Hospital Manoel Marinho Monte, em Plácido de Castro, onde farmacêutico bioquímico investigado trabalha Prefeitura de Plácido de Castro Uma técnica de laboratório do Hospital Dr. Manoel Marinho Monte, em Plácido de Castro, interior do Acre, denuncia sofrer assédio moral há cerca de três anos e afirma que o problema continuou mesmo após uma recomendação do Ministério Público do Acre (MP-AC) para afastamento farmacêutico bioquímico José Wagner de Melo Maia.
Segundo a profissional, que pediu para não ser identificada, os episódios contribuíram para o desenvolvimento de depressão, ansiedade generalizada e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ao g1, a servidora relatou que trabalha na unidade desde 2014 e que os episódios começaram em 2023.
O farmacêutico bioquímico José Wagner de Melo Maia, que já foi alvo de uma recomendação do MP-AC para afastamento do cargo em razão de denúncias semelhantes, é apontado por ela como o responsável pela perseguição. Assédio moral e assédio sexual: entenda como reconhecer agressões no ambiente de trabalho "Eu suportei isso por anos de sofrimento. Ele me acusava alegando que o aumento da demanda acontecia apenas porque eu cadastrava os pacientes.
Na hora de cobrar, alterava o tom de voz e me deixava muito triste. Às vezes, eu também aumentava o meu tom de voz, exigindo que ele me respeitasse", relembrou. O farmacêutico chegou a ter o afastamento preventivo determinado e também foi alvo de um processo administrativo disciplinar (PAD), instaurado em julho deste ano para apurar as denúncias.
Ao g1, José Wagner negou as acusações e atribuiu a uma possível perseguição interna. "Essas falsas denúncias aconteceram após eu ter procurado a direção do hospital e o prefeito para denunciar o plantão do laboratório que não era realizado, mas que pessoas recebiam como estivessem trabalhando e isso acontecia com permissão do hospital", disse.
(Veja mais abaixo) Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que, como medida administrativa, os profissionais passaram a atuar em escalas e pavilhões distintos, a fim de evitar contato direto e preservar o ambiente de trabalho. (Veja a nota completa abaixo) Registros e denúncias Ainda de acordo com a servidora, uma enfermeira da unidade registrou uma notificação de violência após perceber seu abalo emocional, o que a incentivou a formalizar a denúncia.
"Ela disse: 'Isso é uma violência que está acontecendo com você. Estou percebendo que está visivelmente abalada e está doente, você não está bem'. Aí eu tive um choque de realidade e fiz um boletim de ocorrência", relatou.
LEIA MAIS: Biomédico de hospital do Acre é investigado por assédio moral; MP recomenda afastamento Oito pessoas denunciaram superintendente da RBTrans por assédio moral em Rio Branco A técnica informou que registrou ocorrência policial após o episódio, que fez novas denúncias em 2025 e novamente neste mês. Segundo ela, as perseguições continuaram mesmo após os registros. A servidora afirma possuir áudios de reuniões, documentos médicos e testemunhas que corroborariam os fatos relatados.
Entre as situações denunciadas, ela cita constrangimentos, perseguições e episódios de difamação ocorridos ao longo dos últimos anos. "A primeira vez que ele gritou comigo já mandou eu tomar naquele lugar, na frente de outra técnica de laboratório e de outras pessoas que estavam no hospital. Eu comecei a chorar.
Foi nesse clima tóxico que fui desenvolvendo todo esse transtorno", disse. Efeitos na saúde Ainda conforme a técnica de laboratório, após os episódios ela começou a apresentar problemas de saúde mental e foi diagnosticada no último dia 15 de agosto com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), além da ansiedade e depressão. Devido ao agravamento do quadro de saúde, ela afirma que faz acompanhamento no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) e utiliza medicação controlada.
Preocupada com a situação, ela ainda entrou com uma perícia médica da AcrePrevidência, mas segue no aguardo do resultado. "Cheguei a passar mal, tive taquicardia, sentia um aperto no peito e chorava por tudo, pois tudo me lembrava esses episódios traumáticos. Cheguei a pegar afastamento mas quando voltava, a situação sempre voltava com esse farmacêutico para comigo", declarou.
A mulher declarou que não busca privilégios, mas que o caso seja investigado e que sejam adotadas medidas para garantir proteção no ambiente de trabalho. Ela também pede que a situação seja utilizada para dar visibilidade a outros servidores que passam por situações semelhantes. Segundo a técnica, os episódios afetaram diretamente sua saúde mental.
Ela afirma ter recebido diagnóstico de ansiedade generalizada e depressão e, mais recentemente, em 15 de agosto deste ano, de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A servidora relata que faz acompanhamento no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), utiliza medicação controlada e aguarda o resultado de uma perícia médica solicitada à AcrePrevidência. "Cheguei a passar mal, tive taquicardia, sentia um aperto no peito e chorava por tudo, porque tudo me lembrava esses episódios traumáticos.
