Brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, que prevê até pena de morte para tráfico Depois de deixar a prisão na Tailândia, Mary Hellen Coelho Silva, moradora de Pouso Alegre (MG), ainda enfrentou dificuldades para voltar ao Brasil. Sem recursos para comprar a passagem aérea e diante da falta de uma solução para custear o retorno, familiares organizaram uma vaquinha e fizeram empréstimos para reunir cerca de R$ 6 mil, segundo a advogada Kaelly Cavoli Moreira.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Mary Hellen foi presa em 2022 por tráfico internacional de drogas e permaneceu cerca de quatro anos e meio fora do Brasil. A saída da unidade prisional, beneficiada por um perdão real concedido, não significou o retorno imediato ao país de origem. Antes de embarcar, ela precisou passar por um centro de detenção ligado à imigração, onde, segundo a advogada, enfrentou uma situação de incerteza.
A compra da passagem, porém, não dependia apenas de encontrar um voo com preço acessível. Segundo Kaelly, havia exigências relacionadas à companhia aérea e à data de embarque. A família também teria enfrentado dificuldades para entender os procedimentos necessários e cumprir as orientações recebidas.
“Foi um dinheiro que não era algo que estava organizado. Juntou boa parte da família para que eles pudessem ali arrecadar um valor e trazê-la de volta”, contou ao g1.
VEJA TAMBÉM: Brasileira presa por tráfico na Tailândia volta ao Brasil, diz defesa Quem é Mary Hellen, brasileira que cumpriu pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia e voltou ao Brasil Entenda como brasileira reduziu pena pela metade no país que prevê até pena de morte para tráfico de drogas Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal Tentativa de passagem gratuita não avançou Antes de organizar a vaquinha, a família tentou buscar uma alternativa para que a viagem fosse custeada pelo poder público.
Segundo Kaelly, eles teriam tentado a possibilidade de solicitar gratuidade por meio da Defensoria Pública da União (DPU), mas o procedimento não avançou. A advogada afirmou que os familiares, que vivem em Pouso Alegre, tiveram dificuldades para obter orientações. Eles decidiram arrecadar os valores diante da urgência e da falta de uma solução concreta para o pagamento.
Com o dinheiro reunido, a passagem foi comprada e encaminhada para viabilizar o embarque. Depois disso, a família aguardou a confirmação do retorno e esperou pela brasileira no aeroporto. Ela chegou sozinha e sem pertences em 5 de setembro, dia em que completou 26 anos.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por intermédio da Embaixada do Brasil em Bangkok, teve conhecimento do caso em 2022, quando foi notificado a respeito, e prestou a devida assistência consular, à luz da Convenção de Viena sobre Relações Consulares e do Regulamento Consular Brasileiro.
"A assistência incluiu visitas consulares, concessão de pequenos auxílios materiais quando necessário e manutenção de contato direto e contínuo com as autoridades prisionais acerca da situação pessoal da nacional, nos termos do Regulamento Consular Brasileiro", afirmou a nota. A pasta informou ainda que a atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional.
Disse também que não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros. O g1 entrou em contato com o DPU para ter mais informações sobre o procedimento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Saída da prisão após perdão real Desde 2022, Mary Hellen manteve bom comportamento durante o período de encarceramento e foi contemplada por sucessivos perdões reais coletivos concedidos pelas autoridades tailandesas. A advogada explicou que esses benefícios dependem de critérios definidos pelas autoridades do país, que podem variar conforme o tipo de condenação e as condições previstas em cada medida. O comportamento, segundo ela, foi um fator importante para que a brasileira se enquadrasse nos critérios.
"A Mary Hellen, em todos os anos da prisão, manteve um comportamento excelente, o que fez com que ela entrasse nessa rodada de perdão real todas as vezes. Ela esteve muito atenta, envolvida com as atividades da unidade prisional, comprometida mesmo", explicou a advogada. Ao longo dos anos, a defesa também tentou buscar alternativas para reduzir a pena, incluindo um pedido de perdão real individual.
Recomeço no Brasil Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal De volta ao Brasil, Mary Hellen tenta reconstruir a vida após cerca de quatro anos e meio longe da família. Segundo a advogada, ela está se adaptando às mudanças ocorridas durante o período em que esteve fora do país. Durante o encarceramento, a brasileira aprendeu inglês e tailandês.
De acordo com a advogada, o conhecimento dos idiomas agora pode ajudar na retomada da vida profissional e também na comunicação com outros brasileiros que enfrentam situações semelhantes no exterior. A defesa afirmou que continua oferecendo apoio em questões práticas, embora a atuação jurídica relacionada ao caso tenha entrado em outra fase. “Ela está trabalhando, mas ainda está se estruturando.
Ficou quatro anos e meio fora do país, então muita coisa mudou e ainda é tudo muito novo. Acredito que ela vá retomar os estudos. O fato de ter voltado falando dois idiomas, inglês e tailandês, pode ser um diferencial”, completou a advogada.
O g1 entrou em contato com Mary Hellen para falar sobre o caso, mas ela optou por não conceder entrevista no momento. Relembre o caso Em 27 fotos: Conheça Mary Hellen, brasileira presa na Tailandia por tráfico de cocaína Mary Hellen Coelho Silva foi presa em 14 de fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, junto de outro brasileiro. Segundo as informações divulgadas na época, os dois transportavam cerca de 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas.
Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga. Natural do Rio de Janeiro, Mary Hellen foi criada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, onde morava com a mãe e os irmãos antes de viajar para o exterior. Na época da prisão, ela tinha 21 anos e trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria da cidade.
Ela havia deixado o emprego pouco antes da viagem. Durante o período em que esteve presa, Mary Hellen perdeu a mãe, Thelma Coelho, que morreu em 13 de abril de 2024, em Pouso Alegre, enquanto lutava contra um câncer. Na época, a defesa relatou dificuldades para comunicar a morte à brasileira, que mantinha contato com a família principalmente por cartas.
Ela também perdeu o avô durante o encarceramento. A prisão ganhou repercussão no Brasil devido à rigidez das leis tailandesas para crimes relacionados a drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico pode ser punido com pena de morte no país.
Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal. A sentença foi divulgada no Brasil no dia 11 de maio. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas



