Uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management revelou que mais de 60% dos trabalhadores americanos recorrem a bicos e trabalhos paralelos para complementar renda Pexels A grana não está curta apenas no Brasil. Diante da alta do custo de vida e da dificuldade de acumular patrimônio, cada vez mais profissionais nos Estados Unidos recorrem a trabalhos freelancer, bicos e outras atividades para complementar a renda e manter as contas em dia.
É o que mostra uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management, realizada com 5.106 trabalhadores e aposentados dos Estados Unidos. Mais de 60% dos trabalhadores ouvidos já tiveram algum tipo de trabalho paralelo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem?
Envie para o g1 🔎 Entre os mais jovens, o movimento é ainda mais forte: 80% dos integrantes da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e 77% dos millennials (entre 1981 e 1996) afirmam já ter recorrido a uma segunda fonte de renda. Segundo a pesquisa, os trabalhos paralelos deixaram de ser apenas uma forma de ganhar mais para consumir ou realizar planos pessoais. Para muitos trabalhadores, tornaram-se uma necessidade.
Agora no g1 Entre os entrevistados que buscam renda extra por razões financeiras: 76% são da Geração Z; 73% são millennials; 72% são da Geração X. Esse cenário também indica que ter um emprego regular não garante segurança financeira. Mesmo com uma ocupação fixa, muitos profissionais têm dificuldade para comprar um imóvel, formar patrimônio ou guardar dinheiro para o futuro.
O problema não está necessariamente na falta de renda. Segundo o estudo, as despesas essenciais passaram a pesar mais no orçamento. 💰 Os custos com moradia e as despesas do dia a dia são apontados por 31% dos entrevistados como os principais obstáculos para poupar para a aposentadoria.
O pagamento de dívidas aparece logo atrás, citado por 27%. Embora 65% dos trabalhadores afirmem que o emprego principal ainda é um caminho para alcançar estabilidade financeira, 27% dizem que a renda é suficiente apenas para pagar as despesas correntes. Já 8% afirmam que nem mesmo com um emprego regular conseguem ter segurança financeira.
💭 A pesquisa sugere que a discussão sobre trabalho está ganhando uma nova camada: não basta apenas analisar taxas de emprego. Cada vez mais importa saber se o salário recebido é suficiente para sustentar o presente sem comprometer o futuro. O custo de vida está consumindo uma fatia maior da renda Parte dessa pressão vem do aumento das despesas essenciais.
O estudo mostra que gastos associados a etapas tradicionais da vida adulta passaram a consumir uma parcela maior da renda nas últimas décadas. 🏠 Em 2000, o custo médio da casa própria representava cerca de 33% da renda familiar. Em 2026, o percentual chegou a 54%.
🔑 O peso do aluguel também aumentou, passando de 21% para 26% da renda familiar no mesmo período. 🚼 Os custos com creche passaram de 12% para 19% da renda. Já o gasto com universidades públicas subiu de 25% para 38%.
No ensino superior privado, a proporção passou de 65% para 89%. A renda extra resolve um problema, mas cria outros desafios Em muitos casos, a renda complementar ajuda a equilibrar o orçamento. Por outro lado, pode significar menos tempo para descanso, qualificação profissional, convivência familiar e desenvolvimento da carreira.
Segundo a pesquisa, 53% dos trabalhadores afirmam que as preocupações financeiras prejudicam a concentração durante o expediente. Além disso, 31% disseram ter faltado ao trabalho no último ano por causa de problemas financeiros. Outro dado chama a atenção: 34% dos entrevistados afirmam que provavelmente buscarão um novo emprego para melhorar sua situação financeira.
Entre os mais jovens, o percentual chega a 48% na Geração Z e a 47% entre os millennials. Os números indicam que a insatisfação financeira pode afetar a produtividade, a retenção de talentos e a rotatividade de profissionais. A pesquisa também mostra que a insegurança financeira não se restringe às faixas de renda mais baixas.
Os pesquisadores identificaram uma espécie de curva em "U" na percepção de segurança financeira. 🔎 As preocupações são maiores entre quem ganha menos de US$ 100 mil por ano (cerca de R$ 550 mil), diminuem nas faixas intermediárias e voltam a crescer entre quem recebe mais de US$ 300 mil por ano (aproximadamente R$ 1,65 milhão).
O estudo mostra que trabalhadores de renda mais elevada costumam relatar preocupações com a manutenção do padrão de vida, o aumento das responsabilidades financeiras e a capacidade de sustentar esse nível de consumo na aposentadoria. A era do adiamento Quando falta dinheiro para fazer tudo ao mesmo tempo, muitos trabalhadores precisam escolher o que ficará para depois. Cerca de 70% dos entrevistados adiaram pelo menos uma meta financeira importante.
Na Geração Z, o percentual chega a 83%; entre os millennials, a 78%. 🔎 As metas mais frequentemente postergadas incluem a formação de reserva de emergência, a compra da casa própria, o pagamento de dívidas e a aposentadoria. O percentual de trabalhadores que aumentaram suas contribuições para a aposentadoria caiu de 55% em 2025 para 39% em 2026, uma das maiores quedas dos últimos anos, segundo o levantamento.
O resultado é um grupo de trabalhadores que continua perseguindo objetivos semelhantes aos das gerações anteriores, mas encontra um caminho mais longo e mais caro para alcançá-los. O percentual dos que acreditam estar no caminho certo caiu: de 75% para 66% na Geração Z; de 74% para 61% entre os millennials; de 58% para 49% na Geração X. Os números sugerem que a preocupação com o futuro permanece, mas sobra cada vez menos espaço no orçamento para se preparar para ele.



