Jockey Club de São Paulo, Hipódromo Cidade Jardim, inaugurado em 25 de janeiro de 1941, na Zona Oeste de SP ALF RIBEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO O Jockey Club de São Paulo afirmou nesta terça-feira (13) que pretende regularizar sua dívida tributária com a Prefeitura de São Paulo e apresentou um projeto de reformulação da entidade, com financiamento do banco BTG Pactual, para quitar débitos e manter as atividades do clube.

O anúncio foi feito durante uma reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Jockey Club, em andamento na Câmara Municipal desde novembro de 2025. A expectativa é pagar R$ 228 milhões à vista até 30 de outubro, com descontos oferecidos pela administração municipal. O valor original do débito tributário municipal é estimado em R$ 871 milhões.

A ideia da entidade é que o banco empreste dinheiro para que o Jockey quite suas dívidas, além de construir um novo clube privado para 14 mil sócios. O financiamento seria pago ao BTG Pactual com a venda dos títulos desse novo espaço (leia mais abaixo). 🔎 A CPI do Jockey Club foi instalada pela Câmara Municipal em novembro de 2025 para investigar os débitos da entidade e possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao restauro do patrimônio histórico do clube.

A comissão busca esclarecer a situação financeira da instituição e questões relacionadas às obrigações com o poder público. Agora no g1 Durante depoimento na comissão, o conselheiro de administração da entidade Renato Diniz Junqueira Filho apresentou aos vereadores um plano de regularização das dívidas e uma proposta de reestruturação do clube.

“Nosso objetivo é recuperar o Jockey Club de São Paulo, quitar todos os passivos que o Jockey tem, não só com o município, mas os demais passivos, e manter a atividade de turfe [esporte que promove e incentiva corridas de cavalos]”, disse. Segundo os cálculos da administração municipal citados na apresentação, a dívida tributária do Jockey com a Prefeitura gira em torno de R$ 871 milhões.

Com os descontos previstos no programa municipal de regularização de débitos para grandes devedores, a expectativa da entidade é reduzir o valor e quitar o montante até o fim deste mês. Junqueira, que assumiu em 2025 como conselheiro administrativo, disse que com o parcelamento da dívida a intenção é manter as atividades do Jockey clube e fazer uma reformulação do clube.

Na apresentação, ele afirmou que o passivo total do clube, ou seja, o conjunto de todas as suas dívidas, chega a cerca de R$ 1,3 bilhão, considerando dívidas com o município, a União e empresas. Segundo ele, o Jockey já chegou a ter 8 mil sócios e tem hoje menos de 600. O plano foi apresentado em meio à crise financeira enfrentada pelo Jockey Club há anos.

Em abril, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou o pedido de recuperação judicial da entidade ao entender que uma associação civil sem fins lucrativos não pode recorrer ao mecanismo previsto na Lei de Recuperação de Empresas e Falência (leia mais abaixo). Além do pagamento da divida com a Prefeitura de São Paulo, o projeto apresentado à CPI prevê a criação de um parque público com 85 mil metros quadrados (leia mais abaixo).

Financiamento do BTG Pactual O projeto apresentado aos vereadores prevê que o Jockey obtenha financiamento do BTG Pactual para quitar os débitos com os credores. A proposta é transferir as dívidas para o banco e pagar o financiamento com as receitas geradas pela operação do novo empreendimento. “Vamos construir um clube novo para cerca de 14 mil sócios.

Será um financiamento de projeto em que a dívida que o Jockey tem com o município e outros credores passa a ter com o BTG. A dívida vai ser paga com a operação do nosso projeto”, disse Junqueira. Segundo o conselheiro, a entidade também pretende emitir títulos para arrecadar recursos e quitar o financiamento bancário.

“Será um valor alto que quitaria todos os nossos passivos. Nós vamos emitir títulos desse novo clube e, com esse dinheiro arrecadado, vamos pagar o BTG”, afirmou aos vereadores. Junqueira assumiu o cargo de conselheiro de administração em 2025.

Durante a apresentação, ele afirmou que o Jockey já chegou a ter 8 mil sócios, mas atualmente conta com menos de 600. A reformulação, segundo ele, busca ampliar o número de associados e garantir a continuidade das atividades da entidade. Projeto prevê parque público Além da reformulação do clube privado, o projeto apresentado à CPI prevê a criação de um parque público com 85 mil metros quadrados, o equivalente a 8 campos de futebol e meio dentro da área interna das pistas do hipódromo.

O parque incluiria: Uma grande esplanada gramada; Áreas para crianças; Espaços para animais de estimação; Bosques e trilhas; Lagoas de contenção de água da chuva; Integração com as áreas abertas ao público que já existem nas tribunas. O projeto também prevê um túnel sob a pista para conectar o parque às áreas sociais e de lazer abertas ao público.

A proposta foi apresentada aos vereadores durante a reunião, mas as informações fornecidas não detalham o cronograma de implantação do parque nem as condições de acesso e manutenção da área pública. Justiça rejeitou pedido de recuperação judicial Em abril, o TJ-SP rejeitou o pedido de recuperação judicial da entidade ao entender que uma associação civil sem fins lucrativos não pode recorrer ao mecanismo previsto na Lei de Recuperação de Empresas e Falência.

Na ocasião, a decisão foi tomada pela 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, que acolheu recursos de credores contra decisões de primeira instância que haviam autorizado o processamento da recuperação judicial. Por maioria de votos, os desembargadores entenderam que a legislação restringe o mecanismo a empresários e sociedades empresárias. O tribunal também rejeitou a possibilidade de estender a aplicação da lei às associações por analogia.

Durante o processo, credores argumentaram que o pedido de recuperação judicial havia sido utilizado para suspender execuções de dívidas em andamento. CPI O Jockey Club de São Paulo enfrenta uma crise financeira há anos e acumula dívidas que, segundo a Câmara Municipal, chegam a cerca de R$ 870 milhões em tributos municipais, como IPTU e ISS.

Em novembro do ano passado, vereadores instalaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar débitos e possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao restauro do patrimônio histórico da entidade. CPI do Jockey Club começa a funcionar na Câmara Municipal * Sob supervisão de Cíntia Acayaba