Área cortada por rodovia Guarujá-Bertioga revelou 43 sepultamentos - na imagem: trecho aproximado da rodovia; no topo, tíbia em forma de sabre e abaixo uma mandíbula Reprodução/Google; José Filippini e Reprodução/Fotografias e Radiografias Dentais de Sambaqueiros do Estado de São Paulo Quem passa hoje pelo km 17 da Rodovia Guarujá-Bertioga, no litoral de São Paulo, atravessa a área onde existiu o Sambaqui do Buracão.
O sítio arqueológico pré-colonial, localizado na Ilha de Santo Amaro, próximo ao Canal de Bertioga, teve 43 sepultamentos documentados por pesquisas. Segundo uma tese da Universidade de São Paulo (USP), o Buracão já era conhecido na década de 1940. O pesquisador italiano Ettore Biocca observou o sítio em 1946, e o local apareceu em uma publicação científica no ano seguinte.
As principais pesquisas, no entanto, ocorreram nos anos 1960, vinculadas ao antigo Instituto de Pré-História da USP e lideradas por Paulo Duarte e sua equipe. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A construção da Rodovia Guarujá-Bertioga impactou diretamente o local.
Um documento do Governo do Estado de São Paulo situa o sambaqui na área correspondente ao atual km 17 da estrada. Um estudo arqueológico ligado ao Porto de Santos aponta que a abertura da via destruiu grande parte do sítio, restando apenas cerca de um terço da área original após a intervenção. Em 2005, uma tese de doutorado do arqueólogo Sérgio Francisco Serafim Monteiro da Silva, defendida no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP), analisou a documentação das escavações.
O estudo contabilizou 43 sepultamentos no Buracão: 42 simples e um duplo. Agora no g1 Devido ao enterro com duas pessoas, a pesquisa confirmou um número mínimo de 44 indivíduos, sendo 24 adultos e 20 pessoas com menos de 20 anos. O levantamento também identificou materiais associados aos mortos em 28 dos sepultamentos.
Veja o que foi documentado no sítio arqueológico: Sepultamentos: 43 Número mínimo de indivíduos: 44 Sepultamentos com materiais associados: 28 Elementos de pedra: 190 Valvas de moluscos: 435 Dentes de peixes e mamíferos: 335 Ossos de animais: 326 Registros de pigmento ocre: 15 De acordo com a documentação da USP, os materiais associados aos corpos incluíam pedras, conchas, dentes, ossos de animais e pigmento ocre.
Um estudo arqueológico também resgatou uma descrição feita por Paulo Duarte sobre um sepultamento específico, no qual objetos trabalhados em osso e pedra teriam sido colocados dentro de uma carapaça de tartaruga. Outro achado chamou a atenção de pesquisadores do MAE-USP. Um artigo publicado pela instituição analisou cinco dentes de tubarão-branco encontrados no Buracão.
Todos apresentavam modificações feitas por humanos, como perfurações, raspagem ou desgaste, e três estavam associados a sepultamentos. A pesquisa não atribui aos dentes um significado religioso específico. As fontes acadêmicas indicam que o Sambaqui do Buracão tem datação em torno de dois mil anos.
A documentação do Governo de São Paulo registra uma idade de 1.950 anos (com margem de erro de 100 anos), valor alinhado à literatura da USP. Não há um levantamento atual que confirme quanto do sítio ainda permanece no solo ou nas margens da rodovia. Portanto, não é possível afirmar se os 43 sepultamentos continuam sob a estrada.
Restos humanos e materiais arqueológicos retirados do Buracão integram o acervo do MAE-USP e continuam sendo utilizados em estudos científicos. Mandíbula encontrada no Sambaqui Buracão Reprodução/Fotografias e Radiografias Dentais de Sambaqueiros do Estado de São Paulo O que é um sambaqui? Sambaquis são sítios arqueológicos formados ao longo do tempo por populações que viveram principalmente em regiões costeiras.
Esses locais costumam reunir grande quantidade de conchas e sedimentos, mas também podem preservar restos de alimentação, ferramentas, objetos, estruturas de ocupação e sepultamentos humanos. Por isso, são registros importantes sobre os povos que habitavam o litoral antes da colonização europeia.



