela população. O altar tinha toalha, imagens de santos e lugar específico para acender velas.
Alguns bancos antigos que restavam ainda estavam em excelente estado. Nos últimos anos, porém, os bancos foram destruídos, o altar vandalizado e as paredes pichadas. Agora, o local aguarda recursos para que possa ser restaurado", pontuou Piovezan.
Com o desgaste estrutural, esquadrias e portas desabaram, deixando as laterais da nave abertas. O imóvel chegou a ser interditado devido ao risco de colapso do telhado. A Igreja da Companhia Inglesa enfrenta o abandono e a ação do tempo mesmo depois de tombamento Fábio Eduardo/Expedição Fotográfica/Reprodução Em 2024, intervenções emergenciais de escoramento foram realizadas na cobertura, já que a estrutura dependia de esteios improvisados de eucalipto.
"Foi feito o escoramento para que o teto não desabe de vez e a forma original seja preservada", explicou o estudante. Apesar dos alertas e da interdição, a capela virou ponto de parada frequente de grupos de ciclistas, motociclistas e fotógrafos atraídos pela arquitetura europeia em meio à vegetação nativa.
A Igreja da Companhia Inglesa foi tombada em 2020 e virou ponto de parada frequente de grupos de ciclistas, motociclistas e fotógrafos Fábio Eduardo/Expedição Fotográfica/Reprodução Apogeu cafeeiro e a colônia inglesa A Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá foi estabelecida em 1926 por investidores britânicos de Liverpool, com o projeto de criar uma das maiores fazendas de café do país.
Capela da Companhia Inglesa em estilo neogótico antes e agora com placas de perigo Arquivo pessoal/João Paulo Piovezan/Reprodução A partir de 1956, os proprietários originais deixaram o negócio e deram início a uma série de transações imobiliárias. As atividades agrícolas da fazenda cessaram na década de 1980. Durante o apogeu da produção cafeeira, cerca de 2 mil pessoas residiam na colônia rural.
A infraestrutura contava com moradias, escolas, praças de esportes, clube social e até uma sala de cinema e teatro, que recebia espetáculos da capital e exibia filmes simultaneamente às salas dos grandes centros. Com o passar dos anos, casarões, armazéns, salas de aula e o cinema foram demolidos ou consumidos pela vegetação. A capela neogótica é a única construção do complexo que permanece em pé.
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