Esposa de policial criou grupo 'Planos de ficar rico.com’ dois dias antes de roubo de ouro em RR. Reprodução Dois dias antes do roubo de 30 kg de ouro e R$ 800 mil em Boa Vista, a esposa do investigador Marcelo Henrique Sobral, da Polícia Civil de Roraima, criou um grupo de WhatsApp chamado "Planos de ficar rico.com" para o planejamento do crime e comunicação entre os suspeitos.
A descoberta faz parte do inquérito da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Corregedoria-Geral da corporação, ao qual o g1 teve acesso. A farsa passou a ser investigada depois que um comprador de ouro registrou o assalto na polícia. Faziam parte do grupo a criadora, Ariane Cabral Paes, o marido dela e policial civil de Roraima, Marcelo Henrique de Araújo Sobral, a irmã dela, Rayana Cabral Paes, e o namorado de Rayana, Guilherme Santana da Silva.
Todos são investigados no caso e chegaram a ser presos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo o inquérito, o grupo serviu para combinar os preparativos, a execução e o acompanhamento da falsa operação policial na casa em que o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães morava, no bairro Caçari. O crime ocorreu no dia 29 de março de 2026.
Para tentar apagar os rastros do crime, a maior parte das mídias era enviada com visualização única, o que dificultou a recuperação das mensagens. Veja quem são e os papéis dos policiais e suspeitos envolvidos no roubo Em nota, a defesa do delegado John Castilho diz que foi surpreendida pela prisão preventiva dele, decretada no dia 25 de agosto, nega qualquer participação do cliente no crime e destaca que ele é concursado e sem antecedentes criminais.
Já a defesa de Ivan Luiz Bastos Guimarães afirmou que não há, até o momento, provas de que ele tenha planejado ou participado do roubo. Segundo os advogados, a acusação ainda não foi julgada e Ivan deve ser tratado como inocente até o fim do processo. Também afirmou que pretende demonstrar que ele foi vítima do crime.
O g1 tenta contato com a defesa de todos os citados. Máscara ninja e escolha da viatura Na tarde de 27 de março, Rayana enviou no grupo uma foto do namorado Guilherme dentro de um carro. Na imagem, ele vestia uma blusa preta e uma touca ninja que cobria todo o rosto.
Em seguida, o policial Marcelo Sobral confirmou a prontidão e escreveu: "Pronto para a operação". Guilherme Santana da Silva, investigado por roubo de dinheiro e ouro, aparece com roupa tática em grupo com outros investigados. Reprodução No sábado (28), véspera do crime, o delegado John Castilho e o investigador Diego Araújo dirigiram de Manaus a Boa Vista em uma picape alugada.
Os agentes avisaram Marcelo Sobral que se atrasaram na viagem e perguntaram se a viatura já estava "em condições para amanhã". As mensagens deles foram encaminhadas ao grupo. O atraso, no entanto, gerou nervosismo e desconfiança entre os membros nos bastidores.
Em conversa privada, Ariane avisou à irmã que o marido, Marcelo Sobral estava "apreensivo". Com medo, Rayana chegou a questionar se os policiais do Amazonas não estariam armando uma uma armadilha contra o cunhado. A suspeita só passou após o grupo decidir mudar o veículo do crime.
Para não levantar suspeitas, decidiram realizar o roubo usando uma caminhonete Ford Ranger branca, viatura oficial descaracterizada da corporação em Roraima. O dia do crime e "Bingo" Horas antes do assalto, no dia 29 de março, o investigador Marcelo ordenou que Guilherme usasse roupas escuras e lisas, com a mensagem "sem nomes". Após mandar uma foto também uniformizado, às 17h26, ele deu a ordem de partida no grupo com a mensagem "Bora".
Investigador Marcelo Sobral, da PC de Roraima, orienta sobre roupas e envia foto antes de roubo. Reprodução O grupo usou a caminhonete oficial para cercar a casa alvo às 19h15. Exatamente às 19h59, logo após os executores saírem do local com o ouro e o dinheiro, Guilherme enviou a palavra "Bingo" no chat para sinalizar o sucesso do roubo.
Ariane, que aguardava em casa, comemorou na mesma hora. À noite, as irmãs voltaram a trocar mensagens para dividir o dinheiro vivo levado das vítimas e da "falsa vítima" (Ivan Luiz). Ariane informou que o marido daria R$ 20 mil para Rayana.
Rayana respondeu que o namorado, Guilherme Santana, pagaria outros R$ 5,4 mil, quantia referente a um carro. LEIA MAIS: Veja como foi o roubo de dinheiro e ouro e quem são policiais e suspeitos envolvidos Último alvo da primeira fase da investigação se entregou à polícia Delegado e investigador do AM foram presos em operação que investiga o roubo Investigador da PC de Roraima e família chegaram a ser presos em Boa Vista Pânico após início da investigação O clima de comemoração durou pouco.
O grupo entrou em desespero ao descobrir que o roubo havia sido denunciado pelo comprador de ouro e que a Corregedoria investigava o uso da viatura oficial em sigilo. O avanço das apurações abalou o investigador Marcelo Sobral. Em mensagens enviadas à esposa no dia 12 de junho, obtidas pela perícia, ele demonstrou instabilidade psicológica com o rumo das investigações.
Na conversa privada, o policial desabafou: "Só não dou um fim nisso pq vcs vão passar dificuldades". Na sequência, Sobral declarou que sentia "vontade de ir lá e matar um por um", segundo ele, "cada um que me prejudicou". dos envolvidos.
Ariane pediu ao marido que não fizesse nada: "Não faz isso". Conversa entre Marcelo Sobral e esposa Ariane mostra abalo do policial após início de investigações de roubo. Reprodução Investigação revela grupo 'Plano de ficar rico' para planejar roubo de ouro e dinheiro Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.