Cheguei a me afastar do trabalho, mas quando retornava os problemas reapareciam", afirmou. Apesar de ter sido remanejada para outro setor, a técnica diz que ainda encontra o colega nos corredores, no refeitório e em outros espaços da unidade, situação que, segundo ela, contribui para o agravamento do quadro emocional. Segundo a servidora, embora o MP-AC tenha recomendado o afastamento do bioquímico, a medida não foi cumprida pela Sesacre.
Ela afirma que, em vez disso, foi transferida para outro setor. Como começou o conflito A técnica conta que já era servidora concursada quando passou a auxiliar o farmacêutico em algumas atividades do laboratório. Um dos episódios que mais a marcaram, segundo ela, ocorreu durante uma discussão sobre a análise de um exame.
Ela relata que os dois divergiram sobre a grafia de um termo técnico durante uma conversa de trabalho. "Eu falei: 'Acho que é com cedilha'. Aí ele disse: 'Será que é com cedilha mesmo?
Eu acho que é com dois esses'. Eu respondi: 'Então, você que sabe, porque você é professor e eu não sou, mas escrevo com cedilha'. Ele me xingou, comecei a chorar, fiquei muito nervosa e saí da sala", contou.
Após o episódio, segundo a servidora, o colega chegou a pedir desculpas. Mesmo assim, ela diz que passou a temê-lo e que a situação piorou quando ele assumiu a chefia do laboratório. "Eu perdoei, mas fiquei com medo dele.
Depois ele passou a ser chefe do laboratório e ficou pior. Começou a impor as ordens dele e foi o período em que mais sofremos, eu e outra servidora", afirmou. Outro motivo de conflito, segundo a técnica, envolvia o atendimento aos pacientes.
Ela relata que os profissionais distribuíam fichas de acordo com a ordem de chegada, observando prioridades legais, mas que a dinâmica mudou após o colega assumir o comando do setor. "Antes ele aceitava numa boa. Depois que passou a ser chefe, começou a limitar.
Não deixava a gente acrescentar ninguém. Se precisasse, ele ficava muito irritado e queria que falasse diretamente com ele. Aquilo foi virando uma bola de neve", disse.
O que diz o farmacêutico José Wagner de Melo Maia afirmou que é vítima de perseguição no ambiente de trabalho. Segundo ele, a escala de plantões noturnos não era divulgada no mural do hospital e não havia registro de produtividade durante esses períodos. O servidor disse ainda que era acionado eventualmente para atender exames de urgência e que considerava ter essa responsabilidade em razão da decisão administrativa que havia recebido anteriormente.
O suspeito também contestou o funcionamento dos plantões. "Há diferenças entre as escalas e as atividades de alguns setores do hospital. Sobre a denúncia de assédio, na realidade, eu que sofro perseguição, pois ela distribui fichas, aumenta a demanda do laboratório e provoca sobrecarga" diz.
José Wagner também criticou a forma como o caso vem sendo divulgado e defendeu uma apuração presencial no hospital. “O hospital de Plácido não é nenhuma novidade com esse tipo de desvios. É preciso uma investigação aqui para verificar in loco pois não está sendo fácil para mim", destacou.
O homem afirmou ainda que a divulgação da recomendação do MP-AC fez com que ele tivesse crise de ansidade. "A publicação dessa recomendação foi com intuito de terrorismo psicológico e desde então vivo em tormento e já sofri muito, pois me trouxe danos psicológicos", declarou. Além disso, o farmacêutico levantou hipóteses sobre possíveis motivações pessoais para os conflitos, mas não apresentou comprovação dessas afirmações.
"Não sou psicólogo, mas essa pessoa acusadora possui esse perfil e é necessário ela passar por uma junta médica para avaliação", afirma. O profissional afirmou por fim, que o hospital teria se aproveitado do conflito entre os dois. "Ela vem infernizando minha vida há muito tempo, talvez por ela carregar uma frustração de não ser analista no laboratório e o grupo da direção do hospital aproveitou da situação", declarou.
Nota da Sesacre A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informa que a situação envolvendo os servidores do Hospital Dr. Manoel Marinho Monte, em Plácido de Castro, já havia sido analisada e acompanhada em conjunto com o Ministério Público, que posteriormente arquivou a denúncia após as providências adotadas. Como medida administrativa, os profissionais envolvidos passaram a atuar em escalas e pavilhões distintos, de forma a evitar o contato direto entre eles e preservar o ambiente de trabalho.
Diante da nova denúncia apresentada pela servidora, a Sesacre informa que irá apurar novamente os fatos e avaliar as medidas administrativas cabíveis, conforme os procedimentos legais e institucionais. VÍDEOS: g1



