Transferência da sede do governo para o Centro de SP prevê novo terminal de ônibus na Luz A construção de um novo terminal de ônibus junto à Estação da Luz deve ser a primeira intervenção urbana do projeto que levará a sede do governo de São Paulo para o Centro da capital. O equipamento substituirá o Terminal Princesa Isabel, que será demolido para uma reforma da praça de mesmo nome, prevista como a esplanada central do futuro complexo administrativo.

A entrega do terminal está prevista para 2028, após dois anos da assinatura do contrato. A obra é uma das poucas etapas que não dependem de desapropriações, porque ocupará um terreno que já é público. Justamente por isso, tem prazo mais curto de conclusão.

Embora fique fora do perímetro do Centro Administrativo, nos Campos Elíseos, o terminal é necessário para liberar a área hoje ocupada pelo Princesa Isabel, que atende 16 linhas de ônibus e cerca de 7 mil passageiros por dia. A transferência das operações só deverá ocorrer quando a nova estrutura estiver pronta e em funcionamento.

Praça Princesa Isabel será ampliada com demolição de terminal de ônibus para se tornar esplanada central do novo centro administrativo do Governo de São Paulo Reprodução/Governo de São Paulo "Quando o terminal estiver pronto, nós desativamos o terminal da Praça Princesa Isabel e liberamos aquela área para as próximas etapas do projeto", afirmou ao g1 Guilherme Afif Domingos, secretário de Projetos Estratégicos do governo estadual. Segundo ele, as obras devem começar já no ano que vem.

A concessionária MEZ-RZK Novo Centro também avalia construir um prédio de apartamentos sobre a laje do novo terminal. A empresa disse que "a ideia está em estudo e depende de análises técnicas, urbanísticas e legais antes de ser apresentada ao poder concedente". O Centro Administrativo será construído para reunir secretarias e órgãos estaduais atualmente dispersos em mais de 40 endereços.

O projeto prevê sete edifícios e dez torres, com capacidade para cerca de 22 mil servidores, além da restauração de 17 imóveis tombados pelo patrimônio histórico – entre eles o Palácio dos Campos Elíseos, onde vai ficar o gabinete do governador, instalado há mais de 60 anos no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. A entrega do conjunto está prevista para o fim de 2030.

Consórcio vence leilão do novo centro administrativo de SP O investimento estimado no conjunto é de R$ 6 bilhões, por meio de uma parceria público-privada (PPP). A concessão tem duração de 30 anos e foi assinada em 22 de outubro com o consórcio MEZ-RZK Novo Centro. A concessionária trabalha atualmente na elaboração de estudos e cronogramas para implantação do projeto, etapa que deve ser concluída até o fim do ano.

Também caberá à concessionária conduzir o processo de desapropriações, indenizações e reassentamentos necessários para viabilizar o restante do complexo. A expectativa é que essa etapa seja concluída ao longo de 2027, paralelamente à obtenção das licenças urbanísticas e ambientais necessárias para o início das edificações. Já as principais obras dos edifícios administrativos devem se concentrar entre 2028 e 2030, com possibilidade de avançar até 2031, afirmou o secretário.

Além dos prédios públicos, o projeto prevê espaços comerciais e outras fontes de receitas para a concessionária, como locação de lojas, exploração de publicidade, estacionamento e eventual comercialização de naming rights.

Novo terminal será integrado à rede de trens e metrô Com investimento estimado em R$ 41,7 milhões, o novo terminal terá três plataformas para embarque de passageiros e uma operacional. A localização próxima à Estação da Luz é apontada por Afif como a "grande vantagem" da mudança. "O passageiro vai desembarcar praticamente conectado a toda a rede de transporte sobre trilhos", disse.

O equipamento de transporte terá acesso principal pela Avenida Cásper Líbero e fundo voltado para a Rua Brigadeiro Tobias. O local fica a poucos metros da entrada para a linha 4-Amarela do Metrô e até recentemente era utilizado como estacionamento de viaturas da Polícia Civil.

LEIA TAMBÉM: Governo de SP planeja leiloar prédios históricos do Centro, como Hotel Esplanada e Cine Marrocos Novo terminal de ônibus será construído ao lado de acesso à Estação da Luz, em terreno usado como estacionamento de viaturas Reprodução/SPI-SP e Google Earth Com cerca de 6 mil m², o novo terminal ocupará uma área aproximadamente 43% menor do que o Terminal Princesa Isabel. Por isso, parte da operação precisará ser redistribuída para outros pontos da região central.

Segundo a SPTrans, que elaborou o projeto de referência para a obra, 10 das 16 linhas de ônibus que operam no Princesa Isabel serão transferidas para o Terminal Luz. As demais vão operar a partir do Terminal Amaral Gurgel e da Praça da Luz, com ajustes pontuais nos itinerários. Praça terá garagem subterrânea e mudanças nas ruas do entorno Com a retirada do terminal, a área hoje destinada aos ônibus será incorporada à esplanada do Centro Administrativo.

Segundo Afif, a intenção é recuperar a continuidade da praça e manter o espaço aberto à população. Inaugurado em 1997, o Terminal Princesa Isabel tem 10,6 mil m² e ocupa praticamente metade da praça. A proposta também prevê a remoção das grades instaladas ao redor da área pública pela prefeitura.

Em 2022, o local foi cercado após sucessivas ocupações por usuários e traficantes de drogas, mas o governo afirma que pretende restabelecer o livre acesso ao espaço. Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26) "Nós vamos ganhar a praça por inteiro. A condição é abrir a praça.

O governo tem que estar onde o povo está", afirma o secretário de Projetos Estratégicos. Após a transferência dos ônibus, a concessionária dará início às escavações para a construção de uma garagem subterrânea com quatro pavimentos e capacidade para 1.043 veículos, conforme estabelecido em contrato. Ao todo, o complexo terá 4,5 mil vagas de estacionamento.

As intervenções também vão alterar a circulação no entorno. A Rua Guaianases deverá ser incorporada à área de convivência da praça, ampliando o espaço destinado aos pedestres. Já a Avenida Rio Branco continuará aberta ao tráfego de veículos, mas deverá passar por uma requalificação urbana.

A ideia é que a via e as calçadas tenham o mesmo nível, modelo adotado em áreas de prioridade para a mobilidade a pé.