Raimundo Nonato Carneiro, Masamy Eda (Pode), Hemyson Eda Rodrigues e Dagoberto Kunzler Machado Junior, indiciados pela PF. Reprodução Nove pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude em uma licitação no valor de quase R$ 4,3 milhões da Secretaria de Educação e Desporto (Seed) de Roraima. O caso é apurado pela Operação Raubritter e envolve a compra de material de limpeza e higiene para escolas estaduais indígenas do estado.
Entre os investigados, quatro são apontados como os principais articuladores do esquema: O ex-secretário de Educação do governo de Roraima, Raimundo Nonato Carneiro; o político e também empresário, Masamy Eda (Pode); o responsável pelo setor de logística da secretaria, Dagoberto Kunzler Machado Junior e Hemyson Eda Rodrigues, também empresário e primo de Masamy. Em nota, a defesa de Masamy Eda afirmou que o indiciamento não representa culpa e informou que vai comprovar a inocência do político na Justiça.
Os advogados declararam que preferem não comentar detalhes da apuração neste momento por respeito à própria investigação. A defesa de Dagoberto Kunzler Machado Junior declarou que ele não cometeu nenhuma irregularidade e sempre atuou com legalidade no serviço público. O texto reforça que o indiciamento não é uma condenação e que os devidos esclarecimentos serão apresentados ao longo do processo.
A defesa de Hemyson Eda também negou qualquer simulação de concorrência ou prejuízo aos cofres públicos e destacou que todos os produtos contratados foram entregues com a devida documentação. Os advogados ressaltaram ainda que a empresa atua no mercado há 33 anos e que o empresário colabora com as autoridades desde o início das investigações. A Seed informou que o Raimundo Nonato não assinou o contrato ou fez pagamentos relativos à licitação.
Alegou que o processo foi iniciado na gestão dele, mas seguiu a legislação vigente. Ressaltou ainda que, após a exoneração de Mesquita, as etapas posteriores, como ordem de serviço e pagamentos, foram conduzidas por um novo gestor da pasta, e que os esclarecimentos estão sendo apresentados à Justiça. O que a polícia apurou Segundo a investigação, à qual o g1 teve acesso, boa parte dos produtos pagos pelo governo do estado nunca chegou a ser efetivamente fornecida.
O prejuízo aos cofres públicos estimado pela Polícia Federal é de pelo menos R$ 4.079.490,37. A apuração começou a partir de uma denúncia anônima sobre um pregão eletrônico realizado em janeiro de 2023 pela Seed para comprar insumos de limpeza destinados a escolas indígenas do estado. Segundo a polícia, a licitação foi montada de forma a favorecer uma única empresa, batizada de Pátio dos Carros (depois renomeada para H E Rodrigues), ligada a Hemyson Eda Rodrigues.
Entre os indícios de fraude apontados pelos investigadores estão: A compra foi feita em lote único, o que, segundo a PF, reduziu a concorrência sem justificativa técnica válida; A empresa vencedora apresentou um atestado de capacidade técnica com indícios de falsidade, usado para comprovar experiência que ela não tinha; Duas concorrentes que ofereceram propostas mais baratas foram desclassificadas por critérios que, segundo a PF, não se aplicavam à vencedora; Uma nota fiscal registrou a entrega de quase 460 mil unidades de produtos em um único dia, volume considerado incompatível com a capacidade real da empresa e de seus fornecedores.
Para chegar ao valor do prejuízo aos cofres públicos, os investigadores analisaram as notas fiscais do principal fornecedor do esquema. A PF calculou como "entregue" todo e qualquer produto que o fornecedor pudesse comprovar ter em estoque. Mesmo assim, a polícia descobriu que a empresa só tinha o equivalente a cerca de R$ 218 mil em materiais de limpeza, o que representa apenas 5% dos R$ 4,29 milhões que o governo do estado pagou pelo contrato.
A diferença entre o que existia no papel e o que de fato existia no estoque é o prejuízo milionário de mais de R$ 4 milhões, apontado na investigação.
O papel de cada indiciado, segundo a investigação: Hemyson Eda Rodrigues: primo de Masamy Eda, era o dono da empresa que venceu a licitação e o principal beneficiário do esquema; Masamy Eda: teria participado da disputa com outra empresa, apresentando uma proposta em valor idêntico ao da vencedora e depois desistindo da disputa, o que teria ajudado a dar aparência de concorrência real ao processo; Raimundo Nonato Carneiro: então secretário de Educação, é apontado como responsável por justificativas técnicas usadas para validar a compra em lote único e por manter a decisão que manteve a empresa na disputa mesmo após irregularidades no atestado técnico apontadas por concorrentes; Dagoberto Kunzler Machado Junior: como responsável pela Logística da pasta, teria determinado que servidoras responsáveis por conferir a entrega dos produtos assinassem o recebimento mesmo sem terem conferido todo o material.
Os crimes apontados Ao todo, a Polícia Federal indiciou nove pessoas na operação. Entre os quatro alvos citados na reportagem, os crimes foram divididos de acordo com a participação de cada um no esquema: Hemyson Eda Rodrigues: associação criminosa, fraude na licitação, fraude na execução do contrato e inserção de informação falsa em documentos; Masamy Eda e Raimundo Nonato Carneiro: suspeita de associação criminosa e fraude na licitação; Dagoberto Kunzler Machado Junior: suspeita de fraude na execução do contrato.
Outra operação Esta não é a primeira apuração da PF envolvendo a Seed-RR e membros da família Eda. Em janeiro de 2026, a PF deflagrou a 2ª fase da Operação Escama, que apurava esquemas de fraude em licitações para o fornecimento de merenda escolar no estado. As investigações indicaram que empresas sem histórico no setor teriam sido beneficiadas e recebido pagamentos sem a confirmação de entrega dos alimentos, culminando no bloqueio judicial de R$ 45,3 milhões em bens dos envolvidos.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Escama, o ex-deputado estadual Masamy Eda foi preso em flagrante por fraude processual ao arremessar o próprio celular pela janela de casa para tentar ocultar o aparelho dos agentes federais. Hemyson Eda, também figurou como alvo dos mandados da operação. À época, a defesa de Masamy declarou que o ex-parlamentar atuou rigorosamente dentro dos limites da lei e defendeu o arquivamento do caso por falta de provas.
🔎 Masamy Eda foi eleito deputado estadual nas eleições de 2014. O mandato dele foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) em novembro de 2016, por abuso de poder econômico e compra de votos. Ele está concorrendo ao cargo de deputado estadual novamente em 2026.
Ex-deputado e primo são alvos da PF por fraude em licitações de merenda escolar em Roraima Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.



