Artista larga emprego para viver pintando retratos de pets Largar tudo e viver de arte: o sonho de muita gente é a realidade da rondoniense Ana Paula da Silva há pouco mais de um ano. Atualmente ela fatura cerca de três salários mínimos por mês e tem a agenda de encomendas fechada até março de 2027. A artista uniu o amor pela pintura à paixão pelos pets.
“Há um ano, a arte da pintura chegou para mim como um presente. Estou pintando desde então e vivendo exclusivamente disso”, revela Ana. O trabalho de Ana Paula é focado em animais de estimação, nicho conhecido como arte pet.
Sob encomenda de tutores, ela produz retratos personalizados de cães e gatos, eternizando os bichos em obras exclusivas e realistas. Ana percebeu que a internet seria uma grande vitrine. A presença digital fez o trabalho alcançar lugares inesperados.
Um dos vídeos furou a bolha, e as visualizações dispararam. Cerca de 90% das encomendas chegam pelas redes sociais. “Eu fico muito grata porque as pessoas estão reconhecendo a arte.
No começo, eu ainda ficava: ‘Ai, meu Deus, eu não acredito!’ Quando bateu 200 mil, depois do primeiro milhão [de visualizações no instagram], eu fiquei louca”, conta Ana. A arte continuou atravessando fronteiras e a conquista mais recente foi a primeira encomenda internacional, enviada para Portugal. “Foi muito especial.
Foi uma cliente muito querida. A gente tem o mesmo sobrenome e se chama de prima agora. Viramos amigas”, conta.
LEIA TAMBÉM: Corpo cai de veículo do IML durante transporte em rua de Porto Velho Hospital Universitário é entregue para atender pacientes pelo SUS De brincadeira à profissão A vontade de se dedicar aos pincéis e às tintas surgiu depois que ela e o esposo decidiram aderir a uma trend nas redes sociais e gravar um vídeo. Ana gostou tanto da experiência, que começou usando os próprios felinos como modelos: Jubileu, Juruba e Chiquinho. No início a artista não tinha muita técnica e usava tinta guache.
Mesmo sem gostar do resultado inicial, continuou estudando e procurando um sinal para saber se deveria realmente investir na pintura. “Eu pintei os meus gatos, não gostei muito do resultado e procurei estudar sobre. Começaram a aparecer vários cursos e estou onde estou hoje por conta do meu estudo e dedicação”, conta a artista.
Gato (Jubileu) de Ana usado como referência para prática da pintura (evolução) Mateus Santos/g1 Rondônia Ponto de apoio Os primeiros clientes foram familiares e amigos, que encomendaram as pinturas e incentivaram a criação da empresa Arte e Carinho. O apoio do marido também foi essencial para transformar o hobby em negócio. Fred percebeu o potencial do empreendimento ao ver a evolução da esposa.
Ele passou a ajudá-la com noções de organização e planejamento financeiro. “Foi natural para eu dar esse direcionamento para ela e para ela conseguir ver resultado no trabalho, o que é muito importante, porque faz muitos artistas acabarem desistindo do sonho”, conta Fred. Para Ana, o marido se tornou o principal pilar na estruturação da empresa.
“Ele é o meu anjo na minha vida. Me apoia desde o primeiro dia e é educador financeiro. Então, quem me dá essa noção de empresa que eu tenho, o CNPJ, o que fazer e como fazer, é ele.
Tenho esse suporte 100% e sou muito grata”, declara Ana. Alguns dos trabalhos realizados por Ana em Porto Velho Reproduação/Redes sociais Rotina de trabalho Para fazer o empreendimento funcionar, Ana precisa dividir o tempo entre a produção das obras, atendimento aos clientes, organização, produção de conteúdo, embalagem e envio das encomendas. Ela conta que, em alguns dias, chega a trabalhar mais de 12 horas.
Para manter a concentração, adotou uma rotina sem telas e notificações durante a pintura, que exige muita atenção aos detalhes. Para não se sentir cansada nas três horas reservadas à pintura, ela usa o método Pomodoro, conhecido na época em que estudava para concursos. “Faço o método Pomodoro, da época em que estudava para concurso: 50 minutos, 10 de descanso, mais 50 e depois 20 minutos.
O tempo passa, a gente pinta rápido e nem vê. É a forma que consigo me organizar: celular de lado e foco na pintura”, explica. No restante do tempo, ela alimenta planilhas, busca referências, grava vídeos e vai aos Correios.
Tudo é guiado por uma agenda semanal. Em pouco mais de um ano, o negócio ultrapassou R$ 50 mil em faturamento, embora Ana considere que a empresa ainda está em fase de consolidação. Com a agenda cheia e clientes espalhados pelo mundo, a brincadeira do TikTok virou uma nova profissão.
Para Ana, deixar o emprego formal para viver da arte já valeu a pena. Ana Paula da Silva, artista e empreendedora de Porto Velho Mateus Santos/g1 RO Ana deixa o celular no "Foco na pintura! durante o trabalho Mateus Santos/g1 RO Ana Paula da Silva, artista e empreendedora de Porto Velho Mateus Santos/g1 RO Processo de alguns dos trabalhos realizados por Ana em Porto Velho Mateus Santos/g1 RO



