Entidades ambientalistas criticaram nesta terça-feira (20) uma declaração do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República, sobre acabar com o que chamou de "entraves ambientais" para permitir que produtores façam "o que quiserem" em suas terras. Flávio fez a afirmação nesta segunda (19), ao participar de um ato de campanha com apoiadores em Marabá (PA). Ele cumpriu compromissos nos estados do Pará e do Amazonas, onde busca ampliar os votos em relação ao primeiro turno.
"Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu e a sua terra vai ser sua pessoa no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra, e o que você explorar da terra é seu.
Esses entraves que existem, ambientais, e principalmente por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar”, disse Flávio no evento. Para o Instituto Socioambiental (ISA), Flávio Bolsonaro reproduziu "o discurso mais atrasado" sobre a Amazônia, tratando a região como uma área em que pode haver desmatamento para viabilizar o aumento da produção agropecuária. “Desconsidera tudo que a ciência e a experiência dos povos e comunidades tradicionais já comprovaram.
O valor da Amazônia está na floresta em pé e nos serviços ambientais que ela presta. No contexto das mudanças climáticas, a Amazônia é única no mundo e tratá-la como uma área qualquer a ser ocupada em um modelo predatório e de baixa inovação é voltar à década de 1970, conhecida como a década da destruição”, afirmou o ISA.
Flávio Bolsonaro fez campanha no Norte Na mesma linha, a coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, afirma que o meio ambiente não deve ser tratado como uma questão "ideológica" ou "oportunista", pois a preservação envolve toda a sociedade. “Recentemente, celebramos a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde o início da série histórica, em 1988.
Estes bons resultados na queda do desmatamento vistos desde 2023 estão ameaçados pela eleição de um negacionista que vê o meio ambiente como ideologia”, afirmou Cristiane. "Proteções ambientais não são 'entraves'. O que o candidato Flávio Bolsonaro vê como 'entrave' é, na prática, a garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações […] e a proteção contra danos irreversíveis ao clima, à biodiversidade e à natureza”, emendou.
Passar a 'boiada' Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2023), pai de Flávio, se tornou pública uma frase dita pelo então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto. Na ocasião, Salles sugeriu a Bolsonaro que adotasse medidas para passar a "boiada" na regulamentação ambiental.
Na ocasião, ele argumentou que era o momento de o então governo Bolsonaro adotar medidas que flexibilizassem as regras ambientais enquanto a atenção da população estava voltada ao noticiário sobre a pandemia da Covid-19. Recordando essa declaração de Salles, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, avaliou que a afirmação de Flávio Bolsonaro durante o ato de campanha nesta segunda-feira representa um "risco" de o Brasil retomar as ideias de Jair Bolsonaro no meio ambiente.
"É o risco de voltarmos aos tempos do governo Bolsonaro, os mais sombrios da história para a agenda ambiental, onde a proteção ao meio ambiente era tratada como inimiga e o desmatamento era política de governo”, declarou. Flávio Bolsonaro (PL) durante evento com apoiadores em Manaus na noite de segunda-feira (19). Patrick Marques/g1 AM



