Terra Indígena Paraná do Arauató, no Amazonas. Liam Cavalcante/Rede Amazônica Moradores da Terra Indígena Paraná do Arauató, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, relatam a morte de animais silvestres e problemas de saúde causados pela fumaça de um incêndio que avança há mais de 40 dias na região do Rio Urubu. O fogo já atingiu parte do território tradicional do povo Mura e segue sendo combatido por equipes estaduais e federais.
A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, que também atua como agente indígena de saúde, acompanha a situação e lamenta os impactos sobre a floresta e a fauna. "Dá pena de ver os bichos morrer. Preguiça, pássaros que vão fugindo do fogo e vão se acabando", relatou à Rede Amazônica.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo ela, o fogo se espalha mais rapidamente nas áreas próximas aos lagos, que ficam mais secos durante a estiagem. A fumaça também afeta os moradores das aldeias, especialmente idosos e pessoas com problemas de saúde. "É difícil.
[...] Causa tosse seca, alergia. É o dano que a fumaça causa nos idosos, nos hipertensos", afirma. Além dos impactos à saúde, a cacica teme os efeitos da destruição da vegetação sobre o clima da região.
"Onde tem árvore é ventilado, é outro clima. E acabando com as árvores, essa quentura só aumenta", diz. Aeronaves reforçam combate ao fogo Enquanto o incêndio segue ativo, aeronaves reforçam o combate ao fogo.
Na quarta-feira (14), um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) sobrevoou a região do Rio Urubu e também atuou na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Sauim-de-Coleira, próxima a Novo Remanso, onde há outros focos de incêndio. O avião da Defesa Civil do Amazonas também opera na área desde segunda-feira (12). Apesar da gravidade da situação, dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam redução nos focos ativos em Itacoatiara.
O número caiu de 99 registros, na segunda (12), para 44 na quarta (14). Dez suspeitos foram identificados Em diferentes ocorrências registradas em Itacoatiara, dez suspeitos de provocar incêndios foram identificados e notificados pelos órgãos responsáveis. Durante uma operação na região do Incra 2, próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Sauim-de-Coleira, duas pessoas foram flagradas e notificadas.
A ação reuniu equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Defesa Civil de Itacoatiara, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. No local, materiais foram apreendidos e destruídos. Os casos foram encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Já o incêndio na região do Rio Urubu continua sendo investigado. Até a publicação desta reportagem, não havia suspeitos identificados. Preguiça é encontrada morta durante combate a incêndio Em outra ocorrência, na região da Vila de Lindóia, bombeiros encontraram uma preguiça morta durante uma operação na zona rural.
Os militares também localizaram sacas de carvão e controlaram um incêndio que avançava sobre uma área de mata. A suspeita de crime ambiental é investigada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Bicho-preguiça morto na região da Vila de Lindóia, afetada por incêndio.
Reprodução/Thales Acris Ibama intensifica combate às queimadas no Amazonas Diante do avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. Equipes realizam vistorias para verificar se as medidas de prevenção foram cumpridas. Parte dos responsáveis já foi autuada por descumprimento das determinações.
A força-tarefa federal concentra ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. Na terça-feira (13), o Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que suas equipes continuavam combatendo outros oito focos ativos. Para reforçar a operação, foram mobilizadas 11 aeronaves, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico.



