Idjahure Achkar de Mendonça Pinto, Helen Jaine Gomes Borgens e Marcelo Kariri Meneses foram aprovados no curso de diplomacia. Reprodução Dois indígenas e uma mulher quilombola tomaram posse nesta quarta-feira (4) como novos diplomatas no Ministério das Relações Exteriores. Assim como os outros 57 aprovados, eles foram aprovados no concurso mais recente da chancelaria.

Antes de servir no exterior, os novos diplomatas fazem um curso de formação no Instituto Rio Branco, em Brasília. Pela primeira vez, neste ano, o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) reservou vagas específicas para indígenas e quilombolas no edital. A nova turma é formada por 60 diplomatas.

Desse total, 27 pertencem a grupos historicamente sub-representados na diplomacia brasileira: são 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas indígenas e uma quilombola. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O grupo também tem a maior participação proporcional feminina da história do Instituto Rio Branco e do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty): 45% dos integrantes são mulheres.

Todas as cinco regiões do Brasil estão representadas. O salário inicial é de R$ 22.558. A cerimônia de posse foi realizada na tarde desta quinta, no Palácio Itamaraty.

Além da ministra substituta das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha, o eventou contou com a participação do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel de Oliveira. O escritor Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, foi o orador da cerimônia. Quem são os novos diplomatas indígenas e quilombola Os dois indígenas aprovados no concurso pertencem aos povos Kariri e Terena.

A primeira pessoa aprovada na vaga reservada a quilombolas é a goiana Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás. 🔎 Segundo o edital, pessoa indígena é aquela que se identifica como parte de uma coletividade indígena e é reconhecida pelos membros como tal, independentemente de viver em território indígena.

🔎Já para os candidatos quilombolas, a definição é de pessoa pertencente a grupo étnico-racial, segundo critérios como trajetória histórica própria, dotado de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade preta ou parda. Helen Jaine Gomes Borgens Goiana se torna a primeira quilombola do Brasil aprovada para a carreira diplomática Em junho, o g1 mostrou a aprovação de Helen Jaine Gomes Borgens. A jovem nasceu em Goiânia e cresceu na comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia.

Ela se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2025. O interesse pela carreira surgiu ainda durante a preparação para o vestibular, em 2017, quando um professor de História a incentivou a conhecer a profissão. Depois de concluir a graduação, em 2025, ela voltou para Simolândia para se dedicar aos estudos para o concurso.

Em entrevista ao Jornal UFG, Helen afirmou que se sente orgulhosa e honrada por ocupar o espaço como mulher quilombola. Marcelo Kariri Meneses Marcelo Kariri Meneses Redes Sociais Marcelo Kariri Meneses é do povo Kariri e nasceu em Campina Grande, na Paraíba. Ele é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e tem MBA em Digital Business pela Universidade de São Paulo (USP/Esalq).

Entre 2021 e 2025, trabalhou como engenheiro de suporte de produtos. Marcelo também é escritor e lançou, em 2026, o livro de ficção histórico-fantástica e infantojuvenil "O meu pé esquerdo favorito". Idjahure Achkar de Mendonça Pinto Idjahure Kadiwel Tânia Rêgo/Agência Brasil Idjahure Achkar de Mendonça Pinto pertence ao povo Terena.

Ele é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre na mesma área pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2020. Também é formado em bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 2017.

Idjahure é filho do artista Macsuara Kadiwéu, apontado como o primeiro ator indígena do cinema brasileiro, e participou do ciclo do programa Guatá — iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em parceria com a Embaixada da França no Brasil, voltada ao apoio à mobilidade internacional de doutorandos indígenas brasileiros para instituições de ensino superior e pesquisa na França.

Identidade que dá sentido à trajetória Em janeiro, o g1 contou a história do ex-garçom Douglas Almeida, filho de diarista e pedreiro, que tomou posse como diplomata. Relembre: Ex-garçom filho de diarista toma posse como diplomata Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.