Sadi: STF foi cabo eleitoral de candidatos da direita ao Senado O resultado das eleições para o Senado mostrou uma onda de candidatos da direita que fizeram da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) uma das principais bandeiras de campanha. O movimento lembra, em alguma medida, o que aconteceu nas eleições de 2018, quando houve uma forte renovação no Congresso.
Desta vez, principalmente na disputa pelo Senado, candidatos da direita souberam explorar um sentimento anti-Supremo presente em parte do eleitorado. O principal cabo eleitoral da eleição para o Senado neste ano foi o STF. Ao longo da campanha, candidatos já sinalizavam que explorariam temas relacionados à Corte, especialmente a possibilidade de impeachment de ministros.
A pauta ganhou ainda mais espaço em meio à crise envolvendo o Supremo e o caso Master. Há também uma conexão entre esse movimento e a disputa pela Presidência. Assim como o antipetismo teve peso na campanha presidencial, a oposição ao Supremo — e especialmente ao ministro Alexandre de Moraes — foi explorada por candidaturas da direita ao Senado.
PL terá a maior bancada do Senado, com 28 senadores; veja a divisão por partido Por que o Senado importa para o STF? A escolha dos senadores tem uma relação direta com o Supremo porque a Constituição atribui à Casa poderes específicos sobre a Corte. É o Senado que analisa e aprova previamente os nomes indicados pelo presidente da República para ocupar vagas no STF.
Também cabe exclusivamente aos senadores processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Por isso, a possibilidade de impeachment de ministros do STF pautou a campanha de vários candidatos ao Senado que conquistaram uma cadeira a partir de 2027. O resultado mostrou que esses candidatos conseguiram transformar uma discussão institucional que vinha dominando a política em Brasília em uma bandeira eleitoral.



