Polícia conclui que morte de jovem em Patos de Minas foi motivada por homofobia Brayan Rosa de Oliveira, de 19 anos, foi condenado a 20 anos de prisão, em regime inicial fechado, por ajudar e incentivar um adolescente de 17 anos a matar Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Segundo o Ministério Público (MP), o crime foi motivado por homofobia, após a vítima manifestar o desejo de manter uma relação homoafetiva com os autores, em fevereiro deste ano.

A sentença, à qual o g1 teve acesso, foi publicada na última terça-feira (6), após cerca de 10 horas de julgamento no Tribunal do Júri. Por meio de nota, a defesa de Brayan afirma que ele é inocente, com base nas provas dos autos e já entrou com recurso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp O nome do adolescente foi preservado por se tratar de menor de idade.

Ele teve o procedimento encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude e permanecia apreendido, até a última atualização. A redação aguarda retorno da pasta. Brayan foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de corrupção de menores.

De acordo com a decisão, ele não poderá recorrer em liberdade. Bryan permanece preso desde a decretação da prisão preventiva. Durante o julgamento, a defesa pediu a absolvição por falta de provas e negou que o réu tenha contribuído para a morte de Kennedy.

Em depoimento, Brayan afirmou que estava no local apenas para fumar, que não tinha conhecimento de qualquer plano para matar a vítima e que a decisão e a execução do crime partiram exclusivamente do adolescente. Julgamento Kennedy Rodrigues Campos prestava serviços na UPA de Patos de Minas Reprodução/Redes Sociais Durante o júri, foram ouvidas três testemunhas: o delegado responsável pela investigação, um policial militar que atuou no caso e uma vizinha da vítima.

Ela relatou ter ouvido uma discussão no apartamento de Kennedy na noite do crime e afirmou que, no dia seguinte, encontrou manchas de sangue no imóvel. Segundo a denúncia do Ministério Público, o adolescente esfaqueou o pescoço da vítima enquanto Brayan a segurava e tapava sua boca para impedir que reagisse. A acusação sustenta ainda que Brayan já havia incentivado o adolescente a matar Kennedy em ocasiões anteriores, com falas como: "Pega ele, bora, Zé, enforca ele até matar".

Além disso, na sentença, o juiz citou mensagens retiradas do celular do adolescente que, segundo a Justiça, demonstram que o crime foi combinado. Por volta das 15h do dia do crime, Brayan teria enviado a mensagem: "Nós tem que matar ele mesmo viu", recebendo uma resposta de concordância. O magistrado também considerou como circunstância agravante o fato de o crime ter sido cometido dentro da residência da vítima, durante a madrugada.

Conforme mensagens encontradas no celular de Kennedy, ele havia demonstrado insegurança e receio em receber os dois no local. Por maioria dos votos, os jurados reconheceram a participação de Brayan e rejeitaram as teses apresentadas pela defesa, entre elas a de que o réu teria agido sob violenta emoção após provocação da vítima.

Vizinha ouviu briga na noite do crime O crime foi descoberto na manhã do dia 10 de fevereiro, após uma vizinha acionar a Polícia Militar (PM) ao perceber manchas de sangue no corredor do prédio. Segundo a PM, a testemunha relatou que, por volta das 2h30, ouviu gritos e barulhos intensos vindos do apartamento da vítima e, em seguida, percebeu pessoas deixando o local às pressas. Pela manhã, ao sair de casa, notou a porta do imóvel entreaberta e sinais de sangue, o que motivou o chamado à polícia.

No apartamento, os militares encontraram a vítima caída em um dos quartos, já sem vida, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo. Próximo ao corpo foram localizadas duas facas e um celular. Outra faca foi encontrada com manchas de sangue no corredor.

PM esteve no local do crime para fazer a reconstituição Toninho Cury/Reprodução Prisões Durante as investigações, os policiais apuraram que os dois suspeitos foram convidados pela vítima para ir ao apartamento na noite do crime. Foi então que as equipes chegaram a uma residência onde localizaram o jovem de 19 anos e o adolescente de 17 anos. Ambos confessaram participação no homicídio.

O maior de idade foi preso, e o adolescente apreendido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, acompanhado pelo pai. Os celulares dos envolvidos também foram apreendidos para investigação. Em depoimento, os suspeitos relataram que chegaram ao apartamento por volta das 22h, onde passaram a consumir bebidas alcoólicas e drogas.

Segundo as versões apresentadas à polícia, após se acomodarem em um dos quartos, Kennedy teria feito insinuações de cunho sexual e tocou nas nádegas de um dos suspeitos. Após o crime, os dois fugiram do apartamento, se esconderam em uma construção próxima e, ao amanhecer, solicitaram um carro por aplicativo para deixar o local.

Leia também: Dona de casa mata marido com faca de cozinha após briga Após término e demissão, homem invade empresa e esfaqueia ex-mulher Mulher é esfaqueada dentro de hipermercado Investigação A Polícia Civil informou que uma equipe da Delegacia de Homicídios de Patos de Minas esteve no local para os trabalhos iniciais de apuração e perícia criminal. Ao todo, oito depoimentos foram colhidos por meio do sistema de Oitiva Virtual Móvel (OVM).

Com a colaboração de um dos envolvidos, também foi realizada a reconstituição do crime. Quem era a vítima Kennedy morava em Patos de Minas onde prestava serviços na Unidade de Pronto Atendimento da cidade. Em nota, a empresa Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba, afirmou que "Kennedy atuava com dedicação, compromisso e humanidade, exercendo a enfermagem com responsabilidade, zelo e profundo respeito às pessoas".

O velório de Kennedy aconteceu no Memorial Vita, em Patos de Minas, e o seu sepultamento foi no dia 11 de fevereiro. *Estagiária sob supervisão de Adreana Oliveira VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo