O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), contratou o Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina da Gama, para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital paulista.

Reprodução/TV Globo O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse nesta segunda-feira (14) que, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) determine o fim do contrato de wi-fi do município com a ONG da empresária Karina da Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), ele terá que encerrar o serviço na periferia da capital paulista.

Em mensagem de Whatsapp, Nunes afirmou que o fim da parceria da Secretaria de Inovação e Tecnologia com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina da Gama, significa que a gestão municipal terá que iniciar do zero a busca por uma nova empresa para gerir o serviço na cidade. “A Prodam [empresa de processamentos de dados municipais] não consegue fazer [o serviço] com valor de R$ 1.260 por ponto. Vou ter que cancelar e fazer outro chamamento.

Serviço igual que foi feito pela Prodam tem valor de R$ 6.699,99 por ponto”, afirmou o prefeito de SP. Em junho de 2024, a ONG de Karina da Gama assinou um contrato de R$ 108 milhões com a gestão municipal para instalar 5 mil pontos de internet gratuita nas áreas periféricas da cidade. A entidade da produtora do filme sobre Bolsonaro só instalou 3.200 pontos e recebeu em dois anos, até maio, R$ 113,9 milhões da prefeitura para executar o serviço.

Flávio Dino retira sigilo de investigação sobre produtora de Dark Horse O contrato está sendo investigado pela Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos públicos para financiar o filme sobre o ex-presidente (veja mais abaixo). Em decisão de 3 de setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que todos os pagamentos com dinheiro público feito às entidades ligadas à Karina da Gama devem ser paralisados.

Nesta segunda, a Procuradoria da Prefeitura de São Paulo enviou um pedido a Flávio Dino para reconsiderar a decisão. Segundo a prefeitura, a suspensão abrupta pode trazer prejuízo. O pedido é para que o ICB execute somente este contrato ou que seja dado um prazo maior para mudar a empresa.

Suspeitas de desvio de recursos Flávio Dino retira sigilo de investigação do caso ‘Dark Horse’ Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou "consistentes suspeitas" de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP", contratado por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme "Dark Horse" — sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O documento se tornou público neste domingo (13) depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.

"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo", diz o relatório.

A produtora Karina Ferreira da Gama, que participou da produção do filme, é apontada pelos investigadores como a principal figura por trás das entidades e empresas que aparecem na apuração. Frias seria líder de esquema de desvios, diz Dino Karina preside o ICB, organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme "Dark Horse".

Segundo a investigação, a relação entre o ICB, a Go Up e outras entidades ligadas a Karina está no centro das suspeitas de confusão patrimonial e desvio de recursos públicos. A Polícia Civil paulista também aponta, no relatório, que o Tribunal de Contas de São Paulo teria apontado ao menos 20 irregularidades graves no edital público que resultou na contratação para fornecimento de wi-fi.

"Dentre as principais vedações ignoradas pela pasta municipal, destaca-se que o edital utilizou critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações", acrescentou. A Polícia Civil de SP aponta também vício, ou seja, uma falha de origem no processo de seleção e disparidade de custos.

Informa que, enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do próprio município o custo de R$ 230 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800 por ponto. Dino retira sigilo de inquérito sobre Dark Horse "Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal", diz relatório da Polícia Civil.

"Verificou-se, ainda, no conteúdo das informações, a notícia de que durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi consideravelmente antecipada por interferência política direta, alcançando 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. No entanto, após o encerramento do certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente, atingindo apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados", completou o documento.

Com base em balanço, a polícia informou que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelos meses em que houve o fornecimento efetivo de internet aos pontos ativos. Entretanto, observou que foram transferidos R$ 69 milhões, resultando em uma "diferença flagrante" de R$ 26 milhões pagos por serviços não prestados. Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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