Um ano após crise do metanol, investigações avançam, mas ainda há mortes no país por intoxicação Um ano após a crise provocada por bebidas contaminadas com metanol em São Paulo, novos episódios de intoxicação registrados em diferentes estados do país voltaram a acender o alerta sobre os riscos da falsificação de bebidas alcoólicas e levantaram questionamentos sobre a eficácia da fiscalização e da punição aos envolvidos nesse mercado clandestino.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que, em 2025, foram confirmados 73 casos de intoxicação por metanol associados a bebidas adulteradas, com 25 mortes. Em 2026, até meados de agosto, haviam sido registrados 17 casos confirmados e outros 23 em investigação. Secretarias estaduais de Saúde confirmaram ainda sete mortes neste ano.
Um dos casos mais recentes ocorreu em São Félix do Araguaia (MT). Ana Caroline, de 31 anos, passou mal após consumir uísque durante uma confraternização com amigos. A família acreditou inicialmente que se tratava de uma ressaca, mas a paciente apresentou agravamento rápido do quadro e chegou a relatar dificuldades para enxergar.
Segundo médicos que acompanharam o caso, a suspeita de intoxicação por metanol surgiu após os sintomas visuais. Durante a transferência para uma unidade de maior complexidade, Ana Caroline sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. Um ano após crise do metanol, investigação revela cadeia de falsificação Mercado clandestino Especialistas afirmam que os casos revelam a dimensão do mercado ilegal de bebidas falsificadas no país.
De acordo com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), o número de operações de combate à falsificação quadruplicou após a crise do metanol. Apesar disso, representantes do setor apontam dificuldades para responsabilizar os envolvidos. Dados da entidade mostram que, entre 2015 e 2026, foram registrados 605 procedimentos penais e investigações relacionados à falsificação de bebidas.
Desse total, apenas 16 pessoas permanecem presas. Para a presidente-executiva da Abrabe, Cristiane Foja, a origem dos produtos continua sendo o principal fator de segurança para o consumidor. "A regra de ouro é a origem.
Bebida legal tem origem, tem documentação, tem nota fiscal, tem número de lote", afirmou. 'Eu fiquei cego aos 55 anos': vítimas de bebidas com metanol convivem com sequelas permanentes, um ano depois Investigação em São Paulo Na capital paulista, pelo menos seis inquéritos conduzidos por delegacias diferentes acabaram convergindo para uma mesma rede suspeita de produzir e distribuir bebidas adulteradas. A investigação teve início após as mortes de consumidores que ingeriram vodca contaminada.
A polícia identificou uma cadeia de envolvidos que incluía fabricantes clandestinos, fornecedores de garrafas reutilizadas e distribuidores. Apesar dos avanços, a origem do metanol utilizado nas bebidas ainda não foi esclarecida. Segundo a delegada responsável pelas investigações, a procedência do produto segue sob análise.
Alerta permanente Para vítimas e familiares, a continuidade dos casos mostra que o problema está longe de ser resolvido. "Está acontecendo casos ainda, ainda tem gente morrendo e a gente não tem resposta", afirmou a designer de interiores Radharani Domingos, uma das sobreviventes da crise. Enquanto as investigações prosseguem, especialistas reforçam a importância de verificar a procedência das bebidas, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e exigir nota fiscal na compra de produtos alcoólicos.
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