Obras do VLT, modal que foi trocado pelo BRT Mayke Toscano/Secom-MT A investigação sobre falhas estruturais em 13 obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014 foi extinta pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) após o reconhecimento da prescrição das possíveis punições e cobranças de ressarcimento. A decisão foi assinada pelo conselheiro José Carlos Novelli e publicada no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira (19).
Segundo a publicação, a representação foi instaurada em agosto de 2014 para investigar irregularidades em obras contratadas pela então Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), com atribuições que foram posteriormente transferidas para a Secretaria de Estado das Cidades (Secid), atualmente vinculada à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). A lista das construções apuradas não foi divulgada.
Conforme a decisão, avaliações técnicas identificaram problemas estruturais de diferentes níveis de gravidade nas obras analisadas. A equipe técnica do Tribunal apontou que cabia à administração estadual cobrar das empresas contratadas a correção das falhas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 O processo ficou suspenso por vários anos devido à formalização de Termos de Ajustamento de Gestão (TAG) relacionados aos contratos.
Em 2025, após uma revisão de processos que estavam suspensos, o caso voltou a ser analisado para verificar se havia ocorrido prescrição. O Ministério Público de Contas opinou pelo reconhecimento da prescrição e pelo arquivamento do processo. O relator, acolheu o parecer e declarou prescritas as pretensões punitiva e de ressarcimento do tribunal.
Na decisão, o relator destacou que a representação foi aberta em 26 de agosto de 2014 e que o último marco de interrupção da prescrição considerado no processo ocorreu em 20 de julho de 2015. Desde então, segundo ele, não houve outra causa interruptiva que impedisse o prazo de continuar correndo.
O conselheiro considerou o prazo de cinco anos previsto na legislação aplicável e afirmou que, mesmo com a inclusão de 18 meses de suspensão relacionados à vigência dos termos de ajustamento, a prescrição teria ocorrido em janeiro de 2022. No entanto, o TCE-MT ressaltou que a prescrição não elimina a responsabilidade da administração estadual e das empresas contratadas pela correção dos problemas identificados, que podem ser examinados nos processos específicos de monitoramento.
Obras paradas Esquema movimenta pelo menos R$ 640 milhões para financiar corrupção em Mato Grosso Entre as obras previstas para a Copa do Mundo de 2014 que enfrentaram problemas, uma das principais foi a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), sistema de transporte ferroviário movido a energia elétrica. O projeto foi abandonado e substituído pelo Bus Rapid Transit (BRT), sistema de ônibus que circula por corredores exclusivos e que também ainda não foi concluído.
A obra do VLT consumiu mais de R$ 1 bilhão, e parte da estrutura foi demolida anos depois para dar lugar ao novo modal. Um ano após a realização do Mundial, em 2015, Cuiabá ainda tinha 19 obras relacionadas ao evento paralisadas ou inacabadas, entre elas a do VLT.



