Quatro presos por morte de jovem em Londrina são soltos após 24 dias A Justiça determinou a soltura dos quatro homens investigados por suspeita de envolvimento na tortura e morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, em Londrina, no norte do Paraná. Os suspeitos deixaram a prisão no domingo (6), após permanecerem detidos por 24 dias. Eles não tiveram os nomes divulgados.
A decisão pela soltura ocorre depois que um laudo, feito pela Polícia Científica e entregue à Polícia Civil, apontou que a vítima não foi jogada do 14º andar, mas caiu ao tentar fugir da tortura a que foi submetida. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A queda aconteceu no dia 14 de agosto, após Alexandre ter sido agredido, dopado e torturado por colegas da namorada dele por conta do suposto furto de uma câmera fotográfica.
Os quatro homens, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos por tortura, com agravante de cárcere privado e resultado morte. Com a decisão, os suspeitos passam a responder em liberdade, com medidas cautelares. Três deles deverão usar tornozeleira eletrônica e todos estão proibidos de manter contato com testemunhas ou sair da cidade sem autorização.
Antes de concluir o inquérito, a Polícia Civil ainda espera a conclusão do laudo toxicológico e do laudo sobre medicamentos que podem ter sido dados à vítima. "Os presos foram autuados pelo crime de tortura. Esse crime, para nós, de acordo com os depoimentos, já está configurado.
Entretanto, o crime de tortura tem uma pena maior quando ocorre a morte. Essa morte, ainda que não tenha ocorrido diretamente da tortura, nós entendemos que ela decorreu da situação, ou seja, da vítima tentar fugir do cativeiro. Se ao final ficar configurada só a tortura, a pena é de 2 a 8 anos.
Se ficar configurada a tortura com o resultado morte, a pena vai para 8 a 16 anos, com o agravante do cativeiro, do sequestro, que ainda pode ser aumentada de 1/6 a 1/3", explica o delegado Roberto Fernandes. Em nota, os advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, responsáveis pela defesa dos suspeitos, afirmam que não existem elementos concretos para justificar a manutenção da prisão preventiva após a conclusão dos laudos de local de morte e do laudo de necropsia.
"O Tribunal também observou o teor dos depoimentos prestados pelas testemunhas e as condições pessoais favoráveis dos investigados. Assim, foi acolhido o pedido da defesa, com a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas", afirmam.
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No início das investigações, havia a dúvida se os agressores também haviam jogado Alexandre do prédio, tese que acabou refutada pelo laudo. "Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos.
A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar.
O laudo comprovou essa dinâmica", detalhou Fernandes. Como foi o crime, segundo a investigação Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina. Reprodução Seis pessoas moravam no apartamento: a namorada da vítima, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada da polícia.
Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de quinta-feira (13), foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos, que acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Em seguida, conforme o delegado Miguel Chibani, Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido.
Segundo Chibani, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade. "Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo... Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu.
A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", detalha Chibani. Conforme o delegado, foram cerca de quatro horas de sucessivos ataques contra a vítima. Um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido.
Inicialmente, a ocorrência chegou à polícia como um caso de suicídio. Porém, no local, os agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima teria caído estava para o lado de fora da porta. Durante as investigações iniciais, testemunhas relataram à corporação a situação de tortura, encarceramento e agressões.
Testemunhas e suspeitos foram levados à delegacia e, conforme Chibani, dois deles confessaram os delitos. À polícia, a namorada de Alexandre afirmou que viu o que estava acontecendo e tentou entrar no cômodo em que a vítima estava presa. Porém, disse ter sido ameaçada por um dos suspeitos.
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